domingo, 28 de janeiro de 2007

Precisamos da simplicidade!

Santa Terezinha, morta em 1897, é uma das personalidades mais admiráveis da modernidade. Infelizmente, em relação aos santos, se mistifica muito mais do que qualquer outra coisa, e logo eles perdem a carne e os ossos, e o que é pior: perdemos nós a notícia de que, assim como eles, também nós podemos ser santos.
Tereza de Lisieux não foi santa porque fez prodígios, milagres, ou apareceu, foi santa porque numa época niilista, ousou crer, foi uma revolucionária do seu tempo, e a Igreja hoje a reconhece: proclamou-a doutora da Igreja e co-padroeira das missões, junto com São Francisco Xavier, a ela que nunca saiu do convento. Ela, que queria verter o seu sangue anunciando o Senhor Jesus nas missões mas não pôde, acabou derramando-o numa tuberculose que custou sua vida... Terezinha é uma mulher admirável, e toda esta riqueza de seus vinte e quatro anos de vida pode ser conferida no belíssimo livro que ela deixou para a posteridade: História de uma Alma. Lá, ela fala uma coisa que me tocou muito. Fala citando um dos livros do Antigo Testamento, o Livro da Sabedoria. Lá, a Sabedoria (o Logos Divino, a Ratio, que mais tarde se faria carne na Virgem Maria) diz: "Quem for simples, venha a mim" (cf. Sb 9,4). Eu por muito tempo fui tocado, mas não entendi, eu que sempre senti atração pela complexidade, ouço a Sabedoria dizer: "quem for simples, venha a mim" (Sb 9,4), logo eu, que sempre desejei a sabedoria, e sempre fui tão complexo...
Para complicar ainda mais a questão, re-assisto a uma entrevista de Clarice Lispector no You Tube, na qual ela diz: "o que eu escrevo é simples". E eu sempre a achei complicada. Nunca a entendi. Sempre a pulava. Como com Machado. Sempre começava a ler. E sempre inacabava. E nunca entendia, o que era pior. Re-li sua novela magistral, A Hora da Estrela, e achei de fato, simples. Neste ano que passou, tornei-me viciado (literalmente!) em Machado de Assis (estou tornando-me viciado pela realidade), e agora, finalmente, parece que vou conseguir terminar o seu Memórias Póstumas de Brás Cubas. E estou impressionado com a atração que Machado está tendo sobre mim. Mas não é Machado, é a simplicidade. Machado, como Clarice, são terrivelmente simples. E por que não os entendemos? Porque somos terrivelmente complexos.
O que quer dizer complexidade? Eu diria numa palavra simples: confusão! A complexidade deveria ser um maior amontoamento de fatores, mas hoje quer dizer perda do significado unívoco, unitário. Não sabemos mais o que é o todo, o significado do todo, seccionamos a realidade em milhares de especialidades e não sabemos mais o que toda a realidade significa, por isso não entendemos Machado nem Clarice, porque eles são simples, e nós, complexos. A complexidade é confusão, e a confusão é uma névoa de fumaça entre nós e a realidade, nos impede de ver a realidade, de estar diante da realidade, no máximo podemos discutir sobre a realidade, mas não estar diante do real.
A sabedoria, cujo outro nome é verdade, exige que estejamos diante da realidade, e não diante dos discursos que se fazem sobre a realidade, senão a confusão reinará e nós não entenderemos mais nada, nem a nós mesmos, quanto mais Clarice ou Machado. Infelizmente, a pedagogia moderna vai na contramão disto. O educador Edgar Morin fala sempre na "educação à complexidade", que na prática, é uma educação à confusão, ao blá-blá-blá, à construção e análise de discursos, mas nunca a uma descoberta apaixonada e fascinante da realidade. Não é à toa que até os títulos de seus livros pouco querem dizer, parecendo mais mero jogo de palavras que qualquer outra coisa, tipo "O humano do humano", "A natureza da natureza" etc. Tudo o que a modernidade precisa é voltar à realidade tal como ela é, ou seja, de simplidade. Mas eu acho que toda essa complexidade, ou melhor, essa confusão, essa nuvem de fumaça, é uma forma de evitar olhar para o legado de niilismo que a modernidade nos deixou.

A Invenção da Ideologia

Ia falar sobre Ideologia, mas prefiro deixar aqui notas da aula do poeta Bruno Tolentino, realizada no Instituto Feminino da Bahia, no dia 28 de julho de 2004 sobre a Invenção da Ideologia. Segue abaixo:

"Um retrato nunca é a realidade. Havia uma tendência à deificação da ilusão. Toda pintura ocidental é ilusão; representa-se uma parte da realidade. A diferença entre a realidade viva e a representação do real é que a representação pode ser representada de novo. O real vivo precisa ser defendido contra toda representação; nada pode substitui-lo; o que é é preferível àquilo que poderia ou deveria ter sido (em nome de "um mundo melhor" matava-se o "mundo pior"). A Era Moderna, especialmente o século XVIII do Iluminismo (que não deixa de ser luz, embora ingênua) é a era da verificação do real. O Iluminismo passa a investigar a natureza do real. A positividade do real é inexorável, a defesa do real deve ser preferida; devemos preferir aquilo que é, que existe, é melhor que a fantasia. As tragédias que aconteceram são fundamentais para sermos aquilo que somos hoje; o mundo como idéia é uma distorção do mundo como fato. Se abrirmos mão disso, caímos no subjetivismo mais profundo. A invenção da ideologia não depende de nós (a invenção da liberdade não depende de nós). A doença do homem é pensar que tem os meios de saber o que é bom. Não posso possuir a sabedoria, posso amá-la. A realidade do século XVIII é procurar saber; é o dever de ser cético. Temos o dever do ceticismo, de verificar aquilo que nos foi dado. A má notícia do Iluminismo é que é que ele traz de volta a perspectiva, e o homem torna-se meramente histórico. Na mistagogia, não há essa espacialização do tempo, e ele pode se tornar a ante-sala da eternidade. Todos temos história, a História não é perfeita. O cortejo da modernidade passa pelo "arco do triunfo" da 1ª máquina de matar: a guilhotina (o século XVIII termina sendo o "século do terror"). É claro que o século XVIII foi a culminância de um processo de desmitificação da realidade; mas aí também se procede a invenção da ideologia (não se precisa tornar tudo cabível num arcabouço teórico).
O pai da Ideologia é Hegel em "A Fenomenologia do Espírito". Na Ideologia, não se tem mais o direito de se ter uma idéia; a Ideologia cria um sistema perfeito. A convenção não faz a coisa. A matemática é uma teoria do universo que compomos. No espírito de sistema, transformamos a representação da realidade na realidade. Na Ideologia, transformamos uma brincadeira em realidade. Com a entrada do espírito de sistema, desaparece o dever de ceticismo (que é a glória do Iluminismo). O auge da percepção do real chegou com Montaigne e Pascal, para ficarmos no óbvio. A coerção que o real traz às nossas idéias mais justas é preferível. É preciso segurar nossa tendência de "curar o real à tapa". Dar lições na realidade é uma das lições mais ridículas que a humanidade já se arrogou. A 1ª coisa que desaparece é o ouvir. A Ideologia é inventada para que a realidade seja melhorada de qualquer maneira. O desafio é suportar a companhia da realidade; o desafio da nossa inteligência é conviver, todos os dias, com o real (isso é o que nos separa do louco). Temos hoje também o complexo de Prometeu (o prometeísmo, que rouba o fogo dos deuses). A realidade não é a soma dos nossos esforços; é isso tudo mais aquilo que nos surpreende. Essa intenção de interferir na realidade para que as coisas progridam nos é pedida por Deus (no Antigo Testamento), mas convém não exagerar- a realidade corrige a si mesma. Parábola sufi: Moisés, Jesus e Maomé escolhem, diante de Deus, três taças. Moisés escolhe o mel, Jesus o vinho e Maomé o leite. Somente o vinho é humano, produzido pelo homem. O leite é aquele que sustenta (Moisés escolheu o mais doce); o Islã provê aquilo que é necessário ao homem, não corre o risco da abstração. Os judeus têm uma capacidade de discutir, de complicar. No cristianismo também existe isso por causa do chamado à perfeição. A capacidade de procurar, questionar-se no cristianismo é inexaurível. "A Sabedoria não é para ser atingida, e sim perseguida. Uma vez atingida a Sabedoria, ela é Loucura."
Nunca temos uma resposta suficiente para os "porquês" e "comos". A grande mudança nos séculos XV/XVI é a introdução da perspectiva (na época da queda de de Constantinopla em 1453).a loucura é trocar o "por que" das coisas pelo "como" delas. Machado e Dostoievski entram nessa lógica.No poema de Machado A Mosca Azul, o fundamental é isso: a troca do "por que" pelo "como". O homem começa a refletir-se na sua própria ilusão. Quando o homem não aceita o mistério diante de si, ele se confunde com sua ilusão; sujeito e objeto tornam-se um só, reina a subjetividade. "A Mosca Azul": este mau poema (forçosamente mau) de Machado é um dos maiores poema da estilística brasileira." Bruno Tolentino

