domingo, 21 de novembro de 2010

O Papa e a camisinha

Acordo hoje e leio as matérias "O Papa liberou a camisinha!" A Folha silencia a notícia quase como uma "revolução interna na Igreja Católica". Eu li um comentário bem assim: "algo estranho está acontecendo nas entranhas da Igreja Católica: o Papa aceita a camisinha, admite que pode errar..." Para além de toda esta polêmica que estão construindo por aí, o ponto é que não somos um partido político com uma trincheira ideológica. A melhor forma de defender a vida não é se alistar nos comitês pró-vida de extrema-direita, é viver uma febre de vida a tal ponto que provoque nos outros a percepção de que a vida vale a pena, não porque seja bela (porque isto pode parecer somente poesia), mas porque já não estamos mais sozinhos: temos um amigo conosco. Não desejamos tanto que a vida em si mesma seja bela, mas desejamos que Alguuém caminhe conosco: foi isto que o Verbo fez, tornando-se carne, e anunciar isto é a missão do Papa, a suprema missão da História: tornar Jesus Cristo conhecido.

A mesma coisa pode ser concebida em relação à castidade. A maior apologia à castidade, à vivência humana da sexualidade é vivê-la em si mesmo, mostrando que ela é um caminho de realização humana, que nos humaniza e torna mais felizes e satisfeitos, não sair por aí condenando a camisinha ou o que quer que seja, porque, como afirma São Paulo "quem vive mal a própria sexualidade, recebe o pagamento no próprio corpo", seja pelas doenças físicas, as DSTs e a AIDS, como as doenças de ordem psíquicas, que atingem aqueles que não se rendem ao coração. A melhor apologia da castidade é vivê-la e ser feliz, porque todos podem discursar o quanto quiserem, mas contra fatos não há argumentos. A glória de Deus é o homem vivo, como diz Santo Irineu.

sábado, 13 de novembro de 2010

Espanha, a trincheira da batalha decisiva





















Basílica da Sagrada Família, Barcelona - Espanha

Um dos capítulos da História Mundial que mais me comoveram foi a Guerra da Reconquista, travada ininterruptamente, de Poitiers (atual França), em 732, até Granada (atual Espanha), em 1492. Sempre me provocou a Reconquista por uma série de fatores. A Reconquista barrou a destruição da civilização cristã durante 800 anos, e ao mesmo tempo foram se formando as nações que deram origem aos primeiros Estados Nacionais: Portugal e Espanha. A atual ordem mundial tem sua origem primordial na Reconquista.

O momento que eu me comovi mais foi quando eu me dei conta de que a minha existência hoje, ela se deve à Reconquista. Pois, sem a Reconquista não existiria nem Portugal, nem Brasil, nem eu mesmo. Como disse Bruno Tolentino: "a realidade é inexoravelmente positiva, eu existo graças a tudo o que aconteceu no passado". Isso é impressionante, porque muita gente ideologicamente é contra a Reconquista, mas não se dá conta que a sua simples existência se deve ao fato de que um dia houve essa longa luta pela verdade e pela liberdade, por Jesus Cristo e pela Sua Igreja.

A batalha pela verdade e pela liberdade se trava hoje na Espanha. A Espanha é onde se decidirá o futuro da nossa civilização. Como Dom Giussani já disse: "a nossa esperança está na Espanha". Não é à toa que Bento XVI já visitou o país duas vezes e voltará uma terceira vez em agosto do próximo ano. Criando a Congregação para a Nova Evangelização, Bento XVI pôs a Espanha no centro da batalha pela reevangelização do Velho Continente. Quando eu vejo a agora Basílica da Sagrada Família, vejo que o Papa tem razão. A Basílica é um grito de Gaudí aos céus: "Vem, Senhor!" A Espanha é a trincheira da batalha decisiva, pela verdade e pela vida.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Agora, e na hora da nossa morte

Acabei de rezar uma Ave Maria pedindo pelo vice-presidente José Alencar, que teve um infarto ontem. Sempre me impressionou a riqueza educativa da "Ave Maria", o seu conteúdo educativo, a sua riqueza singela. Para quem quase morreu na infância (por isso a morte sempre me provocou muito), ouvir da boca da minha mãe a Ave Maria, "rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte..." sempre me provocou isso, "na hora da nossa morte"... que vertigem isso introduz na vida, como nos tira da banalidade, como nos salva da medicoridade, do mesmismo, e nos coloca na posição justa... "agora e na hora da nossa morte..." o instante e o destino, o efêmero e o eterno, tudo se joga nessa oração singela: "agora e na hora da nossa morte...!" Meu Deus, que coisa! Agradeço a José Alencar por me possibilitar viver a vida como homem, pois homem que é homem não foge às batalhas! A Ave Maria é o início da salvação do mundo, como diz S. Luís de Montfort, foi o início do meu olhar para a realidade com esta vertigem dentro.

sábado, 30 de outubro de 2010

A pós-modernidade e a esperança

























Ícaro, Matisse


Eu cansei de criticar a pós-modernidade! Fato é que a pós-modernidade é uma era de destruição, pois pós-modernidade é como o tempo das invasões bárbaras, porém, o que é destruído nesta nossa época pós-moderna (pós-moderna significa pós-iluminista, pós-ideológica, pós-socialista, pós-utopia, pós-liberal, é uma época de sonhos destruídos) é o próprio "eu humano" marcado pela derrota da esperança: a depressão! As marcas da pós-modernidade são o fim das ilusões. Por que o homem pós-moderno é um deprimido? Porque é um homem sem ilusões, mas também sem esperança, pois suas esperanças vãs foram derrotadas pela realidade. Os modernos ainda tinham pelo menos a ilusão das utopias, aos pós-modernos foi-lhes revelada a dolorida realidade da verdade. Kant e Marx tinham, pelo menos, ânimo para militar (Kant na sua obra monumental, um hino à razão, embora já reduzida à medida de todas as coisas, Marx na sua tentativa de criar um mundo novo à sua imagem e semelhança), mas Nietzsche, primeiro homem pós-moderno, mal tinha ânimo para levantar da cama, vivia uma paixão nunca declarada (por medo), era viciado em haxixe, e em 1889 teve um colapso nervoso, do qual nunca se recuperou, morrendo onze anos depois, em 1900, adorando uma mula, e assinando suas cartas com a alcunha "O Crucificado", que, para ele, seria o seu verdadeiro inimigo. Nietzsche antecipou o relativismo pós-moderno, no qual, como dizia Malraux "não há ideal ao qual possamos nos sacrificar, porque, de todos, nós conhecemos a mentira, nós que não sabemos o que é a verdade". Este é o homem pós-moderno. A modernidade lhe tirou a "verdade" com "V" maiúsculo e procurou construir uma "verdade que coubesse na medida humana". A modernidade quis tirar do homem a vertigem (por isso, a ambição máxima dos modernos é o controle, a racionalização extrema, a burocracia). A pós-modernidade veio mostrar a ilusão de tudo isso. Por isso, Nietzsche gostava de chamar os modernos "ridículos" e taxar a modernidade como "auto-ilusão". Passada a fase da "ilusão moderna", que começava a desvencilhar no início do século XX, os homens começariam a dançar sobre o vazio, sobre o nada. E começava o "mal-estar na civilização", como começou a alertar Freud, porque o homem tem um horror insitintivo ao nada. Voltava a "vertigem", como mostrou Hitchcock em 1958. A vertigem voltava, mas agora, diante do nada, e não diante do infinito. Surge a marca da esperança derrotada, que é a depressão. Porque a pós-modernidade é uma época de derrota: a derrota das ilusões modernas, como já dizia Jean-François Lyotard no seu livro já clássico O pós-moderno, de 1979: "A pós-modernidade é caracterizada pelo fim [ou seja, pela desilusão] da metanarrativas", caracterizando a sociedade pós-moderna como a surgida pós-1950: sociedade industrial, rica, culta, saciada e desenvolvida, paradoxalmente, desigual, dividida, insegura, e acima de tudo, sem sentido, solitária, niilista e deprimida: esta é a pós-modernidade, época da derrota da esperança!

























