quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Olha a Estrela, invoca Maria!


Ícone de Maria, Stella Maris (Estrela do Mar)


Exortação a invocar Maria, a Estrela do mar (*)


(São Bernardo 1090-1153)

"'E o nome da Virgem era Maria' (Lc. 1,27). Falemos um pouco deste nome que significa, segundo se diz, Estrela do mar, e que convém maravilhosamente à Virgem Mãe. … Ela é verdadeiramente esta esplêndida estrela que devia se levantar sobre a imensidade do mar, toda brilhante por seus méritos, radiante por seus exemplos.

Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta estrela.

Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria.

Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.

Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação de tua alma, levanta os olhos para Maria.

Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do Juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despenhar no abismo do desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dEla, não negligencies os exemplos de sua vida.

Seguindo-A, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nEla, evitarás todo erro. Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nadas terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás, se Ela te é favorável, alcançarás o fim.

E assim verificarás, por tua própria experiência, com quanta razão foi dito: 'E o nome da Virgem era Maria'".

†São Bernardo

(*) Louvores da Virgem Maria, Super missus, 2ª homília, 17 - apud Pierre Aubron SJ, L’oeuvre mariale de Saint Bernard, Editions du Cerf, Paris, Les Cahiers de la Vierge, nº 13-14, março de 1936, pp. 68-69

domingo, 8 de novembro de 2009

Diante da imponência dos fatos

Os últimos dias têm sido extremamente impressionantes para mim porque o Mistério, ou melhor dizendo, Cristo, tem se mostrado tão evidente, que a fé tem se tornado de fato o que ela é: não uma sugestão, nem uma vontade, mas um reconhecimento, o reconhecimento de um Outro que faz tudo, que está no meio de nós, a nosso favor, e mais ainda, tendo piedade do nosso mal, da nossa traição, da nossa mesquinhez, nos escolheu!
O que tem me deixado mais fascinado por Cristo nos últimos dias é isto: que nada pode detê-lO, nenhum mal meu ou de quem quer que seja pode deter a Sua iniciativa a meu favor. Um grande amigo meu, o poeta Bruno Tolentino (1940-2007) me disse uma vez que, quando Deus pega alguém pelo cabelo, Ele não solta jamais. Porque pra mim, esses últimos dias têm sido isto: estar sendo pego "de jeito" pelo Mistério. Minha vida tem se transformado num redemoinho, talvez pela minha teimosia, e pela minha desobediência, ou, melhor, pelo Seu amor, pela Sua misericórdia infinita, Ele tem me pego pela mão, me posto num vórtice, num redemoinho e me diz: "Coragem! Sou Eu! Não tenha medo!"
Ele me mostra isto pelos encontros que eu fiz em Belo Horizonte, pela acolhida de Camila e de seus pais que acolheram a mim e a mais cinco amigos. Também agradeço a estes amigos a amizade e peço que o Senhor faça dela um bem para toda a Igreja e toda a humanidade. Sou nada, sou pó e sou mesquinho, mas o desejo do meu coração é infinito. Se esta amizade não for para toda a humanidade, para que serve? É burguesismo puro!...
Também me provocou muito o casamento de Marcelo e Ariane, ali se vê o que se quer dizer quando se compara o matrimônio com a união de Cristo e da Igreja... a amizade com todos, a felicidade estampada, juntamente com as presenças de Dom João Carlos e do padre Nascélio, somada à carta enviada por Bento XVI nos evidenciam a excepcionalidade deste acontecimento.
Para completar o quadro, ontem aconteceu a Coleta Nacional de Alimentos, pontuada por toda a sorte de graças e milagres, sendo que para mim o maior é a proximidade e a amizade com grandes amigos de Aracaju.
Contemplando todo este espetáculo, eu só me perguntava: "quem sou eu, Senhor, para que Tu me ames tanto? Quem sou eu, Senhor, para que Tu te estreites tanto a mim? Quem sou eu, Senhor, para que Tu me ames com tanta ternura?"
Diante da imponência destes fatos, só posso dizer como os apóstolos, quando estavam na barca diante da praia, diante do Senhor, que com tanta ternura, preparava peixe assado para os seus amigos: "É o Senhor!"
Diante de tanto amor, só se ergue um grito no meu coração: "Maranatha! Vem, Senhor!"