sábado, 27 de janeiro de 2007

O aquecimento global e a loucura do capitalismo ultraliberal

Sei que com postagens como esta corro o sério risco de ser chamado de socialista, como o fui, em 23 de dezembro. Não importa. Rótulos não me impedem de pensar, muito menos de expor meu pensamento. Se o governo dos EUA chama o FMI de socialista, quanto mais eu, pobre recém-bloguista, como já diria Reinaldo Azevedo...
Em 1º lugar, é preciso dizer que o aquecimento global é um fato. A estas alturas, só duas classes de pessoas podem negá-lo: os débeis mentais, e os maus-carateres. Até Bush assumiu o aquecimento. Agora só resta perguntar-se: "que isto quer nos dizer? O que fazer com um barulho destes?" (agora a relembrar Lenin, é que vão me chamar de socialista mesmo).
Em 2º lugar, é preciso dizer que o mundo pós-petróleo passará por uma mudança radical, não sei se para melhor ou pior. O mundo de hoje deve o que deve (inclusive o ex-mundo socialista) ao combustível fóssil que substituiu o vapor e o carvão, e tornou possível a emergência da civilização moderna. E em poucos anos, o combustível acabará. E agora?
Vivemos numa época esquizofrênica: o capitalismo ultraliberal. O capitalismo não meio-para, mas fim-em-si-mesmo. Culpa do comunismo! A briga maniqueísta capitalismo-comunismo produziu um monstro: o capitalismo ultraliberal, que é o que vivemos hoje.
Por que eu digo isso? Não para defender o comunismo, que é um sistema muito pior que o capitalismo, que gerou as maiores fomes, os maiores massacres, as maiores mortandades que a humanidade já viveu, o comunismo foi o mal do século 20, e a ele se deve este monstro que hoje chamamos de capitalismo ultraliberal. Graças ao comunismo, se construiu o mito de que o capitalismo era o perfeito sistema econômico, fora dele "não há alternativas", segundo Margareth Thatcher, sua maior apóstola. Dizer que não há alternativas significa dizer que não há pensamento.
E o tal do aquecimento? Que relação tem a ver com tudo o que estou dizendo?
Tem a ver com o seguinte: na era da vitória da razão instrumental, sobre a razão integral, virou mantra o termo crescimento. A economia deve crescer, as empresas devem crescer. E de fato, é assim. As empresas precisam ter crescimento, o que quer dizer lucros, e lucros crescentes, senão quebram. Isso per-si, não tem nada de errado. O lucro não é mau, como alguns pensam. O problema é que no ultraliberalismo, existe uma crença mítica de que o mercado equilibra tudo. É mentira: o que acontece no mercado é competição, o que quer dizer, destruição dos mais fracos e incapazes, e exclusão definitiva daqueles que não podem competir. Há aqui a vantagem da inovação, mas não se considera o desastre que provoca. Isto quase nunca é contabilizado.
O que o meio ambiente tem a ver com isso? Tem a ver o fato de, na sanha competidora, não por que as empresas são más, terríveis e cruéis, mas para não morrer, as empresas não estão nem-aí para o meio-ambiente. Este é custo. E isto não é malvadeza. É assim mesmo que funciona.
E o que precisamos? Retornar ao comunismo? É patético isso! Chernobyl que nos faça ver a realidade: precisamos é de regulação, de governo mesmo. Mas este fazendo o papel que lhe cabe, não fazendo o papel das empresas, nem asfixiando a sociedade civil. A economia precisa ser regulada, não os governos fazendo o papel das empresas, ou sendo assistencialista e promovendo a vida sem trabalho dos outros, mas o mundo não pode ser descontrolado, senão vivemos o mundo nietzscheano: os fortes devoram os fracos. O Estado e os governos precisam atuar criando leis e zelando para que estas sejam cumpridas, de modo que as empresas não sejam nefastas a si mesmas, à sociedade e ao meio ambiente. O ultraliberalismo é uma loucura: queremos uma economia de mercado, mas não abandonada ao mercado. O mercado é parte da sociedade, mas não é seu centro. Quando isso acontece, é um desvio do bem-comum e da justa ordem. O aquecimento global é uma prova evidente disso. Quem tiver olhos para ver, que veja.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Delírios da extrema-direita

A direita é tão satanizada pela esquerda que comecei a estudar boa parte do que esta diz, mais por curiosidade, por desejo da verdade, que por qualquer outra coisa. E gostei. Troco hoje tranqüilamente Marx por Weber e Sartre por Raymond Aron. A inteligência agradece. Não sei se eu os chamaria de "direita", mas de "centro", onde eu mais confortavelmente me enquadro hoje. Esta é a chamada direita liberal, democrática, burguesa, cristã. Até aí vivemos os limites da normalidade, o respeito à democracia e ao outro. Porém, existe uma outra direita, na qual começam as loucuras, os delírios, as debilidades mentais, a chamada extrema-direita. Esse pessoal realmente deveria estar no hospício. Começo por Hitler. Este louco publicou uma obra intitulada "Mein Keimpf", Minha Luta, que baixei num e-book, já que eu não gastaria dinheiro comprando uma idiotice destas. Lendo poucas páginas, vi o que ele era: um insano total, um doido de pedra. Ontem, num sebo, me caiu à mão uma espécie de "manual do integralista" (o fascismo brasileiro): para ele, a democracia é a culpada de todos os males, o comunismo é uma espécie diferenciada de capitalismo, e o totalitarismo é pregado como a salvação de todos os males. Chega a ser patético! Há alguns dias, entrei num site chamado Direita Conservadora, e lá tinha a entrevista do nefasto Jean-Marie le Pen (chamado por uma amiga minha francesa de "a vergonha da França"), candidato da extrema-direita novamente em 2007 (quem quiser ler, a entrevista está lá) à presidência da França. Para ele, a "nação" é um conceito estático, não é algo que se forma no tempo, é algo que precisa ser defendido contra tudo e contra todos. É defensor da mumificação, do reacionarismo barato, como se a França de hoje, e toda a Europa não fosse a mistura de vários povos. Por fim, cito um tal "Conde", segundo ele mesmo, a "abominável encarnação da direita". Em nome de combater o sectarismo de esquerda (de novo em nome do bom, do belo e do que há de melhor), as ditas minorias oprimidas, insufla o ódio aos gays, às mulheres, aos negros, às minorias religiosas. Exatamente como Hitler há setenta anos. Como uma democracia, devemos integrar estas pessoas à sociedade, fazer com que convivam em paz e harmonia homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais, brancos e negros, não-deficientes e deficientes, cristãos e não-cristãos, crentes e ateus e agnósticos. Nada de guetismos, nem de eugenias. Viva a paz, a vida e a democracia! Abaixo os delírios dos neo-fascistas! Abaixo a demência, o horror e a morte!

Quando o mal é bem

Caetano Veloso, na sua música Tigresa, nos alerta que hoje "o mal é bom, e o bem, cruel". Thomas Merton já tinha dito isto alguns anos antes. Vejam abaixo:

Obs. Esta postagem é retirada do blog Reflexões de Thomas Merton http://reflexoes-merton.blogspot.com/. Qualquer semelhança com o mensalão, os dólares na cueca, o escândalo do dossiê falso é mera coincidência...

O mal cometido “para o bem comum”... [grifo meu, ou na minha linguagem, em nome do bom, do belo, e do que há de melhor...]

“ Existem crimes que ninguém consentiria em cometer como indivíduo, e que o homem comete de bom grado e com audácia quando age em nome da sociedade a que pertence, porque foi (com demasiada facilidade) convencido de que o mal é totalmente diferente quando cometido “para o bem comum”. Como exemplo, poderíamos apontar o fato de o ódio e até a perseguição racista serem admitidos por pessoas que se consideram, e talvez em certo sentido o sejam, boas, tolerantes, civilizadas e até humanas. No entanto, essas pessoas adquiriram uma peculiar deformidade de consciência como resultado de sua identificação com o grupo e sua imersão na sociedade de que fazem parte. Essa deformação é o preço que pagam para poderem esquecer-se da solidão que lhes parece um demônio e poder exorcizá-la.”
***
Disputed Questions, de Thomas Merton(Harcourt Brace Jovanovich, Publishers, New York), 1960. p. 183
No Brasil: Questões abertas, (AGIR, Rio de Janeiro), 1963. p. 205

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Até que enfim, Mr.Bush

A postagem abaixo tem como fonte o blog de Miriam Leitãohttp://oglobo.globo.com/economia/miriam/ e é do dia 24.01 (ontem)