O grito, Munch

Mas de que esperança estamos falando? Apesar de tudo isso, a pós-modernidade é um tempo de oportunidades, depende do olho de quem vê: quem está dominado pelo mal vê somente o mal, em quem domina o bem consegue enxergar a positividade. Isto é verdade porque, se de um lado, foi derrotada a esperança moderna, a esperança do homem conseguir realizar a si mesmo, conseguir fazer a si mesmo feliz, ao mesmo tempo vem emergindo com força total total e este é o verdadeiro significado da irrupção do pânico, da depressão e da ansiedade (da qual eu mesmo fui vítima este ano, todos estamos vulneráveis): o vir á tona da grandeza do nosso coração, que deseja de verdade o infinito, e não um "finito grandão", como lhe prometia a modernidade. O quadro O Grito, de Munch, é uma ajuda muito grande a entender a positividade, a beleza e a verdadeira esperança que está dentro da pós-modernidade, como uma plantinha pequena que cresce nos escombros daquelas estruturas de concreto abandonadas (que são, pra mim, o sinal mais característico da nossa modernidade decrépita e mentirosa, enganadora). Às vezes eu me pego "gostando" da revolta pós-moderna, porque é o grito do coração contra essa falsidade que nos é imposta, como mostra o quadro. O quadro é mais ou menos assim: uma pessoa caminha numa ponte, só [impressionante a solidão, outra marca dos tempos pós-modernos: a fluidificação, a evaporação dos relacionamentos, dos afetos, da amizade e do amor], ao longe, duas pessoas caminham ao fundo, sem lhe dar atenção, sem prestar atenção à angústia que se passa dentro do seu coração, a realidade parece fluidificar-se (esta realidade que a modernidade insiste em fazer "sólida"), a pessoa põe as mãos na cabeça, em sinal de ansiedade, e grita. Grita! Grita, a quem? Se não há nada nem ninguém que possa nos ouvir, como nos dizem os modernos mais entendidos, por que existe o grito? Por que choramos na "noite escura" se não há ninguém a nos ver chorar? Se não há quem nos escute, por que existe a voz?

O maior sinal de grandeza do coração humano é o fato da nossa época ser marcada justamente pela depressão, por este sinal tão característico e evidente de uma esperança que foi derrotada. Mas isto é uma prova de que o coração resiste, e grita! Clama! Implora! Esta é a essência mais autêntica da oração verdadeira e profunda! Este grito é o verdadeiro baluarte contra o niilismo, o baluarte contra o nada, contra a mentira. Uns fazem como a Lady Gaga, que sai pelo mundo "jogando leite na cara dos caretas", jogando leite na cara dos modernos, que criaram o "monstro" que agora pode simplesmente os destruir, mostrando a falsidade e o ridiculo da sua criação. Outros, gritam. Muitas vezes, o grito é silencioso. Se manifesta como ansiedade, como pânico, como depressão. Tudo isto é sinal da grandeza do coração humano, que tem horror ao nada, à vacuidade, ao non sense, à banalidade, que deseja, ou melhor, exige a justiça, exige a beleza, exige a felicidade. A pós-modernidade é uma faca de dois gumes: ela é também uma era de oportunidades incalculáveis e imprevisíveis! Se a pós-modernidade é um rompimento com as ilusões modernas, ela é também uma ansiosa espera do Fato, ou da verdade, do acontecimento, que, como diria Foucault, em A Microfísica do Poder, é "a corporificação do imaterial!" Cada dia eu me dou conta que, por trás de todas as "artimanhas do homem pós-moderno" existe um profundo desejo de autenticidade, o desejo de ser si-mesmo, o desejo da realidade, de que emerja a verdade de si. A pós-modernidade é como as plantas semeadas pelo ar que crescem em meio às ruínas de uma construção abandonada. Essa construção abandonada é a modernidade, com os seus ideais falidos, a pós-modernidade é a vida, que insiste em vingar e crescer de forma vigorosa e anárquica, apesar de todos os planos modernos de organizá-la e estruturá-la.

O grito do coração tem uma resposta: um homem há dois mil anos (Jesus Cristo), disse encarnar em si mesmo o próprio divino, o que significa que Ele nos diz: "o seu grito foi ouvido, Eu escutei (por acaso, a origem dos ouvidos não escutaria?) e vim aqui para responder, para dizer que não estão fadados ao nada, mas têm um ponto de chegada: Eu mesmo". Como já falou Santo Agostinho nas suas Confissões (tido como o "primeiro pós-moderno"): "Criastes-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração não descansa enquanto em Ti não repousar!" Como temos uma grande testemunha nos nossos tempos: o Papa Bento XVI, a pós-modernidade, mais do que um tempo de esperança derrotada, pode ser um tempo de renascimento da esperança (O mesmo Papa, em 2007, lançou um "manifesto da esperança", a encíclica Spe salvi, onde diz claramente: "é na esperança que somos salvos"), mas não da esperança reduzida, mas da esperança que se coloca diante do Mistério, diante da Vertigem. Não há uma terceira alternativa: ou Jesus Cristo foi um louco, ou é Deus, e como um amigo meu, médico, me disse que os loucos, não são felizes, é melhor fazer como Blaise Pascal já falava: apostar! Esta época é uma época de esperança mesmo, porque os homens, despidos de todas as ilusões que a modernidade lhes impingia estão todos ali com o coração ferido, com a Lady Gaga a comandar o barco: nós só precisamos encontrá-los! Porque o mundo deseja ardentemente a felicidade! E é este desejo que pode ser o ponto de encontro, de diálogo e de reconstrução! Para além de toda a ideologia, o nosso coração é o baluarte contra o niilismo e a possibilidade da reconstrução do humano, da reconstrução do "eu", do retorno da esperança, porque sem esperança não se vive! O coração do homem é espera, a vida é esperança, e eu vivo somente pelo fato de esperar, de ser dominado pela esperança!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Aumentando a produtividade frente às Mídias Sociais





















Logomarca do Facebook


Como trabalhar com a internet e, ainda assim, não se perder nas distrações?

por Rita Palladino/ Press & Mídia

Não há como escapar. As mídias sociais existem e estão sendo utilizadas não apenas para a comunicação entre amigos, mas também para passar informações, anunciar, se comunicar em grau máximo.

Pessoas que trabalham com mídias sociais estão expostas a uma verdadeira enxurrada de informações. São scraps, tweets, atualizações no Facebook, e-mails, blogs, conversas online etc. Em meio a tudo isso, a produtividade muitas vezes pode ser afetada, afinal de contas, a Internet é um mundo onde é praticamente impossível evitar distrações.

“A questão é que se não houver uma boa gestão de tempo e uma organização de prioridades, o risco de defasagem do potencial de cada um entra em uma tendência crescente. No caso daqueles que possuem grandes idéias e metas arrojadas, o problema pode ser maior, uma vez que, se usarmos o nosso dia apenas reagindo à entrada de informação, deixamos de ser proativos e teremos problemas nos resultados de nossos projetos”, diz Danilo Moraes, especialista em TI.

