quinta-feira, 27 de março de 2008

O retrato da perversidade

Hoje vi o mais frio retrato da perversidade. Insisto no friso à palavra perversidade, não maldade pura e simples, mas uma perversão. Hoje volto da Piedade para o Vale do Canela, e no Campo Grande encontro uma pífia caminhada "em defesa da água" organizada pela CUT no "dia do teatro" impedindo o trânsito de centenas de pessoas! A perversidade é que o mal é orquestrado em nome do "bem". Em nome da "defesa da água", centenas de pessoas são impedidas de chegarem aos seus compromissos sem nenhum pudor, receio, vergonha, culpa ou arrependimento, sendo que talvez alguma ou algumas pessoas estejam indo ao hospital passando mal e no caminho são impedidas de chegarem ao destino por algumas pessoas irresponsáveis, cruéis, perversas e hipócritas, pois, se elas são incapazes de fazer o bem àqueles que estão à sua volta, se fazem o mal em nome do bom, do belo e do que há de melhor, como querem o bem de verdade? É mentira e hipocrisia pura, ou melhor, perversidade, pura e simples!

sábado, 8 de março de 2008

As verdadeiras trevas

Ontem, assisti um filme excelente, fantástico, fenomenal! Em português traduziram como "A Era da Inocência", porém em francês se chama "L'Âge de Ténèbres" (A Idade das Trevas). O filme canadense de 2006 não é nada mais nada menos que a sequência do estupendo As Invasões Bárbaras, porém este filme consegue a proeza de ser ainda melhor que o segundo da trilogia iniciada com O Declínio do Império Americano. Se o segundo filme mostra a passagem da nossa era para a barbárie, o último filme mostra a barbárie em ato, num misto de genialidade e completude sem igual no cinema contemporâneo; é uma análise perfeita (sem deixar de ser sarcástico-irônico-cômica) da nossa pós-modernidade neo-bárbara. L´Âge de Ténèbres mostra que saímos definitivamente da civilização moderna, e não sabemos bem no que entramos. O que marca a neo-barbárie? No meu entender, não mais saques e mera destruição física como no passado. A neo-barbárie pós-moderna é marcada pela destruição do humano: a impossibilidade total de qualquer relacionamento verdadeiro. Isso é evidenciado de diversas maneiras: desde a família que não convive, passando pelo sufocante ambiente de trabalho estatal, aos encontros na agência "amorosa" e pelas mulheres que o personagem inventa na falta de companhia e na sua mãe que sofre de Alzheimer e está internada num asilo. O filme tem muito mais a mostrar e a dizer, mas posso garantir: é um retrato extremamente fidedigno da nossa era pós-moderna de destruição do humano. Há pouco tempo, vi um vídeo do You Tube no qual um ex-espião da KGB dizia que a principal diferença entre o seu país e os EUA era que enquanto nos EUA a pessoa valia alguma coisa, era levada em consideração, na URSS não valia nada, era como que um inseto. Na mensagem para o Dia Mundial da Paz (1º/1) de 1985, o Papa João Paulo II disse que quando Deus é morto (como afirmou Nietzsche), o homem morre logo em seguida (não é à toa que filósofos como Michel Foucault e Gilles Deleuze falam na "dissolução do sujeito"), e não é por menos que a temática cristã re-aparece no filme, como nas Invasões Bárbaras: a barbárie é marcada por igrejas vazias e por um desejo nostálgico de "ordem e fé", como é expressado, para re-construir o humano. É impressionante constatar na prática o que disse um grande amigo meu, falecido no ano passado, Bruno Tolentino: "Não há alternativa cultural ao cristianismo", a não ser a barbárie. A verdadeira mensagem do filme é que vivemos as verdadeiras trevas agora, no início do século XXI, era de solidão, vazio, absurdo e desespero. E aponta claramente um caminho: Jerusalém! (que significa Cristo, para quem quiser entender, representado hoje por uma pessoa viva: o atual papa Bento XVI). É a alternativa concreta para a loucura á qual nos empurram cada vez mais, dia a dia! É a possibilidade concreta de viver a vida com amor e esperança, de forma cem vezes mais humana do que o que nos é oferecido hoje por aqueles que detém o poder.