Até que enfim, Mr.Bush

Ontem, finalmente, o presidente Bush reconheceu - num discurso no Congresso - que a questão do aquecimento global representa uma "séria ameaça" ao mundo. O discurso de Bush vem em resposta a uma série de críticas sofridas por sua política, alheia a qualquer preocupação ambiental mais séria (dentre elas, a assinatura do Tratado de Kioto). Como até agora não havia sinais de políticas nacionais de proteção ao meio ambiente, muitos estados norte-americanos, como a Califórnia, já estavam tomando medidas nessa linha.
No mesmo discurso, o presidente Bush anunciou a redução em 10 anos de 20% do consumo de gasolina.
E por que isso é importante?
Para começar, os Estados Unidos consomem hoje 25,4 milhões de barris/dia de petróleo; o que é 30% do consumo mundial, segundo a Agência de Energia. É tanto, que o próprio presidente Bush, disse, no mesmo discurso, no ano passado, que seu país era "viciado em petróleo". Além disso, os EUA são responsáveis por 25% das emissões de CO2 na atmosfera.
Tem mais: para os EUA, reduzir a dependência de países com os quais não tem relações muito simples, como Arábia Saudita e Iraque (donos das duas maiores reservas de petróleo), também não é má idéia. A substitução da gasolina viria de fontes alternativas. Nisso, a princípio, o Brasil está bem. Aumentando o interesse dos Estados Unidos por etanol, o Brasil tem condições de exportar para lá o combustível vegetal feito da cana.
Amaryllis Romano, da consultoria Tendências, acredita que os biocombustíveis vieram para ficar, independentemente de o preço do petróleo estar caindo bastante nos últimos meses. Não só por todos esses motivos listados acima, mas também porque eles podem ajudar, nos países desenvolvidos, a "gerar novas oportunidades de mercado aos agricultores (...) sem necessariamente distorcer os preços internacionais".
É bom entender também o movimento de Bush. Ele perdeu a maioria no Congresso e está reagindo a derrotas já sofridas. Na semana passada, a Câmara dos Representantes aprovou um vigoroso corte no subsídio ao petróleo e redirecionou o dinheiro para combustíveis menos poluentes. Ele propôs um corte no consumo, mas, ao mesmo tempo, quer elevar a reserva estratégica e não fala em corte nas emissões de gases de efeito estufa. Ou seja, o velho Bush está querendo mudar alguma coisa para tudo ficar na mesma na indústria de petróleo, na qual ele ganhava seus dólares antes de entrar para a política. Mas o reconhecimento do presidente norte-americano de que há aquecimento global é importante. Até recentemente, Bush financiava os poucos cientistas dispostos a dizer que o problema não existia.
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Empreendedor?

Há alguns meses, a revista Exame divulgou uma reportagem com um dado (não lembro a fonte) dizendo que o Brasil era o 7º país mais empreendedor do mundo. Isto é verdade. Este que vos escreve, encarnação da nova direita do Brasil trabalhou durante dezoito meses numa comunidade da capital baiana e viu a realidade daqueles que estão no nível da indigência (desde então sou um ferrenho defensor do Bolsa Família, embora abomine o mau-uso que se faz dele), e as pessoas são de fato, empreendedoras. Mas a revista erra num ponto: eu não chamaria o que o brasileiro faz de empreendedorismo, chamaria de se-viracionismo, se-vira-nos-trinta mesmo. O brasileiro não tem mentalidade empreendedora. E nisso a revista erra. E feio. Dou exemplos da minha vida. Fui hoje, às 19h25, num sebo (quem quer salvar com urgência seus neurônios corra aos sebos: além do preço ser bem mais acessível, lá, 80% não é lixo, como nas livrarias). O sebo funciona numa casa residencial e os livros ficam na sala de entrada. Como a luz da sala estava acesa, bati na porta só para saber o horário do funcionamento. A dona do sebo me atendeu com muita má vontade, dizendo que o sebo funcionava até às 17h30 ou 18h00. Saí pensando "tem gente que não gosta de ganhar dinheiro mesmo". Depois fui a uma locadora de filmes para locar O Iluminado, de Stanley Kubrick, e o atendente mal sabia atender, eu-que-me-virasse. Terminei levando o filme, mas por interesse meu que não quero ver mais debilidades mentais, e não por esforço do vendedor. Situações como estas já passei inúmeras vezes. Onde está a mentalidade empreendedora? Onde a vontade de empreender negócios? Não vou cair nas ondas dos gurus da administração que dizem "o cliente é o rei", e coisas do gênero, que ganham dinheiro para dizer o óbvio, ou como os otimistas da moda que acham que a salvação está no empreendedorismo, ignorando o papel dos governos e da situação macroeconômica, mas é uma falsidade dizer que o Brasil é um país empreendedor... é no máximo o país do se-vira-nos-trinta, pois na maioria dos casos, não tem outro jeito mesmo.

A nova direita do Brasil




A minha foto ao lado com Heloísa Helena, à direita, por sinal, diz tudo: é a imagem da nova direita do Brasil- segundo o PT e seus asseclas.

Satanização da direita


Num blog de um cara esquerdista, que nem ponho link aqui, vi a charge ao lado de um cara do PSOL- que (vejam só!), o presente bloguista disse ser tão de extrema-esquerda que já era da direita (então eu também sou) simplesmente por ser contra o PT. Isso é pura satanização da direita (assim como a direita também sataniza a esquerda). Vamos discutir propostas, vamos propor idéias. Satanizações deste tipo são abomináveis. O fato é a esquerda não tolera oposição. A esquerda nasceu para o totalitarismo. É difícil pra mim, "ex-esquerdista", segundo Emir Sader, admitir este fato, mas a esquerda não consegue conviver com a crítica e a oposição. Não é à toa que um ex-professor de um amigo meu disse que a esquerda é mais dogmática que a Igreja. É verdade!

Crápulas!

O senhor Mino Carta fez a seguinte postagem ontem em seu blog http://z001.ig.com.br/ig/61/51/937843/blig/blogdomino/. É realmente lamentável que o Brasil esteja entregue a crápulas deste tipo. E Arlindo Canalha já disse que se ganhar vai apresentar projeto de lei que anistia Dirceu. Fez a mesma promessa a Roberto Jefferson.
A postagem segue abaixo em itálico e vermelho. Vocês podem acompanhar toda a repercursão desta no blog do Mino. Que faziam Valério e Dirceu juntos no dia 6? Esta é uma pergunta que não quer calar. Certamente não foram levar presentes ao Menino Jesus.

23/01/2007 17:56
Encontros em Lisboa

Ignoro o significado do evento, mas, de excelente fonte, sei que o ex-chefe da Casa Civil do presidente Lula, José Dirceu, e Marcos Valério, aquele senhor que pretende imitar Yul Brynner e de quem tanto se falou nos últimos dois anos, estavam a tomar café da manhã, olhos nos olhos, às 10 horas da manhã do dia 6 deste mês. Em Lisboa, no Hotel Pestana. Dia de Reis, os magos, que no entanto eram três, e levaram ao Menino Jesus, nascido doze dias antes, ouro, incenso e mirra. No caminho de Belém, até a manjedoura sagrada, seguiram a estrela cometa. Não se exclua a possibilidade de que Dirceu e Valério tenham pretendido celebrar a festividade e lamentado a ausência de Paulo Coelho, o grande místico.enviada por mino
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Proposta absurda

Simplesmente absurda a proposta da abolição da crase. Fiquei sabendo disso lendo no site do filósofo Olavo de Carvalho http://www.olavodecarvalho.org/semana/070123dce.html. É a vitória da burrice: ao invés de aprendermos a belíssima língua portuguesa, vamos destruí-la. É a novilíngua do governo hiper-autoritário de Orwell (no romance 1984) em ação! Ah, eu odeio tudo isso... o fascismo avança!

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Amigos até que a morte nos separe

Milan Kundera em seu belíssimo livro A Insustentável Leveza do Ser trata principalmente da individualidade humana esmagada num país oprimido pela ex-União Soviética, a antiga Tchecoslováquia. Ele mostra também como o ser se despedaça na condição de ateísmo que foi imposta pela opressão comunista. E mostra também a realidade dos cães. Ele dedica um capítulo inteiro a Karenin, a cadela de um dos casais protagonistas do livro, e descreve de uma forma comovente, a morte de Karenin, vítima de um câncer na pata. Faz paralelo incrível com a famosa morte da cadela Baleia do romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Numa sociedade cada vez mais tecnicizada, laicista, individualista, na qual os vínculos são cada vez mais estilhaçados, o amor dos cães vem recordar a nostalgia original que temos do amor. E fato, escreve Milan Kundera [adaptado]: "O amor dos cães é divino. Eles não sofreram com o pecado original. O amor gratuito deles é um reflexo direto do amor de Deus". Para quem gosta de cães, a revista Veja desta semana preparou um especial sobre cães totalmente disponível no site http://veja.abril.com.br/240107/p_068.html, que tem ainda uma entrevista com o autor do best-seller Marley & Eu. Acho que vale a pena conferir! Depois de tanto horror, os cães nos ajudam a sair de nossas trevas diárias: chamam nossa atenção onde há opressão e fragmentação, e inflamam nosso coração para nossa verdadeira exigência humana: exigência do amor! Quem lê entenda!

Macartistas?