Danilo dá quatro sugestões para não se deixar vencer pelo que ele denomina “ataque da informação”.

1.Determine um período de absorção

“Quando a porta para a sobrecarga de informação é aberta, uma pessoa despreparada teria de usar todo o dia só para reagir ao fluxo. Aconselho determinar um período de umas três horas para ler notícias, mais um período de, no máximo, 90 minutos para ler e responder e-mails e a partir daí, absorva a informação e crie”.
2. Organize-se por meio de duas listas

“Quando se trata de organizar as tarefas do dia e gerenciar em quais haverá mais ou menos gasto de energia, é de essencial importância criar duas listas: uma para as urgências e outra para as atividades de longo prazo. A partir de então, a pessoa pode determinar períodos específicos para tratar de cada uma das atividades, sendo que a lista de objetivos de longo prazo não pode competir com a de urgências”.

3. Não tente resolver tudo sozinho

“Mesmo quando se delega responsabilidades a alguém, há pessoas que se preocupam com itens referentes a esta responsabilidade. Quando as pessoas se preocupam demais com um projeto, significa que elas preferem fazer tudo sozinhas. Para algumas pessoas, é realmente muito difícil delegar funções a terceiros, uma vez que há sempre o receio de que o resultado final não saia como o esperado. No entanto, é preciso desafiar-se com relação a esta questão, ou então, o seu potencial produtivo pode ir embora do mesmo modo que as horas se vão”.
4. Reduza o seu nível de insegurança

“Em tempos de Twitter e Google Analytics, muitos gastam tempo obcecados por estatísticas e dados em tempo real pelo simples fato de estes estarem ao alcance das mãos. Independente de se tratar da verificação do tráfego do seu site ou de checar a conta bancária, tais ações repetitivas não ajudam a fazer as idéias acontecerem, uma vez que só servem para nos deixar mais seguros. Filtre essas ações repetitivas se discipline. Utilize uns 30 minutos por dia para realizar todo este trabalho”.

Danilo conclui afirmando que “é preciso disciplina e uma dose de confiança para manter uma boa linha de produtividade. É fácil sentar frente ao computador e reagir a todo fluxo trabalho reacionário. Desta forma nunca irá faltar trabalho, no entanto, as idéias criativas irão sofrer um grande prejuízo”.

Fonte: <http://www.vocecommaistempo.com.br/Interrupcoes/Aumentando-a-produtividade-frente-as-Midias-Sociais_334.html>. IN: <http://vocesa.abril.com.br/>

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A derrota de Dilma e a vitória da vida




















Uma das notícias mais surpreendentes e espetaculares que tivemos nos últimos dias foi a passagem de Dilma Rousseff para o segundo turno, numa campanha que já era tida como vencida por Lula, o PT e os seus asseclas. Isso pode ser atribuído, em parte, graças ao Erenicegate e a subida da candidatura de Marina Silva. Mas a derrota de Dilma Rousseff pode ser ainda atribuída, na realidade, a uma outra coisa: a organização dos cristãos em nível nacional, católicos e evangélicos, especialmente, contando também com o apoio dos espíritas, mostrando ao grande público as posições de Dilma Rousseff e do PT em relação a algumas questões, como o aborto, por exemplo.

Eu fico muito contente porque esta derrota de Dilma Rousseff é uma vitória da vida, e uma vitória da fé! Pela primeira vez, o tema do aborto vem à tona no nosso país, e o PT pela primeira vez tem de, ou revelar publicamente sua posição sobre este tema, ou mentir acerca de suas posições históricas. O PT está claramente alinhado com o programa da "new left", ou "a pequena burguesia radical", da qual Marta Suplicy é o maior ícone no Brasil. O PT tem inúmeras "tendências" internas, mas evidentemente vence a "tendência" da pequeno-burguesia radical. Que tendência é essa? Significa que o PT no poder tende a realizar uma boa administração do nosso país, e manter a economia nos trilhos da economia global, ou seja, no campo econômico, realizar uma "gestão conservadora", ao mesmo tempo que mexe no "campo dos costumes", o "campo moral". Essa agenda inclui temas como a descriminalização do aborto, a legalização do casamento homossexual, a permissão da eutanásia e do suicídio assistido, e toda uma série de mudanças de ordem cultural que atingem em cerne a vida e a família, que são, quase que obviamente, a nascente da sociedade.

O Papa João Paulo II condenou essa visão taxando-a de "cultura da morte" na encíclica Evagelium Vitae, de 1995. Já o Papa Bento XVI chama a esta cultura de "ditadura do relativismo", na qual a razão como critério é jogada no lixo e os desejos são erigidos à categoria de critério para fazer o que quer que seja. Ora, uma cultura como esta só pode ser violenta. Ontem, no Facebook, eu fui chamado de "louco" por uma pessoa que não queria debater comigo. É muito fácil desqualificar o adversário quando não se tem argumentos para derrubá-lo. A cultura do relativismo é necessariamente uma cultura da violência. É a cultura da força, como já antecipava Nietzche, há mais de cem anos. Como não existe uma verdade objetiva, tento impor a "minha verdade" (esta expressão é uma contradição em termos, porque a ninguém cabe "possuir" a verdade) pela força, e nisso vale tudo. Uma pessoa pode chamar o outro de "louco" no Facebook, mas outro mais forte pode impor "tratamentos forçados" (como se fazia na União Soviética - qualquer um que "desviasse" dos programas do partido era internado numa clínica psiquiátrica), ou pode até mandá-lo para campos de concentração, para os gulags da União Soviética, ou para os "gulags" da pós-modernidade: o isolamento, a solidão, o escárnio e o desprezo. Quantos são vitimados pela depressão ou pelo pânico nesta cultura relativista de morte e de afirmação egoica dos próprios desejos até a loucura!

A única realidade que pode criar paz e permitir a vida é a verdade. É a verdade que gera a comunhão, que gera o amor, que gera a vida! É um absurdo falar em relativismo para permitir "a liberdade", porque fora da verdade não existe liberdade real, só uma terrível escravidão com imagens de liberdade. Por isso que é tremendo o que a Lady Gaga faz sem saber, talvez: porque ela se apresenta, com uma suposta "liberdade" como escrava de todo este sistema que está aí, que entra até nas nossas formas de pensar, viver e se relacionar.

Votar em Dilma Rousseff é dizer "sim" a todo este projeto de subversão moral e destruição do homem, como já argumentou C.S. Lewis no livro "A Abolição do Homem", publicado em 1960. Fico contente porque esta derrota de Dilma é um "não" da população brasileira àquela que, uma vez no poder, acha "um absurdo" (como mostrou a Veja), "não legalizar o aborto". Mesmo que ela venha a ganhar no 2º turno, estará bastante enfraquecida, e este tema do aborto, com a posição da maioria dos brasileiros, entrará na agenda política nacional com uma força como nunca houve antes na história deste país.

