sexta-feira, 30 de março de 2007

2 anos sem João Paulo 2º, o Grande



Nesta segunda se completam 2 anos da morte do papa João Paulo 2º, o Grande, sem dúvida o maior homem dos séculos XX e XXI. Para homenageá-lo, segue abaixo um texto de uma monja budista sobre ele. Talvez dessa forma tenhamos idéia do alcance que foi a vida de João Paulo 2º, o Grande. A fonte é o site http://www.monjacoen.com.br/papa.htm


Papa João Paulo II


O sino toca anunciando a morte do Papa.
A estátua de Pedro com as chaves na mão é a lembrança em pedra da contínua sucessão apostólica.
Fiéis, monjas, monges, padres, freiras, irmãos, irmãs, a família católica reza o terço. O terço que Sua Santidade pedira a todos que rezassem diariamente pela Paz na Terra.
Por essa Paz viajou o mundo todo, reuniu pessoas de todas as etnias e todas as religiões, abraçou culturas diferentes, beijou o solo, visitou aquele que o tentou matar, pediu perdão por todas as omissões dos Papas anteriores, abriu de par em par as portas para o Ecumenismo, a Inter religiosidade. Chorou a dor do mundo. Orou pela justiça e pela Paz. Deixa saudades, deixa um rastro de luz, de trabalho contínuo e conservador das tradições da Igreja.
É preciso orar com fé transformando a nós mesmos na oração pura, na meditação que nos transforma e assim transforma tudo que é.
Houve vigílias por toda a Terra. Lamparinas e velas. Preces, orações, lágrimas e tristeza acompanhando sua partida.
Queriam sua presença, sua vida, sua mente, sua benevolência, sua inteligência, seus conselhos, suas bênçãos. A sua voz já não é mais ouvida. Sua face em dor, fotografada e por nós sentida, invade nossos olhos e leva à reflexão de que sofrer não é pagar pecado, é parte da vida.
Despediu-se pouco a pouco. Como que nos dando tempo de compreender a morte e dar a ela as boas vindas. Pudemos acompanhar sua Via Crucis, seu martírio e o vimos humano, sofrendo sem esconder a dor. Nem poderia.
Queríamos que morresse tranqüilo, sem sofrer, talvez dormindo, talvez sentado em prece e sua alma subindo ao céu num arco-íris deslumbrante?
No sussurro de seus aposentos particulares só os mais íntimos adentraram. Respeitando o momento sagrado da partida. Resoluções médicas e espirituais, políticas internas e internacionais.
O corpo cansado, que suportou tiros, insultos, viagens, transtornos, doenças, tristezas de ver o mundo revolto, de tanto rezar pelos pobres, excluídos, pela dignidade, pela justiça, pela paz e pela vida, foi se desligando dos problemas, das questões deste mundo e todos fomos acompanhando.
Mãos suaves e macias, de abençoar. Sua face rosada, a coluna que ficou arqueada. Nascimento, velhice, doença e morte, sem rancores.
Penetra Santo Papa na suave tranqüilidade merecida do silêncio de Nirvana.
Quando foi visto em sofrimento há poucos dias, houve quem pedisse o milagre de uma recuperação, sem perceber que sempre esteve são. Sempre esteve em santidade, na pureza da verdade. Limitações, com certeza, todos temos nesta Idade.
Na hora da morte que não é hora é átimo de segundo, abrem-se para nós os mundos resultantes de nossas ações, pensamentos, palavras. Que mundo se abriu, Sua Santidade?
Imaginamos a luz, Jesus, o vindo buscar. Imaginamos sua mãe com ramos a o saudar. Imaginamos a escada dourada que leva aos céus cercada de anjos lindos tocando música suave e doce.
O mundo o acompanha, João Paulo II, agradecendo e chorando. Há os que se lamentem, há os que compreendem, há os que em alegria o recebem no merecido repouso.
Missão cumprida.
E a Santa Sé se prepara para conclaves e escolhas, decisões que não se tomam à toa. Grupos e pensamentos, políticas e estratégias. A Igreja continua. E haverá um novo Papa, a sentar em sua cadeira, a usar o seu cajado, a abençoar da janela e a orar no Vaticano. E mais uma vez nos lembramos que nada pertence ao ser. Tudo passa, tudo surge e desaparece. Nessa transitoriedade há também uma reciprocidade, uma interligação. Nada existe por si só. Intersomos. Na vida e na morte. Sem medo de viver, sem medo de morrer. Instante após instante apenas o Inter Ser - a constante transformação.
Que os Budas e Bodhisatvas, Seres Iluminados e Benfazejos de norte a sul, leste a oeste, sudeste a sudoeste, nordeste a noroeste, de cima e de baixo, do presente, do passado e do futuro o acompanhem nesta jornada para o Grande Nirvana, a Grande Paz.
Que Suas bênçãos sagradas recaiam sobre todos nós e que a Terra se cure para que possamos viver respeitosamente irmanados, compartilhando e cuidando ternamente de cada pequena forma de vida e de todas as diversas maneiras de ser e de pensar, que formam a Vida.
“Na Casa de Buda, vida e morte são os móveis.”
Além da vida e da morte, repousa Santo Papa. Repousa. Com nossa gratidão, respeito e saudades.
Que a Sabedoria Suprema ilumine as mentes dos Cardeais reunidos a portas fechadas para a decisão que beneficiará todos os seres. Mãos em prece.
Monja Coen