No blog do Dirceu http://z001.ig.com.br/ig/45/51/932723/blig/blogdodirceu/ que visitei por curiosidade tem uma postagem interessante: ela diz que a candidatura da "turma da ética", Gustavo Fruet (PSDB-PR) ressuscita o "moralismo udenista". Dirceu acusa esta bancada, composta por deputados de espectros ideológicos tão direferentes como Gabeira (PV-RJ), Erundina (PSB-SP), Chico Alencar (PSOL-RJ) e Raul Jungman (PPS-PE), de macartista, hipócrita e mentirosa, justamente por que levanta a bandeira da ética. Até parece que o PT não foi o arauto da ética nos oito anos do FHC... agora que toda a lama do mensalão, dos dólares na cueca, do dossiê falso em São Paulo veio à tona, que o ídolo de barro do PT tropeçou sobre as próprias pernas, Dirceu vem acusar seus opositores de moralistas, udenistas, hipócritas, mentirosos e macartistas. Vem dizer que o moralismo é coisa de gente da direita, e a revista Caros Amigos chegou mesmo a acusar Heloísa Helena em outubro de direitista, logo ela, que foi expulsa do PT por não concordar com a reforma liberalizante da previdência que o próprio PT foi contra durante os oito anos de FHC, e que magicamente (risos!) resolveu fazer em 2003. Essa gente deve pensar que deixamos nossos neurônios em Plutão.
Acho que ele está acusando a si mesmo de uma certa forma, porque o PSDB também é um partido de esquerda, assim como PSB, PPS, PV e PSOL. Onde está o macartismo? Onde a perseguição dos comunistas? Justamente Dirceu que apóia Chinaglia e Rebelo, amparados pelos PP e PL direitistas, fisiológicos, retrógrados e envolvidos em esquemas de corrupção até o pescoço, faz esta acusação. É no mínimo incoerência!
A verdadeira ressurreição que esta candidatura vem trazer é a disputa de 2005, na qual dois petistas disputaram, e ganhou Severino. Desta vez, a coisa parece que vai ser diferente. Pelo menos o candidato da oposição não é novamente um Severino Cavalcanti.
***
Em tempo: Chinaglia já prometeu a Dirceu que se ganhar vota projeto que o anistia. Roberto Jefferson recebeu a mesma promessa.
***
Ainda no seu blog, Dirceu agradece pelo fato de seu blog estar no 7º lugar no ranking do Noblat http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_Post=45860, o blog político mais lido do Brasil. Já o blog do Reinaldo Azevedo http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/, ferrenho opositor do petismo e do autoritarismo de Dirceu aparece em 4º lugar (336 links do Reinaldo contra 209 do Dirceu).

Ouvido Absoluto

Quem vem acompanhando este blog, não deixe também de passar no Ouvido Absoluto. Excelente! http://ouvidoabsoluto.blogspot.com/

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

O segredo americano


Existem duas coisas que me propus a falar neste blog e que vou adiando, por enquanto, indefinidamente. Uma delas é sobre ideologia, uma das coisas mais nefastas da vida, pois nos rouba o que nos é mais precioso, a realidade, e os equívocos tremendos do bushismo. Acho engraçado chamarem Bush de terrorista pessoas que compactuam com ditaduras como as de Cuba e da Coréia do Norte, ou a chinesa. Por mais que o capitalismo tenha Bush, o comunismo tem Pol-Polt, Mao, Stálin e tantos outros asseclas e aspirantes, como Chávez e Evo. A coleção de monstros da esquerda não apaga os erros de Bush, mas só mostra que satanizá-lo pode ser só uma cortina de fumaça para encobrir os 100 milhões de mortos do socialismo real em nome do nada, pois utopia literalmente significa nada: lugar inexistente. Mas por enquanto não falo de Bush nem dos erros do capitalismo, já que estes nos são tão conhecidos. O comunismo, uma das três sementes do Mal é que precisa ser desmascarado.
Mas falando da foto acima: que tem a ver a estátua da liberdade com esse palavreado todo? É culpa de Clarice Lispector essa digressão. Mas quis escrever essa postagem porque vi um filme hoje que falava dos dois grandes males que eu abomino: a ditadura e o totalitarismo, dos quais o comunismo foi pródigo, e eu não consigo entender como tantas pessoas tão inteligentes aderem a um sistema tão perverso e maligno como este, exatamente igual ao fascismo e ao nazismo. Não há diferença: se Hitler provocou a morte de 58 milhões de pessoas na 2ª Guerra Mundial, Mao (o português é mesmo irônico: Mao de fato era mau, muito mau) matou 70 milhões na China, sendo 30 milhões somente de fome. E a desculpa de ser contra o capitalismo não cola: posso ser contra o capitalismo, mas não preciso ser comunista. É o que disse o filósofo Olavo de Carvalho: "ser de esquerda é uma coisa, ser marxista, é outra".
E que tem a ver ainda a América? É que lá nunca teve nem ditadura, nem totalitarismo. Ao contrário da França, que passou por inúmeras revoluções e repúblicas, e o Brasil, que já teve oito constituições, a América vem mantendo uma vigorosíssima democracia há exatos 230 anos com uma única constituição, reconhecida por muitos, inclusive pela França como a "terra da liberdade". Claro que a América tem defeitos e problemas, não é o paraíso; mas os outros países ainda estão muito longe do padrão que esta logrou alcançar.
E qual o segredo? Um francês resolveu descobri-lo: Alexis de Tocqueville. E é muito simples: redes de solidariedades, capital social- como a Academia chama hoje, associativismo, comunitarianismo, sociedade civil. Na América, a sociedade sempre foi maior que o Estado (o que não significa Estado Zero- como querem os anarquistas, ou Mínimo- como querem os neoliberais), ou seja, as comunidades que poderiam resolver seus problemas o resolviam: isso se chama federalismo, capilaridade, subsidiariedade... a sociedade se organiza de baixo para cima, sem esperar que as soluções venham de um messias ou um salvador-da-pátria.
E o que tem Bush a ver com tudo isso? Tem a ver que lá na terra dele você pode até discordar dele, detestá-lo e odiá-lo, mas terá o direito de fazê-lo, sua liberdade de expressão está garantida pelo sistema democrático, enquanto que nas terras controladas pela ideologia, se não se segue a cartilha do partido, fuja pra Miami, fique debaixo da terra como na China (a Igreja católica é proibida na China e existe exatamente como no tempo do Império Romano: em catacumbas), morra nos gulags soviéticos, ou seja executado no Oriente Médio por ser um infiel. Adaptando um pouco Churchill, eu digo: "O Ocidente não é perfeito, mas é o melhor que temos". Quem tiver olhos para ver, que veja!

domingo, 21 de janeiro de 2007

A Tradição contra a burrice

Venho aqui falando sobre a burrice há algumas postagens, mas não disse como se livrar dela. E aí? A burrice é algo que nos assola, que nos ataca, que nos invade, mas como se livrar de inimigo tão onipresente e tão forte? Só há uma resposta: nos reportando à Tradição.
Antes de mais nada, é preciso esclarecer o sentido do termo tradição, tão avacalhado pela vanguarda. Tradição não é tradicionalismo, tradição é tudo aquilo que todos os homens, de todas as épocas, e de todos os espaços construíram em busca do significado de suas próprias existências individuais e em conjunto. A tradição se identifica com a cultura, com a vida. De fato, a tradição é uma vida. Vem do latim tradit, que significa entregar. A tradição acontece quando uma geração entrega à outra uma hipótese de verificação do significado total da sua própria existência e da realidade. Não há possibilidade de sabedoria, de inteligência sem a tradição. A tradição não é tradicionalismo. Este quer mumificar a tradição em uma forma, como se esta fosse imutável. Ela é eterna em substância, mas mutável na forma.
Se quisermos ser sábios, ou melhor ainda, homens, se não quisermos re-inventar a roda como a vanguarda, temos de partir da tradição, que é um verdadeiro edifício construído pelos homens em busca de uma vida melhor. A tradição não é perfeita, não deve ser tansformada num ídolo, como boa parte da direita faz, mas deve ser usada, confrontada, comparada, pois sem ela, temos o nada, ou o pior, um retrocesso gigantesco, como o comunismo, que foi um retrocesso de 2000 anos ao modo de produção asiático (o mesmo praticado no Egito, Mesopotâmia, Oriente Médio), e que ainda matou 100 milhões de pessoas em nome de uma utopia (do grego ù-não, topos- lugar: lugar inexistente), do nada. [isso conforme Max Weber em seu livro Economia e Sociedade; e Raymond Aron em As Etapas do Pensamento Sociológico].
Se quisermos um mundo melhor, um mundo mais justo e menos desigual, um outro mundo possível, como fala o belo lema do Fórum Social Mundial, temos de voltar à tradição, e nós ocidentais, à nossa tradição ocidental, que significa Sócrates, Platão, Aristóteles, Antigo e Novo Testamento, re-descobrir os grandes gênios científicos, artísticos, filosóficos gerados pela nossa brilhante civilização. Como construir um mundo melhor desprezando tudo o que foi feito antes e chegando ao absurdo, porém coerente niilismo da pós-modernidade?
É preciso porém simplicidade para vencer a carapaça de preconceitos que incutiram em nós, fazendo com que nós nos odiemos a nós mesmos e amemos assim ao exotismo, pois ninguém pode viver sem amar. "Quem for simples, venha a mim", diz a Sabedoria (cf. Sb 9,4).

sábado, 20 de janeiro de 2007

É mera coincidência?