Eu digo "não" a Dilma Rousseff em nome da minha felicidade, em primeiro lugar, porque onde esta mentalidade dominante triunfa, a infelicidade vem a galope. Um exemplo disso são os países da Escandinávia, nos quais existe um extraordinário padrão de bem-estar material, convivendo ao lado de uma ausência de sentido para a vida (niilismo), que leva muitos ao suicídio. O poder, abolindo todo e qualquer sentido para a vida, transforma-a, de um lado, numa grande dança sobre o vazio, como Nietzsche já advertia há mais de cem anos, e de outro, abre espaço para a infelicidade, para o pânico e para a depressão. Porque o poder afirma que as grandes perguntas que constituem o coração humano, como o desejo de felicidade, o desejo de justiça, o desejo de liberdade, simplesmente não têm respostas. E pior ainda: tenta de tudo para impedir o máximo possível que aqueles que encontram a resposta para o seu drama humano testemunhem que existe uma forma de viver que corresponde aos anseios mais profundos do coração humano, impedem o testemunho de que é possível amar de verdade uma pessoa, se sacrificar, trabalhar para construir alguma coisa e deixar para o mundo, viver amizades com verdade e não somente por conveniência. O poder impede este tipo de testemunho e luta ferozmente contra esta realidade porque esta realidade lhe é a maior inimiga. Que alguém testemunhe dia a dia, semana a semana, ininterruptamente que é possível viver à altura dos desejos do próprio coração, sem cair no niilismo ou no cinismo é a maior objeção que pode ser feita a este poder que quer nos destruir, que nos quer vulneráveis, solitários, deprimidos e em pânico. É a maior subversão possível hoje. Digo "não" a Dilma porque eu quero ser feliz. Porque a vida, ao contrário do que diz o poder, é boa, e vale a pena ser vivida com verdade, porque esconde dentro de si mesma e apesar de toda a dor, não um grande vazio, mas um grande tesouro: a felicidade. E o nosso coração, os nossos desejos mais profundos e autênticos, são como que a bússola para encontrá-la!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Diante do avanço da cultura da morte...




















Gil Vicente. "Auto-retrato matando Bento XVI". Carvão sobre papel. 2005.


Acabei de ler com tristeza que a Justiça da Virgínia executa hoje a americana Teresa Lewis, de 41 anos. Me comovi até as lágrimas pensando nesta mulher pelo fato de que ela sofre "retardo mental", e provavelmente foi condenada como inocente, apesar do fato que participou efetivamente da morte do marido. A Justiça da Virgínia não atendeu aos pedidos da União Europeia de comutar a pena para "prisão perpétua", e tanto a Suprema Corte Americana quanto o governador do Estado não quiseram se manifestar, ignorando o caso. O retardo mental, o bom comportamento e a conversão à fé não mudaram a sentença dada a Teresa Lewis, que deve ser executada hoje na Virgínia. Mesmo suas colegas de prisão dizem que ela é uma inspiração por sua fé e música gospel que canta no Centro de Correção para Mulheres Fluvanna. Certamente ainda hoje ela estará com alguém muito especial, no Paraíso.

Outra coisa muito chocante que eu vi hoje no jornal "Metro" produzido pela Band e distribuído gratuitamente por toda a cidade de São Paulo foi que "Michel Jackson terá seu mundo virtual", uma espécie de "Second Life macabra", como tetricamente o Twitter já vem, de forma absolutamente macabra, "ressuscitando" uma série de personalidades já falecidas, dissolvendo por inteiro o "eu", como se a Internet pudesse garantir a "vida eterna". Isso é macabro ao extremo e eu tive um asco como nunca antes diante disso... não é à toa que a Lady Gaga, muito inteligentemente chama a fama de "um monstro", afirmando que na verdade, em dez anos, ela quer ser "uma mulher normal".

O maior sinal, porém, de que estamos presenciando o avanço da cultura da morte é a exposição na Bienal das Artes em São Paulo da coleção do artista pernambucano Gil Vicente, intitulado "Inimigos", no qual o artista detona uma pistola em FHC, degola Lula, mata a rainha Elizabeth II e executa o papa Bento XVI. A Organização dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou-se contra a exposição desta coleção argumentando que ela é uma "incitação à violência". Os responsáveis pela Bienal decidiram manter a exposição "em nome da liberdade de exposição".

Em nome de uma "liberdade de expressão" que na verdade tornou-se uma libertinagem, faz-se apologia não somente do crime, mas da morte, numa cidade como São Paulo, que é uma cidade triste, dominada pela dor e onde cresce cada vez mais uma cultura de morte, isolamento e destruição dos laços sociais (isso fica muito claro quando a gente olha os grafites paulistanos. O humano urra de dor aqui, esta é uma terra de missão!). Quem quiser ter uma prova disso é só ir na Cracolândia ou nas Ruas Augusta e Frei Caneca, onde o humano é destruído pela droga e pela "liberdade sexual".

A única coisa que pode vencer e destruir "por dentro" a cultura da morte é, como afirma Marcos Zerbini, é "uma amizade verdadeira" que não tenha medo da realidade, nem mesmo da realidade da morte, certos da companhia de Alguém que venceu a morte e que hoje acolhe em seus braços Teresa Lewis. Não adianta a Lady Gaga "jogar merda no ventilador" denunciando com a sua própria vida o "monstro" que é a indústria da fama e da arte contemporânea. Como ela mesma disse: "Hoje é necessário quase dar um truque para fazer as pessoas escutarem alguma coisa inteligente [porque] a música é uma mentira. A arte é uma mentira. Você precisa contar uma mentira tão maravilhosa que os seus fãs a transformam em verdade”. Não se vence o desmoronamento da mentira com uma outra mentira, por mais inteligente e desesperada que seja. A única coisa que pode salvar-nos da cultura da morte é o olhar amoroso de alguém que nos abrace e nos diga: "eu quero ser teu amigo". É daqui que tudo pode recomeçar. O encontro com uma amizade verdadeira: esta é a nossa única esperança! A presença do Papa do Reino Unido e sua serenidade são provas excepcionais de que esta amizade efetivamente existe. Tudo o que precisamos é de simplicidade de coração para ceder a ela, e começar a lutar para reconstruir o mundo!

sábado, 18 de setembro de 2010

Vir pugnator, homem lutador!




































Cavaleiro medieval

O Senhor é o herói dos combates, seu nome é Iahweh! (Ex 15,3)

Se alguém quiser saber qual é a imagem que eu tenho da vida, esta é somente uma: a vida é uma luta, é uma guerra! Um dos títulos de Jesus Cristo que eu mais gosto é o de "vir pugnator": homem lutador, homem em guerra! Quando eu recebi a santa crisma, Jesus me "alistou no seu exército" (porque "crisma" era o nome do óleo com os quais os soldados romanos que partiam para a batalha eram ungidos). Naquela hora, eu não entendia muita coisa, mas hoje, na medida em que o tempo vai passando, eu me vou me dando conta exatamente de que Cristo é exatamente esse general em guerra contra este poder que quer nos manter sozinhos e vulneráveis, para por fim nos destruir e nos aniquilar.

Se alguém me perguntar: "o que você quer ser, Dimitri?", não teria a mínima dúvida em responder "um guerreiro, um lutador!" A imagem do Mistério que me domina nestes dias é exatamente esta: o Mistério é um grande guerreiro, com uma espada na mão contra as suas hostes inimigas. Mesmo Nossa Senhora, que é a mulher de valor, gosto de vê-la forte, vitoriosa, esmagando a serpente do mal sob o seus pés. Esta é a imagem da vida que me domina.

Ontem, eu fui dar aulas, já o terceiro dia depois que eu voltei a trabalhar. Uma multidão inumerável de jovens lá estava na porta da universidade, em meio a  barulhos ensurdecedores, bares, álccol e maconha, tudo isso ainda às nove da noite. Eu, evidentemente, no meio desta multidão inumerável, fui confundido com um aluno, e recebi, de uma bela jovem, um panfleto sobre uma tal de "festa dos sete pecados". Ali eu fiquei pensando "meu Deus, ao que estes jovens estão submetidos? Que poder é esse que quer destruir-nos? E quem sou eu aqui, Senhor, pobre miserável enviado por você a este lugar onde o humano é completamente destruído? Quem sou eu aqui, Senhor?"