quarta-feira, 7 de março de 2007

Lula e FHC: iguais demais

A seguinte postagem foi tirada do blog http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult1470u21.shtml

Lula e FHC: iguais demais

2,6%. Essa foi a média de crescimento do PIB brasileiro no primeiro mandato do presidente Lula. Igual à do primeiro de FHC. E não muito diferente dos 2,3%, em média, de FHC 2.São dois governos distintos, com problemas e agendas diferentes. Mas ambos foram fundamentalmente iguais no principal vetor que hoje emperra o crescimento brasileiro: o inchaço do Estado e o aumento de seu peso sobre o setor produtivo e os trabalhadores --via carga tributária.Nisso, FHC e Lula são irmãos siameses, apesar de toda a ladainha dos tucanos de que os petistas são "estatizantes" e atrasados, diferentes deles. Lula de fato é distinto em vários outros aspectos, mas não difere do que foi FHC no fundamental: quando se trata de tirar o peso do Estado de cima da gente.Sob Lula, muitas das iniciativas de modernização do Estado promovidas por FHC foram abandonadas. A ênfase que o PT dá às agências reguladoras (Aneel, Anatel etc.) e às concessões (de rodovias, por exemplo), fundamentais para atrair investimentos privados, é próxima de zero.FHC, por sua vez, foi muito mais tímido que Lula na chamada agenda social. O tucano também foi menos responsável, do ponto de vista fiscal, que Lula. Só economizou nos superávits primários (para tentar reduzir a dívida pública) a partir de 1999, quando o FMI exigiu ao emprestar dinheiro ao Brasil.Mesmo assim, o superávit do governo central promovido por FHC foi de 2% do PIB, em média, no segundo mandato (0,3% no primeiro). O de Lula alcançou 2,7%.O ponto central, no entanto, é que, apesar de orientações diferentes, ambos governaram jogando o ônus de suas políticas para a sociedade, arrochando empresas e pessoas físicas com mais e novos impostos, contribuições e taxas.

Gráfico mostra a evolução da carga tributária durante os governos Lula e FHC












No início do primeiro mandato de FHC, a carga tributária total era equivalente a 28,9% do PIB. Ele entregou o país a Lula com 35,8%. O aumento foi de 6,9 pontos percentuais. Lula seguiu aumentando a arrecadação e os impostos, até bater nos 38,8% anunciados na semana passada. Em seu governo, o aumento foi de 3,3 pontos. Ou seja, manteve praticamente o mesmo ritmo de FHC.O resumo é que o país não cresce, e a carga tributária não pára de subir, alimentando um Estado gigantesco e perdulário que não usa o dinheiro que arrecada para cumprir seu papel fundamental: proporcionar educação, saúde e segurança adequadas e um ambiente econômico que favoreça o desenvolvimento.Não existe nada, absolutamente nada, que indique uma mudança nessa situação.