Qualquer semelhança com Hugo Chávez é mera coincidência?

"Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado." A definição de fascismo de Benito Mussolini

Hillary Clinton dá 1º passo rumo à corrida presidencial dos EUA


WASHINGTON (Reuters) - A senadora democrata Hillary Rodham Clinton disse neste sábado que planeja formar um comitê de avaliação para a corrida presidencial dos Estados Unidos de 2008. A formação do grupo é o primeiro passo para tornar-se candidata à indicação de seu partido. "Eu estou dentro", diz em letras grandes um anúncio no site da democrata.

A entrada da senadora por Nova York e ex-primeira dama dos EUA na corrida presidencial era muito aguardada e ela lidera um grupo de outros cinco candidatos democratas à Casa Branca.

Em uma mensagem em vídeo gravada e disponibilizada em seu
site, Hillary afirma: "Depois de seis anos de George Bush é tempo de renovar a promessa dos Estados Unidos."

"Eu estou formando um comitê de avaliação. Eu não estou somente começando uma campanha, eu estou iniciando uma conversa com vocês, com os Estados Unidos. Porque nós todos precisamos fazer parte de uma discussão que envolve saber se nós seremos parte da solução."

"Vamos conversar sobre como podemos trazer um fim correto para a guerra no Iraque e restaurar o respeito pelos EUA ao redor do mundo", afirmou a senadora, mencionando várias questões que ela tratará na campanha e que também incluem energia e assistência médica.

Começa o 7º Fórum Social Mundial














Começa hoje em Nairóbi, no Quênia, o 7º Fórum Social Mundial, sem as presenças de Lula e Hugo Chávez. O FSM é um lugar onde se reúnem pessoas que querem "um outro mundo", embora não afirmem qual. Este poderia ser um mundo anarquista, social-democrata, comunista, socialista ou até de um capitalismo humanizado. O FSM é algo extremamente complexo, cheio de miríades de integrantes e pensamentos. Afirmar que é formado pelas "viúvas de Stálin" é um reducionismo tremendo. Basta dizer que a única coisa que os une é a repulsa à globalização tal como vem acontecendo hoje- pois existem grupos que defendem a globalização, porém de forma mais justa e humana. O presidente Bush (em breve, vou escrever um pouco sobre a doutrina Bush e seus equívocos tremendos) é claro, é o inimigo número 1, classificado como terrorista número 1. O que não deixa de ser exagerado. Não dá para dizer que o Bush é o mauzinho e Saddam o bonzinho, embora eu não concorde nem um pouco com o método usado na execução de Saddam Hussein. O Fórum também revela a emergência da sociedade civil global, dos movimentos sociais transnacionais, da contestação internacional à atual ordem mundial, o que evidentemente tem prós e contras. O Fórum marca a emergência das demandas sociais e nasce da crise do Estado em atender as demandas sociais dos seus cidadãos e do fracasso do modelo neoliberal tal como foi adotado (ideologicamente- mas isso é outra história que pretendo falar em breve) em levar o mundo a um estado de prosperidade sem precedentes como foi prometido. Como vem se repetindo, a tônica do Fórum deste ano deve ser a crítica à atual forma de globalização e à guerra no Iraque. O avanço da esquerda na América Latina, e a possível morte próxima de Fidel Castro não devem ficar fora da pauta, além da presença das reivindicações dos grandes movimentos sociais transnacionais (Via Campesina, Marcha das Mulheres, os movimentos negros, de imigrantes, dos homossexuais, ambientalistas etc). O Fórum Econômico de Davós, Suíça, ao qual o FSM quis se contrapôr no início acontece daqui a uma semana discute os rumos da problemática da economia mundial: como fica a lenta depreciação do dólar e o déficit na balança comercial americana? O crescimento da China, Índia e Leste Asiático, além do avanço da esquerda na América Latina certamente não ficam de fora.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Uma visão sobre o transcendente

Um amigo meu, Charles Fonseca (visitem o blog dele http://charlesfonseca.blogspot.com/) me mandou o texto abaixo. Aproveitem:

A Cidade de Deus
Santo Agostinho
Tradução de Oscar Paes Leme

Capítulo XI
Fim da vida temporal, prolongada ou breve

Prolongada fome, dizem, consumiu grande número de cristãos. Não é outra provação que a piedosa paciência dos verdadeiros fiéis transforma em vantagem sua? Para aqueles que mata, a fome representa, como a doença, completa libertação dos males desta vida; para os que poupa, lição de abstinência mais rigorosa e jejuns mais prolongados. Quantos outros cristãos, porém, trucidados, engolidos pela inexorável morte que se multiplica de maneira espantosa! Sorte cruel, mas comum a todos os destinados a esta vida. O que sei é não haver morrido pessoa alguma que não devesse morrer um belo dia. Ora, o fim da vida reduz a igual medida a mais longa e a mais curta, pois coisa nenhuma é melhor, ou pior, ou mais longa, ou mais curta na igualdade do nada. Que importa, pois, de que espécie de morte morremos, se, depois de mortos, não podemos ser constrangidos a morrer de novo? Como as peripécias diárias da vida suspendem, por assim dizer, sobre cada cabeça mortal a ameaça de número infinito de mortes, não é melhor, pergunto, enquanto perdura a incerteza da que há de vir, sofrer apenas uma e morrer do que continuar vivo e recear todas? Não ignoro que nossa covardia prefere viver longo tempo no temor de tantas mortes a morrer uma vez para não continuar receando nenhuma. Uma coisa, entretanto, é o que causa horror aos sentidos e à imbecilidade da carne, e outra, a convicção esclarecida e profunda do entendimento. A morte não representa nenhum mal, se sucede a vida santa; não pode ser mal, senão pelo acontecimento que a segue. Que importa, por conseguinte, a seres necessariamente votados à morte o acidente de que morrem? Importa, isso sim, o lugar para onde vão, depois da morte. Ora, os cristãos sabem que a morte do pobre bom entre os cães que lhe lambem as feridas é incomparavelmente melhor que a do rico que expira na púrpura e no linho. Pois bem, como poderiam essas mortes horrendas prejudicar os mortos, se viveram bem?

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-Fonte: Santo Agostinho. A Cidade de Deus: (contra os pagãos), Parte I. Tradução de Oscar Paes Leme. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1999.

Bobagens do Emir

Não tenho nada contra (por enquanto) nenhum emir do Oriente, a não ser o fato deles tolherem minha liberdade (especialmente de expressão), se lá eu pisar, mas esta postagem é contra um manual escrito por um outro emir, não oriental, brasileiro, não-islâmico, talvez laico: chama-se Emir Sader, a nova vaca sagrada da esquerda brasileira. Não obstante os dólares na cueca e os mensalões terem me lançado bastante à direita, numa viagem talvez sem volta, este senhor escreve num jornal sergipano (nada contra Sergipe- foi o que me caiu à mão, agora dei uma relida rápida passando as vistas no site Carta Maior http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=67) uma espécie de "manual", "guia", de como ser um ex-esquerdista, em 14 pontos. Pelo que li, eu sou o próprio, não tardei a me identificar. Sinceramente, quero logo sair de junto de tantos impropérios como nunca vi. Um deles era de que o sintoma de ser "ex" era chamar o agonizante ditador cubano de "Castro" e não de "Fidel", como as viúvas de Stálin o fazem até hoje. Outro sintoma seria chamar de "populista" um político que quer seguir o mesmo caminho de Fidel Castro, que ficou 47 anos no poder, ou ainda não gostar do que Evo Imorales fez com o Brasil, ou ter certeza que Raymond Aron (leia-se a democracia ocidental) venceu Sartre (que apoiava o totalitarismo stalinista). Caro senhor Emir, basta pensar para ser contra todas estas bobagens, e para rejeitar todas estas pataquadas que a esquerda quer nos impingir em nome do bom, do belo e do que há de melhor, que não será atingido dessa forma. Quero um mundo melhor, com paz, justiça e amor, desejo um outro mundo, como diz o belo lema do Fórum Social Mundial, mas não acredito que chegaremos a ele pelo caminho que a esquerda vem trilhando, e nem pelo caminho da direita.

O maior crime do mundo

Há alguns dias, um amigo Alesson escreveu o seguinte: "Inquisição..morte em série, febre de criação de pequenas igrejas e grandes negócios,castelo evangélico em pleno Iguatemi,dinheiro lavado da Renascer.Ideologia?É talvez não.na verdade é um crime mesmo que nos assola há anos." Ele fez isto para falar dos crimes do cristianismo. Eu não vou nem me aprofundar em questões mais complexas: se isto faz parte inexorável da fé cristã, se foi desvio dos membros, a participação do Estado nisso. Mas vou simplesmente citar números: a Inquisição levou 300 anos para matar 300 mil pessoas, já o comunismo, do qual nunca se fala nas escolas- e que eu chamo de uma das três sementes do Mal, junto com o fascismo e o nazismo- matou nada menos que a cifra fantástica de 100 milhões de pessoas em apenas em apenas 70 anos, sendo que na China de Mao Tsé-Tung foram 70 milhões de mortes. E aí, qual o maior crime? Por que ninguém fala do horror que foi o comunismo? Qualquer um que me conhece sabe que sou um crítico do capitalismo, especialmente da sua fase atual, o neoliberalismo, mas isso não me impede de ter asco ao comunismo, o maior crime do mundo! Comunismo nunca mais!