Me lembrei imediatamente de Dom Giussani e da revolução na minha vida que foi o encontro com o carisma deste homem, e subindo os degraus desta faculdade, olhando todas aquelas pessoas, me lembrei de Dom Giussani que há quase sessenta subia os degraus do Licheu Berchet, e imediatamente invoquei a força do Espírito Santo, porque eu sozinho sou muito fraco diante da força que é o mal: "Veni Sancte Spiritus, veni per Mariam". Ao mesmo tempo, porém, para mim, cada vez fica mais claro qual é o campo de batalha que eu mais gosto: eu gosto mesmo é de estar neste ambiente, entre os jovens, na universidade. É o ambiente que me desafia, que me desafia a estar diante destas pessoas com tudo aquilo que eu sou e com tudo aquilo que eu carrego junto de mim, mesmo que eu não abra a boca para a falar o nome do Senhor Jesus. Cristo fez de mim um soldado, um homem lutador, um guerreiro, aposta em mim, miserabílíssimo, e me coloca lá, onde o humano é tão destroçado, tão vilipendiado, tão estraçalhado... desejo ser viril como Cristo, e disposto para a luta, para a guerra, imitando o "vir pugnator" por excelência que está em guerra contra este poder, que quer nos destruir, certo de que a vitória já é dEle, porque Ele ressuscitou, venceu a morte!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Poema meu

























Ícaro, Matisse

Nada me abalou mais do que o meu encontro com Carrón, na sexta passada. Provocou um "terremoto interior" em mim, a tal ponto que voltei a escrever poemas, depois de sete anos sem escrevê-los. Segue abaixo.

Meu coração se desperta
com violência inaudita
e me abala por inteiro
rasgando-me de alto a baixo
quem sou eu?
quem sou eu?
saudade
solidão
grito
desejo
espera

domingo, 5 de setembro de 2010

A Semana da Pátria e a derrota de José Serra




















Basílica de Aparecida

A campanha de José Serra é uma das coisas mais desastradas que podemos imaginar, é uma sucessão interminável de erros absurdos. O último descubro agora, lendo a Folha Online, vendo o total e incompetente site do candidato. Esta estratégia é a estratégia do desespero patético. Salvo um cataclisma monumental, José Serra será derrotado de forma impiedosa, especialmente pelo talento e gênio político de Lula, aliado à incompetência da oposição.

Começa hoje a Semana da Pátria. Há 188 anos o Brasil conquistou a sua independência de Portugal, há 188 anos temos liberdade política. Quantos amam essa liberdade? Quantos hasteiam a bandeira do Brasil? Quantos conhecem, ou ainda mais, amam os hinos do nosso país?

O nosso país é grande, eu tenho orgulho do meu país. Em primeiro lugar, temos liberdade. Aqui ninguém vai ser lapidado por adultério. Aqui, temos liberdade religiosa, temos liberdade de pensamento. Podemos pensar no que quisermos e somos livres para buscar a verdade da forma que acharmos melhor. Somos um país cristão, um país formado e unido pela fé, um país no qual Jesus Cristo não somente é conhecido como é amado, e cultuado da forma que cada um acha melhor nas inúmeras igrejas e denominações livremente espalhados por nosso país.

Somos um país no qual a solidariedade é um valor. Nos doi ver um mendigo passar fome ou dormir ao relento.  Somos um país que valoriza a família e as crianças. Trabalhamos duro, somos uma democracia sólida, uma economia pujante, um povo heroico, como canta o nosso hino.

Nosso país precisa é ser amado, e mais ainda, conhecido. Quem pode atrever-se a dizer que conhece essa imensaidão que atende pelo nome de "Brasil"? Nos Estados Unidos, cada janela expõe a bandeira do seu país, aqui nosso país só é lembrado em épocas de Copa do Mundo (até porque no futebol, nosso país se destaca). Quem sente orgulho genuíno de ser brasileiro, de viver num povo tolerante, respeitoso, pacífico, solidário, trabalhador, heroico? Não perdemos em nada para os Estados Unidos, Europa ou Japão. Temos condições de sermos muito mais felizes aqui do que nestes lugares, onde reinam a solidão e a desagregação dos laços sociais e dos vínculos afetivos...

Para consertar nosso país, precisamos antes de mais nada amá-lo. Quando Pedro Álvares Cabral chegou aqui, ele ofereceu esta terra imensa à Mãe de Jesus, Maria. Esta terra está sob a proteção de Maria, isto é confirmado por inúmeros fatos ao longo da nossa História, como a conversão de Catarina Paraguassu e a construção da igreja de Nossa Senhora da Graça, a expulsão dos holandeses de Pernambuco em 1654, e dos franceses no Rio, a aparição de Nossa Senhora na vila de Aparecida, em 1717... nosso país está sob a proteção de ninguém menos que da Virgem Maria, a verdadeira rainha do Brasil. Se ela é por nós, quem há de ser contra? Não há Dilma que vá destruir o Brasil! Se ela ganhar mesmo, vamos rezar por ela e iniciar a reconstrução de nosso amado país.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

As eleições e a verificação da fé






















Serra e Dilma

Acordo hoje e lendo os jornais recebo duas notícias tristes, vindas da Bahia. A primeira é a provável reeleição de Jacques Wagner já no primeiro turno. Doi ver o que este sujeito fez com Salvador, a cidade que eu amo, e ainda ser reeleito no primeiro turno. Doi ver ainda, que Dilma Rousseff neste estado tem 60% das intenções de voto. Doi demais ver o PT ganhar desse jeito...

Há alguns dias na capital baiana, ouvi um amigo me dizer que "se Dilma ganhasse, ele iria se mudar para os Estados Unidos". Fiquei tão provocado que eu fui confrontar com um amigo meu, que me disse que esta não era a posição justa, porque "a batalha está aqui". Outro ainda nos convocou a usar as redes sociais (seguindo o Papa), para atingir aqueles que mais estão conectados nela: os jovens.

Eu penso que a batalha está justamente entre os jovens. Há uma semana eu fui dar aulas de interpretação de texto a jovens do Jardim Canaã, bairro construído pela Associação dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo (ATST). Além de impressionar por ser um bairro, e não uma favela (para quem trabalhou dois anos em invasões de nossa amada Salvador, isso é impressionante!), fiquei impressionado com o que encontrei lá, no meio de adolescentes de 14 anos: um verdadeiro campo de batalha, e o detalhe, mesmo em bairros da ATST: todos são pró-Dilma, odeiam Serra, leem Eclipse e Amanhecer, seguem Obama no Twitter e ouvem a Lady Gaga, Beyoncé e Rihanna, as novas divas pop do momento (ainda bem que ninguém ouve Justin Bieber, senão eu ia me dar um tiro!).

Eu só pensava: como me "trasladar" para Atlanta, se o verdadeiro campo de batalha está aqui, no meio de nós, os nossos jovens sendo assaltados por esses novos bárbaros, que os enchem de drogas, lixo cultural, excitam o prazer sexual até a loucura, e promovem a "diversidade sexual" e coisas do gênero? (A Lady Gaga é tão cínica que diz assim: "estou aqui graças à comunidade gay, aos meus 'pequenos monstros' (sic!), meu objetivo é injetar a cultura gay na cultura global!"). Se isso não é um campo de batalha, meus amigos, o que é? Eu só sei que eu não quero me refugiar nos Estados Unidos, embora também não queira ir ao Irã, mas quero ser como Ulisses, que junto com Dante, mergulha no Inferno, atravessa as "colunas de Hércules", na certeza que a Virgem gloriosa está conosco e nos espera nesta batalha. Porque Maria é a grande, é a terrível adversária do niilismo, do Inferno. É a ela que eu devo a minha vida, é com ela que eu adentro no Inferno que é vomitado sobre estes jovens...

E o que tem Dilma Rousseff no meio dessa confusão toda? Como princesa dos bárbaros, como "nova Lilith" (embora numa versão muito menos interessante, aqui a Angelina Jolie, de "Salt" cabe muito mais), ela defende todas estas bandeiras, direta ou indiretamente. Sua eleição significa o avanço da barbárie, a derrota do humano.

Isso não quer dizer que seus adversários sejam boa coisa... Não! A situação, olhada por este ângulo é terrível, é uma exaustão do humano generalizada. Olavo de Carvalho elogiou Índio da Costa dizendo que "ainda restava testosterona no Brasil". Este senhor, da Virgínia, talvez não saiba o que está dizendo. Serra não é das pessoas que mais me agradam. Sua cara de Homer não é das mais bonitas. E é evidente o dessaranjo total da sua campanha, a proliferação de inúmernos "judas", o desprezo total pelo Brasil, a desfaçatez, a inércia, a pilantragem com a qual estes senhores deixam o Brasil ser assaltado por esta quadrilha que é o PT. Por que eles fazem isso? Porque têm uma pobreza humana incrível, não amam nada, a não ser suas contas bancárias, são burgueses, não dariam um dedo mínimo por qualquer coisa, quanto mais a vida!

O Brasil acabou!, diz esse amigo que quer se trasladar para Atlanta, na Georgia! Eu concordo!

Mas como consertar, reformar, reconstruir o Brasil?

Chesterton em Ortodoxia nos dá a receita: "Ame!", "ame e faça o que você quiser", diz Santo Agostinho. Brasil: deixe-o... ou o ame! Poderíamos inverter assim o slogan da ditadura! Podemos deixar o Brasil, é verdade, mas existe outra opção mais correspondente: podemos amá-lo! Podemos amar o Brasil! O Brasil está assim por falta de amor, amor ao nosso país! Pode parecer pieguice, mas quantos hinos do Brasil conhecemos, quantas bandeiras do nosso país vemos hasteadas na rua? Muita gente pode dizer: "mas o Brasil não presta!" Mas o Brasil somos nós todos, não é uma entidade abstrata, sobreposta a nós. O Brasil somos nós. Chesterton diz assim: "para consertar qualquer coisa, qualquer pessoa, a primeira coisa a fazer é amá-la! Ame o seu quintal, e em breve você terá o quintal mais bonito do mundo!"

Mas só pode amar quem já foi amado, quem se deixa ser objeto de um olhar amoroso sobre si mesmo. Portanto, a provável eleição de Dilma não pede que deixemos o nosso país, mas que o amemos. Mas só podemos amar o Brasil ou qualquer outra coisa ou pessoa, se aceitarmos um olhar amoroso sobre nós. Não são teorias sociológicas que vão consertar nosso país, mas a nossa conversão. Converter-se significa aceitar sobre si mesmo este olhar amoroso, parar de debater-se sobre si mesmo e aceitar o olhar de Cristo, que nos rasga de alto a baixo. Quem se deixa atingir dessa forma por esse olhar, ama. Quem ama, constroi. Constroi a semente do país do futuro. Marcos Zerbini é assim. Nossa esperança é que esse olhar, afinal de contas existe, porque Cristo ressuscitou!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O massacre do México e a globalização pós-moderna
















Luís Fredy Lala Pomavilla

Na já célebre encíclica Caritas in Veritate, o Papa Bento XVI afirmou categoricamente que a globalização nos tornou vizinhos, mas não nos tornou irmãos. Assisto com horror o massacre de 72 imigrantes no México, na fronteira com os Estados Unidos. O mesmo Papa condenou Sarkozy pelo tratamento dado aos ciganos. Sem contar a terrível lei de imigração aprovada há algumas semanas no Arizona, que pode, entre outras coisas, separar famílias inteiras.

Não estou aqui defendendo imigração ilegal nem romantizando imigrantes. Eu mesmo já fui hostilizado por imigrantes nos Estados Unidos e até expulso de um albergue por um imigrante, que era o gerente do mesmo. Sei muito bem que não há uma linha divisória entre os do lado "do bem" e os "do mal", mas a chacina, o massacre, o extermínio de 72 pessoas desta forma, inclusive de um jovem de apenas 18 anos, é algo que não pode me deixar em paz (que sobreviveu, apesar dos ferimentos).

A responsável por tudo isso é uma globalização pós-moderna e relativista que tem como resultado o chamado "comunitarismo", onde grupos que se julgam vitimizados por esta globalização se isolam (como os protestantes puritanos, por exemplo), e tentam fazer frente para conter o avanço globalizatório. Quando tais tendências se cristalizam na política, temos o exemplo da xenofobia e da extrema-direita em ação.

O relativismo jamais gera comunhão. A única realidade que pode gerar comunhão é a verdade. O relativismo só gera discussões intermináveis que não frutificam em nada. Quem quiser ter uma ideia clara disso é um só ir um campus de ciências sociais de qualquer universidade pública brasileira: muito blá-blá-blá para nada; só justaposição e construção de guetos e muros, pois, já dizia um certo filósofo caro a essas pessoas "o inferno são os outros" [ou melhor, as outras opiniões diferentes das minhas].

A única saída é se vencemos a doxa, a mera opinião - dizia Bruno Tolentino - e chegarmos na episteme, no conhecimento, na verdade. Se tenho um amigo cuja mãe tem uma doença grave, e eu leio no jornal que foi descoberta a cura para esta doença, qual a posição mais justa? Guardar a notícia só para mim ou comunicá-la a ele? Aqui, a verdade (logos) se torna comunicação (dia-logos), e surge a amizade, e dela, a sociedade, a convivência pacífica.

Só reconhecendo a verdade podemos falar em paz. Não é construindo muros nem leis anti-imigratórias. Só a verdade de mim mesmo permite abraçar a verdade do outro. A vida se torna amizade. Porque amizade não é outra coisa senão verter a própria experiência na experiência do outro. É o caminho para a verdadeira paz.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Porque eu voto em Marcos Zerbini





































Cleuza e Marcos

Cada dia que passa, eu me dou conta que a renovação da política no Brasil não passa por discussões acerca de Dilma, Serra ou Marina, dos projetos de A, B ou C, mas a partir de um fato que acontece agora, bem no coração de São Paulo, que é o movimento em torno de Cleuza e  Marcos Zerbini. Oriundos das lutas sociais, mas sempre afinados com a realidade, Marcos e Cleuza são pessoas que, a partir das necessidades reais das pessoas, e do seu encontro com o Cristo vivo presente na Igreja, particularmente no carisma de Comunhão e Libertação, estão literalmente, redefinindo, revolucionando "por dentro", como é bem típico dos cristãos (ser fermento no meio da massa), a política no Brasil e em toda a América Latina.