Resposta

Ontem um amigo postou uma mensagem- não sei se ironicamente- dizendo que eu era contra ele. É muita pretensão. Afirmei ser contra a burrice, e continuo sendo. Falsa modéstia não dá, e sei que quem escreveu não ser inteligente não está sendo fiel a si mesmo, ou então quer arrumar um pretexto para estar do outro lado em relação aonde eu estiver. Quanto ao bushismo, reafirmo que é uma burrice monumental. Até cérebros como Fukuyama já romperam com o pensamento dos falcões neo-conservadores, o que não quer dizer abraçar as seitas e guetos histéricos da esquerda moderna. Não gosto de pensar o mundo de forma maniqueísta. Santo Agostinho já destruiu essa heresia há 1600 anos, e dividir o mundo em esquerda e direita, bons e maus é resquício do maniqueísmo em nome do bom, do belo e do que há de melhor. O Mal atingiu a todos- não há um justo sequer, diz o salmista e Paulo- embora todos tenham a centelha do bem, já que todos vêm do Sumo Bem. Esta simplificação bonzinhos versus mauzinhos, direita versus esquerda, certos versus errados, elimina grande parte da totalidade do real, e distorce a nossa visão de mundo, forçando-nos a ver no outro, um inimigo. Tanto que não coloquei uma pessoa como inimiga, nem mesmo Bush. Não quero estar aqui contra ninguém em particular, nem mesmo contra quem pensa o exato oposto de mim. Nossa amizade, unidade, nunca pode ser meramente ideológica.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Opus Dei

Pensando na "bispa" presa, resolvi falar no Opus Dei (em português, Obra de Deus). O Opus Dei, avacalhado pela debilidade mental de Dan Brown, é uma realidade séria. Tenho uma amiga da Opus Dei e um amigo ligado à Opus Dei e posso dizer que são pessoas normais. O que é, de fato, a Opus Dei? Por que tem suscitado tanto furor na mídia hoje? Por que tanta polêmica e controvérsia? A Opus Dei é uma realidade normal da Igreja romano-católica, uma prelazia pessoal do papa, criada em 1928 pelo padre Josemaria Escrivá (1902-1975), com a finalidade de santificar o ambiente mundano. O objetivo da Opus Dei é fazer que os seus membros sirvam a Deus na realidade na qual se encontram, trabalhando ou estudando. São palavras de Josemaria Escrivá, canonizado em 6/10/2002 : "Para um apóstolo moderno, uma hora de estudo é uma hora de oração". Ou seja, uma espiritualidade impregnada no mundo, exatamente como Jesus, Logos feito carne (cf. Jo 1,14). E por que a Opus Dei causa escândalo? Por causa do celibato de alguns dos seus membros? Por causa do cilício e da flagelação? O celibato existe há séculos nas Igrejas romana e ortodoxa, e o cilício também. Vários santos o usaram. Causa, de fato, escândalo, numa sociedade hedonista. Mas o escândalo maior da Opus é querer trazer de volta Deus para a sociedade, é querer viver uma espiritualidade dentro do mundo. Numa sociedade que quer a todo custo separar Deus da vida, o que eu chamo de fundamentalismo laico, como se um não tivesse nada a ver com o outro, a Opus Dei é assustadora, como ouvi um professor meu falar. Quer tiver olhos para ver, verá que muitas das mentiras ditas acerca da Opus Dei não passam de imaginação de Dan Brown & cia. E quanto ao cilício, qual o problema? Eu não me flagelo (até por que não sou da Opus Dei e acho que a gente já tem sofrimento demais na vida, não precisamos procurar), mas quem quiser, por Cristo, tem esse direito. Onde está a liberdade religiosa? Se Foucault pôde ir a saunas gays para sado-masoquistas em San Francisco, EUA e ninguém acha nada de mais (pelo contrário, é um dos filósofos mais lidos da pós-modernidade), por que os seguidores da Opus Dei não podem se flagelar por sua fé?

Avacalhação neopentecostal

A prisão da "bispa" Sônia e do "apóstolo" Hernandez vêm chamar a atenção para um fato corrente na situação brasileira: uma verdadeira avacalhação neopentecostal do cristianismo, avacalhação esta conhecida como "teologia da prosperidade". Tudo se origina da interpretação equivocada ou mal-intencionada do que Jesus falou em Jo 10,10 "Vim trazer a vida, e vida em abundância". Estava armado o palco para a maluqueira de Edir, Sônia e Hernandez. Quem seguisse Jesus (leia-se freqüentar os templos de uma igreja neopentecostal) ficaria rico como sinal do favor divino, e tudo isso por meio da oferta contínua de dinheiro para estas igrejas. Qual o problema disso tudo? Que o cristianismo sério, católico ou protestante fica seriamente avacalhado. A maioria das pessoas não conhece a complexíssima realidade protestante, suas diferenças internas, seus métodos e doutrinas e colocam tudo no mesmo balaio-de-gato. Já existe até o ditado "pequenas igrejas, grandes negócios". O que não deixa de ser verdade. Mas existe muita seriedade e verdade, tanto na Igreja romano-católica, quanto nas protestantes históricas. Basta ter curiosidade e olhos para ver. Quanto mais próximo da Tradição, melhor e mais confiável.

domingo, 14 de janeiro de 2007

Um preconceito positivista

Nada como os leitores... são tão importantes que Machado se propõe a dialogar com eles. Bem, um comentário de um leitor me instiga, aqui da Cidade Maravilhosa a escrever este texto. Eu gostaria de falar sobre o preconceito positivista acerca da religião. Auguste Comte, fundador do positivismo dizia que a evolução do espírito humano se deu em 3 níveis: mágico-religioso, metafísico e positivo, que corresponderiam à infância, adolescência e adultez. O nível de incompreensão acerca do significado do termo evolução e sua confusão com o termo desenvolvimento é algo que foge ao propósito deste texto. O que ocorre no espírito humano é desenvolvimento, não evolução. É um desconhecimento tremendo da teoria evolucionista que ocasiona tão grande confusão. É um preconceito monumental e eurocêntrico a idéia de que os povos religiosos são primitivos ou que estão na infância do espírito. É fruto de uma Europa que disse um grande "não" a si mesma, pois a Europa, tal como existe hoje, é fruto do cristianismo. Basta ter olhos para ver. A presença e influência do cristianismo é monumental. Este preconceito é fruto de uma birra adolescente, fruto do fundamentalismo laico, que busca colocar a religiosidade como algo irracional, fruto do primitivismo e da "infância do espírito". Pelo contrário, a religiosidade é estrutural, inerente ao espírito humano. Um forte espírito anti-clerical, uma grandiosa pretensão da razão iluminista fez Comte, Marx e Freud rejeitarem a natural religiosidade do humano. Até mesmo um vigoroso combatente do cristianismo, Nietzsche, afirmava uma religiosidade, mesmo que não-cristã. O poeta T.S. Eliot intuiu isso quando escreveu nos Coros de A Rocha: "Onde não existem templos, não existem moradas". O próprio Comte se contradisse em vida quando fundou em vida a "religião da humanidade", uma paródia clara do catolicismo. Portanto, a religião não é ideologia. É um fato, é natural, é estrutural ao espírito. E quanto ao cristianismo, fazendo uma análise rigorosa, não é uma religião, mas é um fato: um homem que se disse ser Deus. Como dizer que o fato mais abundantemente documentável é uma ideologia? Só a presunção de quem não quer ver o que está à sua frente e olhar a própria experiência que vive, pode dizer que a religiosidade é ideologia... puro preconceito!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

A Importância do Crédito

Ontem, milhões de pessoas tentaram a sorte na MegaSena. O mais impressionate é que as chances de um avião cair em nossa cabeça são duas vezes maior! E haja esperança... e falta de crédito!
É o sonho de todo brasileiro: ficar rico,crescer, prosperar! Numa sociedade capitalista, isto se faz por meio da oferta de crédito, investimento, emprego e renda. A debilidade mental de nossos governantes, e a sanha insaciável dos banqueiros que lucram sem emprestar, numa iniqüidade monumental gera o que vemos aí: uma sociedade sem crédito, sem confiança. Uma sociedade neoliberal, com tudo de ruim que tiver o termo, onde o lema é cada um por si e Deus contra contra todos! Este é o capitalismo tupiniquim! E viva o Prêmio Nobel da Paz, o banqueiro dos pobres! Não haverá paz sem justiça social! Ainda bem que o Banco Mundial já entendeu isto! Espero que o Brasil, "monumento à iniqüidade social", no dizer de Eric Hobsbawm, entenda isto.