Dom Giussani disse que a política é a forma mais complexa da cultura, porque é justamente na política, por meio das lutas pelo poder que se expressa uma cultura que já está presente na sociedade. Quando vemos temas anti-cristãos serem defendidos e aprovados ao redor do mundo, como as leis pró-aborto, pró-eutanásia e os casamentos homossexuais, isso somente revela que na verdade, estas posições já estão presentes na cultura e naqueles que determinam a mentalidade dominante, isto é, os intelectuais, os jornalistas e os professores.

A Associação dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo é uma realidade fascinante não somente pelos números de suas conquistas, expressos em 100 mil pessoas com acesso a moradias, espalhadas em mais de vinte áreas na cidade de São Paulo, ou dos 70 mil estudantes que estão tendo a possibilidade de estudar graças aos convênios da Associação (sob o nome de Educar para a Vida) com dezessete das principais faculdades particulares de São Paulo. A Associação segue na prática o que a Igreja e Dom Giussani sempre afirmaram: que devemos partir das necessidades reais, concretas das pessoas, como a moradia, a faculdade e o emprego (a Associação tem um convênio também com a agência de emprego Allis), e daí partir para evidenciar que a moradia, a faculdade, o emprego não bastam para satisfazer às reais exigências humanas, de sentido, beleza e significado. Isto significa partir das "necessidades" à "Necessidade" real que temos, inclusive para levantar e poder viver, para esperar alguma coisa da vida e da realidade.

Toda a obra que se reúne em torno de Marcos e Cleuza é uma luz que tende a crescer no meio das trevas da política brasileira e latino-americana. Julián Carrón, responsável mundial do Movimento Comunhão e Libertação falou assim:"nós somos muito hábeis para analisar as trevas quando na verdade basta acender um isqueiro para dissipá-la". A Associação é esse isqueiro aceso no coração da maior cidade do Brasil e na segunda maior da América Latina (perdendo somente para a Cidade do México, que, tendo 32 milhões de habitantes é a segunda maior do mundo).

A amizade entre Marcos, Cleuza e o padre Aldo, que tem obras em Assunção e uma história de muito sofrimento tem dado frutos, especialmente o relacionamento do padre Aldo com o vice-presidente do Paraguai, Federico Franco, que politicamente, é inimigo do presidente Fernando Lugo. Eu mesmo me surpreendi quando li que Federico Franco foi à clínica do padre Aldo rezar as Laudes (como faz sempre) pelo presidente do Paraguai, e lhe deu inclusive um Rosário para ele rezar pela sua cura. É impressionante como aqui entra uma outra medida, totalmente nova e não-habitual, não o mero e cínico cálculo político, e nem o moralismo mais feroz daquelas pessoas que se acham melhores que as outras porque acham que nunca fizeram grandes erros na vida. É impressionante perceber que já existe em ato, crescendo lentamente, uma semente nova e boa na política latino-americana.

Eu estou muito contente, porque está acontecendo um milagre na América Latina, em torno do padre Aldo, de Marcos e Cleuza, que está envolvendo toda a América Latina como um redemoinho, e diante do qual eu percebo todo o meu nada, e como eu devo me curvar a essa enorme evidência. A política renasce na América Latina, renasce porque existem homens que se converteram, reconhecem que Jesus está vivo mesmo, não é um conto da carochinha, e por isso, cada homem e mulher têm um valor infinito, porque todo homem e toda mulher é desejo do Ressuscitado. É isso que nos impele à missão, a fazer uma política de modo diferente, em favor do povo e do bem comum. Eu voto em Marcos Zerbini porque ele é um homem que diz que daria a vida pelos seus melhores amigos, que não está em campanha em favor de um projeto pessoal de poder, mas está em defesa de um povo, que está no olho do furacão de uma obra que muda a cara de São Paulo, que se arrisca numa amizade com o padre Aldo que está trazendo esperança para toda a América Latina. Dizer "sim" a Marcos é dizer "sim" ao que Cristo faz, porque essa amizade dele com o padre Aldo é a resposta do Mistério aos dramas pelos quais passa a América Latina, e uma fonte, sem dúvidas, de um bem infinito, que o tempo vai tratar de tornar cada vez mais evidente, mudando, na medida da nossa liberdade, a nossa política, e a nossa vida.

sábado, 14 de agosto de 2010

"A Origem" - Inception

Marion Cottilard

Quem é o pós-moderno? Sinteticamente, eu poderia dizer assim: é aquele que está em guerra com a realidade. Quem quiser deixar de ser pós-moderno, vencer a pós-modernidade, a primeira coisa que deve fazer é acertar contas com a realidade. Muitas vezes, a gente brinca, mas a guerra contra a realidade avança a passos largos, e nós nem sequer nos damos conta, porque estamos quase que completamente imersos nela.

Para as pessoas deste nosso tempo, a realidade já não é algo bom que nos atrai, pelo contrário, é uma inimiga que nos dá medo! Temos medo de tudo, um medo difuso e confuso, um medo de viver, porque para nós, além do fato de percebermos a realidade ser inimiga, percebemos a vida como absurda, vazia e sem-sentido!

Um dos filmes que retratam isso é "A Origem" (na verdade "Inception" - Início, na tradução literal), estrelado por Leonardo di Caprio, homem que guarda seus afetos em pesadelos (representada por sua mulher morta, que atende pelo nome de "Mal"). A ideia principal do filme  é a de que é possível manipular o inconsciente do ser humano a partir de uma muito bem elaborada técnica que introduz uma ideia em qualquer pessoa a partir de seu sonho. Isto é tecnicamente o que é a realidade para a pós-modernidade: um mero conjunto de textos e intertextos, como afirma o filósofo Jacques Derrida, que podemos alternar, desconstruir e construir a nosso bel-prazer sem pagar nada por isso.

A Origem é uma crítica sutil e severa às ideologias e as ilusões nossas de cada dia. Porque as ideologias, durante muito tempo, mobilizaram e fizeram convergir as energias de muitas pessoas em vista de um ideal comum, de paz, e de bem. Com o passar do tempo, todas as ideologias falharam, uma a uma. Ruíram. Agora estamos numa época sem ideologias, sem utopias, e portanto, sem ideais. Um tempo apático. Gélido. Mórbido. Frio. Desesperado. Cínico. Violento. Porque para todos, a realidade seria então, inimiga, suscitando desejos em nós que não consegue realizar, nos obrigando, para viver a achatar este nosso desejo em banalidade ou cinismo. A coisa mais inteligente a fazer seria ser estúpido, se distraindo continuamente, ou se refugiando em ilusões.

Hoje, os jovens já não sabem mais responder à pergunta: "Para que eu vivo?" Tudo ao nosso redor é banalidade, e cinismo, e não é difícil, diante de todo este quadro, ser pessimista, como o brilhante, agudo e perspicaz filósofo polonês Zygmunt Bauman. Só se você encontra uma novidade dentro do caos pós-moderno é que pode haver alguma esperança. por isso que no filme Inception é impressionante a figura do totem: um pequeno objeto que te garante se você está na realidade mesmo ou em um sonho. O totem representa a ligação com o real por meio das coisas e também o fato de que, para viver minimamente de forma digna, é preciso romper a incerteza pós-moderna, e ser certo de pelo menos algumas grandes coisas na vida. O totem é o nexo com o real. Essas poucas grandes coisas podem ser a nossa salvação, o nosso nexo com a realidade, que é provado pelo fato de trabalharmos. O trabalho é a prova de que estamos empenhados na realidade, porque os alienados, os loucos, aqueles que estão separados do nexo com o real, não conseguem trabalhar, não conseguem construir. André Malraux dizia que ninguém hoje quer se empenhar com nada, porque de tudo se sabe a mentira, nós que não sabemos o que é a verdade. E, neste mundo povoado de gente que busca ilusões, é possível ainda se fazer a pergunta: o que é a verdade? É possível ainda deixar emergir essa profunda exigência do nosso coração neste período relativista, caótico, instável, inseguro, e solitário?