Sobre as nossas contradições

Por mais que não queira, tenho que admitir: sou um pós-moderno. E uma contradição. Machado diz que a essência do homem é a contradição. Mas por que digo isso? Há duas postagens disse que era "inatual". E sou mesmo. Em 14 de novembro passado fui chamado de "careta" porque disse que ia ler Os Sofrimentos do Jovem Werther, enquanto dizia que uma maluqueira moderna não valia minha perda de tempo. Ao mesmo tempo, estou aqui ouvindo Pitty, com a página do orkut aberta e lendo meus e-mails. Coisas típicas do homem pós-moderno. Mas as contradições não param por aí. À uma hora da tarde de ontem estava conversando com amigos marxistas revolucionários e condenando a revolução; já às nove da noite estava defendendo o Programa Bolsa Família contra a direita raivosa anti-PT. Condeno ao mesmo tempo as pretensões totalitárias de Chávez, a imbecilidade de Evo Morales (ou será Imorales por ter assaltado o Brasil?) e a debilidade mental do presidente dos Estados Unidos George W. Bush... contradições nossas de cada dia que fazem parte do nosso mundo. E devemos aceitá-las, porque senão caímos num erro antigo: o maniqueísmo, combatido de forma tão veemente por Santo Agostinho. De fato, o maniqueísmo representa uma grande tentação do pensamento humano: a racionalização do Mal, a divisão do mundo entre bonzinhos e mauzinhos. A esquerda e a direita adoram fazer isso, satanizarem uns aos outros, pelo simples gosto de se sentirem cada uma, a boa, a bela e o que há de melhor. Esta é a receita para o totalitarismo, a perseguição, o massacre e a morte, em nome do bom, do belo e do que há de melhor. Em nome do bom, do belo e do que há de melhor, a Inquisição cristã matou 300 mil pessoas em 300 anos, a 2ª Guerra Mundial 58 milhões de pessoas em 6 anos, e o comunismo, 100 milhões de pessoas em 70 anos, sendo 70 milhões somente na China, e o lobby abortista mata inumeráveis não-nascidos na atualidade. Por isso, o escritor Gustavo Corção disse que é uma estupidez tanto ser comunista como anti-comunista. Não há muita diferença entre as diametralmente opostas posições. Ambos o fazem em nome do bom, do belo e do que há de melhor, e no auge de suas posições, matariam em nome desse mesmo bom, belo e o que há de melhor. Isso se chama "ideologia". Contra ela, a melhor posição é omandamento do Logos que se fez carne no Natal: "Amai ao próximo como a ti mesmo". É arriscar no contragolpe da contradição do real. É a vitória contra a loucura e a ideologia; é o amor ao real e a sabedoria.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Um pouco de inteligência

Depois da estupidez que querem nos impingir, nada como a genialidade de Clarice para nos salvar. Abaixo, o desejo ardente da realidade, que a TV tanto quer nos tirar, e a sempre presente tentação do sonho, que quer nos anestesiar do contato com a realidade.

"Eu precindo da realidade por que posso ter tudo através do pensamento. A realidade não me surpreende. Mas não é verdade: de repente tenho uma tal fome da 'coisa acontecer mesmo' que mordo num grito a realidade com os dentes dilacerantes. E depois suspiro sobre a presa cuja carne comi. Por muito tempo, de novo, precindo da realidade real e me aconchego em viver da imaginação" Clarice Lispector (1920-1977)

Hoje começa a estupidez

Hoje começa a sétima versão da estupidez nacional: o Big Brother Brasil. Surpreende-me a chamada no site UOL: "Globo aposta em hormônios de jovens e em intrigas". Por que me preocupa o Big Brother? Porque ele é a apoteose da estupidez, o epíteto da manipulação, a epítome do descaramento, a ponta do ice-berg da máquina do poder que transforma 190 milhões de brasileiros em marionetes.
O declínio do gosto da literatura é sinal evidente da decadência da civilização moderna. Troca-se hoje o livro pelo filme, a letra pela imagem, a experiência pela informação, o real pelo simulacro. O Big Brother prende ainda mais o telespectador às telas da televisão do que as já tradicionais novelas, envolvendo-os em tramas insípidas e inócuas, preparadas ao gosto da massa, e tendo o lucro, a estupidez e a alienação como motores principais.
Deixei de ver televisão. Não sei se é uma atitude radical. "E o que é ser radical?" - me perguntaria um amigo marxista. Resolvi fazer isso num ato de desespero para salvar meus neurônios. TV é algo que vicia. E perverte. Dei-me conta disso ao ver Belíssima, e em Belíssima a vilã ser agraciada. Isso é sinal dos tempos e perversão da inteligência. Como dizia Caetano Veloso, agora "o mal é bom, e o bem, cruel". Nada de Páginas da Vida, e muito menos de Big Brother. Muito menos cinco horas de orkut, como logo quando conheci o site em 2005.
Um amigo, o poeta Bruno Tolentino, me disse, ainda em 2005, que quanto mais a tecnologia avança, mais burras as pessoas se tornam. E eu me dei conta de que isso era verdade, porque eu mesmo estava burro, eu mesmo estava idiotizado pela televisão. Como diz a música "A TV me deixou burro, burro demais". E resolvi trocar Páginas da Vida por um bom romance. E o mesmo faço com o Big Brother.
Há uns dez anos eu pensava como era que as pessoas viviam em 1900 sem TV. Hoje eu descobri: elas simplesmente viviam, liam, meditavam, contemplavam, tinham amigos, namoravam, casavam, tinham filhos, trabalhavam... eram senhoras de suas vidas, não estupidificadas pela TV, nem pela tecnologia... e se me chamarem de retrógrado? Não estou nem aí. Como o jornalista Reinaldo Azevedo sou mesmo um homem inatual. E eu gosto de sê-lo.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Um blog de combate

Este será um blog de combate: desejará combater a burrice, a estupidez, a debilidade mental! E portanto, um de seus alvos será o bushismo, epíteto de toda essa maluquice! Mas não apenas ele: o fascismo de esquerda histérico e o fascismo islâmico não escaparão! Combater a barbárie que essa gente quer implantar no mundo deveria ser tarefa de todos: por favor, salvem nossos neurônios! A execução de Saddam foi um dos atos de maior agressão aos direitos humanos, barbárie e selvageria que se pode imaginar! Um retrocesso monumental! E feliz 2007!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Contribuição sobre o Natal, por Julián Carrón

Amigos,

Segue abaixo um belíssimo texto de Julián Carrón, e feliz 2007!

Dimitri

Contribuição sobre o Natal

Fé e niilismo.
Não vamos fechar os olhos

Corriere della Sera, 28 de dezembro de 2006

Caro Diretor, o contesto humano e cultural em que vivemos pode ser identificado com uma palavra: confusão. Damo-nos conta disso pela urgência em nós de uma certeza. Toda a confusão em que estamos imersos, de fato, não pode evitar o emergir do desejo de verdade, justiça, felicidade que nos constitui. «Procurei a mim mesmo. Só isto se procura» (Pavese). Insatisfação, inquietação e tristeza nos dizem que o desejo do coração é inextirpável - como um dado que nenhum niilismo pode vencer -. Nem mesmo a nossa mentira, as nossas tentativas de fingir que não existe, é capaz de arrancá-lo. Tanto é verdade, que não vemos outra saída senão odiá-lo: «Quando se anuvia, o coração se agrava como peso insuportável. E é difícil agüentar este peso sem odiar a si mesmo, sem lamentar ter nascido» (Maria Zambrano).

Entende-se este ódio porque, não encontrando a presença que o cumpra, o desejo de felicidade é como um impulso enlouquecido, que não sabe mais para onde ir. Mas também não pode auto-destruir-se porque é constitutivo e quem nos constituiu é um outro, é o Destino. Por isto, mesmo no abismo do esquecimento pode-se reacender o desejo de voltar para casa. Foi assim para o filho pródigo. E o é para quem quer que ainda tenha uma migalha de ternura para consigo, «porque à vida basta o espaço de uma greta para renascer» (Ernesto Sábato).

O coração permanece como baluarte contra o niilismo. Dar crédito ao coração, ao desejo de voltar à casa, é o início da retomada. Parece nada, mas é aquilo de que precisamos para reconhecer a verdade, se por acaso vem ao nosso encontro. No coração, de fato, temos o critério para julgar: «O inferno - escreve Ítalo Calvino – está já aqui. Existem dois modos para não sofrê-lo. O primeiro sai fácil para muitos: aceitar o inferno e tornar-se parte do mesmo, até o ponto de não vê-lo mais. O segundo é arriscado e exige atenção e aprendizagem contínuos: procurar e saber reconhecer quem e que coisa, no meio do inferno, não é inferno, e fazê-lo durar, e dar-lhe espaço».

Dar espaço a que, se todas as coisas, todos os rostos, mesmo os relacionamentos mais queridos, parecem não ter força e consistência para vencer o inferno? Seria necessário algo excepcional para respirar e viver. O Natal de Cristo é o anúncio desta excepcionalidade que irrompe nos confins cerrados da experiência humana: o Verbo se fez carne, Deus se torna um de nós.

Entretanto, hoje somos acostumados a falar do Natal como sentimento, folklore, rito já sabido, mais do que como fato excepcional, até o ponto que a Fé não interessa quase mais a ninguém, nem mesmo a muitos que freqüentam a Igreja. Os interesses da vida estão em outros lugares. «Mas como é possível – pergunta-se Bento XVI – que um homem diga “não” àquilo que há de maior; que não tenha tempo para aquilo que é mais importante; que feche a própria existência em si mesmo?». E responde: «Na realidade, nunca fizeram a experiência de Deus; nunca experimentaram quão delicioso é ser “tocados” por Deus!». Como podemos ser “tocados” por Deus? Só mediante a humanidade mudada de testemunhas, não porque melhores, mas porque tomados, agarrados por um Fato que move toda a sua vida, como aconteceu, de improviso, com os pastores: «Vinde ver! Nasceu para vós um menino!».

O Natal é assim uma esperança para todos. Basta olhar e deixar-se “ferir” pela sua beleza, assim como descreve a liturgia da noite de Natal: «No mistério da encarnação de Vosso Filho, nova luz da vossa glória brilhou para nós». Esta admiração ecoa nas palavras de Pasolini: «O olho olha... é o único que pode perceber a beleza… a beleza se vê porque é viva, e portanto real. Digamos melhor, que pode acontecer vê-la. Depende de onde ela se revela. O problema é ter os olhos e não saber ver, não olhar as coisas que acontecem. Olhos cerrados. Olhos que não vêem mais. Que não são mais curiosos. Que não esperam acontecer mais nada. Talvez porque não acreditem que a beleza exista. Mas no deserto de nossos caminhos Ela passa, rompendo o limite finito e enchendo os nossos olhos de desejo infinito». Hoje, como dois mil anos atrás. É este infinito desejo que desde então faz a Igreja gritar: «Vinde, Senhor Jesus!».

Julián Carrón

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Feliz 2007 com Machado!

Esquecendo um pouco a bushlândia e o Islã, aprendamos com Machado a olhar o essencial, que segundo Antoine de Saint-Exupéry, é "invisível aos olhos". Fiquemos com Machado e feliz 2007!

DAI À OBRA DE MARTA UM POUCO DE MARIA

Dai à obra de Marta um pouco de Maria,
Dai um beijo de sol ao descuidado arbusto;
Vereis neste florir o tronco ereto e adusto,
E mais gosto achareis naquela e mais valia.

A doce mãe não perde o seu papel augusto,
Nem o lar conjugal a perfeita harmonia.
Viverão dous aonde um até 'qui vivia,
E o trabalho haverá menos difícil custo.

Urge a vida encarar sem a mole apatia,
Ó mulher! Urge pôr no gracioso busto,
Sob o tépido seio, um coração robusto.

Nem erma escuridão, nem mal-aceso dia.
Basta um jorro de sol ao descuidado arbusto,
Basta à obra de Marta um pouco de Maria.

Machado de Assis

A absurda ligação da esquerda com o Islã

A esquerda realmente me espanta com os seus absurdos, como a histérica defesa do aborto, que é pura e simplesmente assassinato de um ser indefeso em nome daquilo que supostamente seria "o bom, o belo e o que há de melhor": na verdade, a morte.
A pecha de direitista, ultraconservador ou coisas do gênero não freiam minha oposição a este crime horrendo, que na minha concepção vai contra toda exigência de justiça, que pra mim, deveriam ser o apanágio da esquerda. Há alguns dias fui chamado de socialista, revolucionário e até maldito simplesmente por defender a dignidade do trabalhador, de um lado, e de outro por ser contra uma organização ultra-conservadora (esta sim) da Igreja. Portanto, rótulos não me metem medo.
Assim sendo, chegamos ao nosso termo: a absurda ligação entre a esquerda e o Islã. Que ligação pode haver entre uma fina flor da nossa civilização moderna e ocidental, nascida na Revolução Francesa de 1789, que deu origem incontestavelmente- apesar dos protestos da direita, e de várias burrices históricas da esquerda- a avanços espetaculares no mundo ocidental, e aquilo que de mais atrasado existe no mundo, que é o fascismo islâmico, entre a vanguarda e as ditaduras mais sanguinolentas, onde não há separação entre religião e Estado, nem respeito aos direitos humanos, nem às mulheres, e nem liberdade econômica, religiosa ou política (salvo raríssimas e honrosas exceções, como o Irã)?
O fato é que o Ocidente se odeia; se odeia porque esqueceu de si mesmo. A vanguarda quer avançar sem olhar a tradição, com medo do tradicionalismo. E aí, passa a querer destruir tudo. De fato, os últimos séculos e especialmente as últimas décadas foram um período de especial destruição do patrimônio histórico-cultural da civilização greco-judaico-cristã, que aqui chamo de moderna ou ocidental, até chegarmos à tecnocracia non sense na qual estamos imiscuídos, no absurdo, como retratam filósofos como Sartre e escritores como Camus. Chegando ao niilismo total, e sem ter o que destruir, sem causas efetivas para defender desde a implosão da URSS, a esquerda abraça o fascismo islâmico, em nome de ser contra "a direita", num absurdo monumental, como nunca se viu. Só reconhecendo, aderindo e amando a própria origem é que a vanguarda de esquerda, de forma lógica e coerente vai poder construir um mundo mais justo e menos desigual, porque as sementes deste mundo estão no Ocidente e a esquerda nasceu nele e dele. Não é voltando ao mundo antigo, defendendo posições nazistas e eugênicas como o aborto ou abraçando absurdamente o fascismo islâmico que a esquerda vai encontrar o seu caminho.

Saddam, a bushlândia e o fascismo islâmico

Eu realmente estou começando a perder a paciência com a bushlândia! Depois de adicionar mais um "mártir" aos já inumeráveis da jihad islâmica, os falcões da era Bush matam Saddam num espetáculo grotesco e grosseiro. As imagens da execução de Saddam Hussein foram das coisas mais deploráveis já exibidas nos últimos tempos. Mostra a paulatina, mas clara derrota da civilização moderna face ao fascismo islâmico! A burrice desse pessoal não tem limites!

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

O Natal e a civilização

Não é apenas um menino que nasce na manjedoura em Belém, no Natal. Toda a civilização que hoje se chama de ocidental surge lá naquela gruta, onde Maria deu à luz a Jesus.
A civilização ocidental ou moderna, que por mais que queira, não deixa de ser fortemente cristã, se esboça primeiramente no século VI a.C., onde os filósofos como Sócrates e Platão, sucedido por Aristóteles, buscavam a verdade objetiva, para-além dos mitos, verdade que batizaram de Logos ou Ratio, razão. Todo esse movimento deu origem à filosofia, que significa amor à sabedoria, ou à verdade. Isso propiciaria uma primeira globalização, primeira unidade realizada por Alexandre Magno, realizada pelo grande sincretismo entre o helenismo e o orientalismo, e depois com a cultura romana. Tal sincretismo gerou uma síntese única e um intercâmbio entre povos, culturas, idéias, escolas filosóficas e religiões, num universalismo de causar inveja aos iluminados da Ilustração. Não é à toa que o apóstolo Paulo, culto, chama a este de "a plenitude dos tempos" (cf. Gl 4,4). E de repente, no meio deste gigantesco sincretismo, e de uma forma inesperada, nasce um menino. Um menino como todos os outros, mas que vai revolucionar este mundo pouco tempo depois. De fato, isto é um evento, um acontecimento, um menino que nasce. E o apóstolo João vai dizer que "o Logos se fez carne" (cf. Jo 1,14). Para os cristãos, a fé é exatamente um acontecimento: um menino que nasce. Antes de ser uma doutrina, ou um conjunto de normas e regras morais e ascéticas, o cristianismo é um anúncio deste evento: que o Logos dos filósofos, a Ratio, a Verdade se tornou carne, e nasceu. E conseqüências inauditas e inesperadas advêm deste fato. Surpreendentemente, 50 anos após a morte de Cristo na Cruz, todo o Império Romano estava tomado de comunidades cristãs, que eram violentamente perseguidas. Menos de 300 anos após a morte de Cristo, o cristianismo se tornou aceito e em 391 d.C. foi proclamado como a religião oficial do Império. Em 476 d.C. o Império caiu, e os cristãos ficaram. E mais: como a única instituição de pé. A Igreja salvou a civilização, várias vezes, não apenas contra os bárbaros, mas contra o Islã na batalha de Poitiers (732 d.C.) e na Guerra de Reconquista (732 d.C.- 1492 d.C.), origem da Espanha, Portugal e de certo modo, da América Latina, enquanto cultura e civilização. Mesmo os desenrolares posteriores do Ocidente sempre estiveram em relação com o cristianismo e com a Igreja. Sempre a favor, ou contra. O fato é que a civilização ocidental ou moderna não consegue se desvencilhar daquele menino que nasceu na gruta de Belém, ora aderindo amorosamente ao anúncio do seu evento, ora perseguindo-o violentamente nas pessoas dos seus seguidores. O menino que plasmou e moldou a nossa civilização.

O ano começa sob o signo da morte

Mais um erro da Bushlândia: tornar Saddam Hussein um mártir. O ano de 2006 se foi, e carregou com ele Saddam Hussein, mas 2007 nasce sob o signo da morte, do pseudo-martírio e da continuidade do conflito... os erros do governo americano na guerra contra o Iraque são inúmeros, mas este...