A verdade, a única que derrota "por dentro" a pós-modernidade niilista que tem como porta-estandarte de si mesma a Lady Gaga é que eu fui e sou amado. Esta é a verdade. Encontro, dentro da realidade, desta loucura imensa, um olhar que me ama e me abraça do jeito que eu sou, que aposta em mim. Mais ainda: encontro espaços onde esta é a lógica que domina, onde existem pessoas que vivem assim: amando-se umas às outras. Esta é a verdade, não somente porque existe objetivamente, mas porque corresponde aos desejos mais profundos do coração.

Para vencer esta nossa época, e emergir acima da ruína, certo de algumas grandes coisas na vida, só existe um método: aceitar esse olhar amoroso, usar da própria vida para mudar o mundo, torná-lo melhor, mais humano, mais habitável, fazer com que cresçam estes espaços onde existem verdadeiras amizades, humanidade genuína, onde se reconhece que "a coisa mais importante da vida é um amigo", que não é necessário se refugiar em ilusões, porque a realidade não é inimiga, e que existe aquilo que o nosso coração deseja em sua profundidade. Inception é um alerta e um grito muito inteligente, um grito pela realidade. Mas só é possível viver assim quem foi atingido por um olhar amoroso, quem fez um encontro com uma humanidade nova e correspondente ao próprio coração. Esta é a grande novidade neste mundo frio, de trevas e confusão, e que derrota a pós-modernidade, a partir de dentro dela mesma!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O polvo profeta, a violência desenfreada... e nós























Polvo Paul "adivinha" vitória da Espanha

por Marco Montrasi


Depois do polvo profeta, da Jabulani e das vuvuzelas, depois da eliminação do Brasil e do fim dos feriados e das festas entre amigos, a Espanha é campeã da Copa e nós caímos de novo na real (ou quase) com o drama da vida e os vários fatos violentos acontecidos recentemente. “Quase” porque a TV tem o poder de achatar tudo e torná-lo plano como a sua tela. Lemos os detalhes nas reportagens e esperamos ansiosos o telejornal para saber o que aconteceu mas, no fundo no fundo, queremos saber o quê? Acabamos sempre vivendo as coisas superficialmente: rimos e fazemos piada no caso do polvo, ficamos horrorizados no caso do goleiro e da advogada paulista, mas também disso fazemos piadas, e logo depois, ao mudar de canal, continuamos iguais, nada muda em nós.

Não podemos sempre mudar o canal, precisamos que aconteça algo que nos permita parar, pensar, aprofundar, olhar o que acontece fora e dentro de nós. É preciso despertar esse desejo de ser feliz que todos temos, que parece que seja impossível que se realize.

Dizia o grande poeta Eliot nos Coros de A Rocha: “Deserto e vazio. Deserto e vazio. E trevas sobre a face do abismo. A Igreja deserdou a humanidade ou foi por ela deserdada? Quando a Igreja não for mais considerada, ou sequer contestada, e houveram os homens esquecido Todos os deuses, exceto a Usura, a Luxúria e o Poder.”

Deserto e vazio: parece uma profecia dos nossos tempos.

Mas a Igreja, feita também de pecado e fragilidade, carrega algo maior do que a sua humanidade: é Cristo Ressuscitado, essa Presença a qual é possível sempre recorrer, como nos testemunha o Papa incessantemente.

“Para isso, é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano” (Homilia de Bento XVI na Praça Terreiro do Paço de Lisboa, 11 de maio).

Esse é o grito de esperança que o Papa dirige a todos nós. Estamos diante de uma escolha: ou ficar indiferentes a tudo, ou começar a procurar quem, dentro do drama cotidiano, está vivendo algo mais e melhor.

Existem pessoas e realidades que testemunham que é possível não sucumbir ao cinismo e ao ceticismo, que quando encontra uma Presença que lhe dê sentido, a vida adquire gosto e que, quando pessoas se reúnem para viver isso, um pedaço de mundo muda e se torna mais humano.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A suprema novidade da História

Esses dias estou muito impactado com o fato de que Lula declarou que pedir clemência para a iraniana Sakhined seria uma "avacalhação", pois seria "se meter nos assuntos internos de um país soberano". Lula depois voltou atrás em sua posição, não por clemência, mas por meros cálculos políticos (em virtude do desastre causado pela declaração à sua imagem internacional). Ontem eu estava me dando conta, com uma clareza crua como nunca antes, depois de ver um vídeo de uma mulher sendo apedrejada ao vivo no Twitter @felippe_ramos, qual é em verdade a suprema novidade da História, em contraposição à barbárie de Lula e Ahmadinejad. A imagem fala por si. Cada qual tire suas próprias conclusões.

Maria Madalena e Jesus Cristo

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Que os mutantes se divirtam!



Lula e Ahmadinejad

Estamos, certamente, na época mais terrível da História, no que diz respeito à humanidade. Olhamos para o lado, e vemos, pouco a pouco, a humanidade erodir. Pelo menos dois fatos me chocaram muito nestes últimos dias: um foi uma mãe que matou seus oito filhos recém-nascidos, e outra foi uma declaração do nosso amável presidente Lula, quando lhe pediram para interceder pela vida da iraniana Sakined, condendada à morte por apedrejamento, em virtude de "adultério". Lula disse que não iria interceder em assuntos internos de outros países porque isto seria uma "avacalhação" (li hoje que Lula mudou de ideia e ofereceu asilo no Brasil à mulher condenada), declaração semelhante a que deu se refrindo aos presos politicos de Cuba comparando-os com os criminosos comuns do Brasil. Se observarmos ao redor, vemos pouco a pouco, um declínio do humano, a perda progressiva da esperança, e o aumento contínuo dos seus sinais característicos (a ansiedade, o pânico e a depressão), tudo se encaminhando para um cinismo cada vez mais insuportável de viver, no qual as pessoas não esperam mais nada e simplesmente empurram a vida com a barriga, "dançando sobre o nada", como Nietzsche já profetizou há mais de cem anos, ao som da Lady Gaga, vindo diretamente da Nova Roma (Nova York), a atual capital do mundo (literalmente, porque Nova York é a sede da ONU). Se no meio desta confusão toda, deste inferno, a gente não enxerga nada, não vislumbra a mínima aurora, e se temos a desgraça de sermos pessoas inteligentes (porque a maior desgraça na pós-modernidade é você ser inteligente, ser idiota é uma coisa maravilhosa nesta época), lentamente escorregamos para um desepero terrível, que pode ser o niilismo soft dos vampiros eclipsianos, ou o niilismo violento da Lady Gaga, que eu considero uma das pessoas mais inteligentes - e cínicas - do momento. Vejam o que ela diz na entrevista à revista Rolling Stones, explicando a razão da sua excentricidade:

"Hoje é necessário quase dar um truque para fazer as pessoas escutarem alguma coisa inteligente [porque] a música é uma mentira. A arte é uma mentira. Você precisa contar uma mentira tão maravilhosa que os seus fãs a transformam em verdade”.

Por incrível que isto possa parecer, ler certas declarações me faz ter saudades de Hegel, que falando sobre a beleza (ou seja, da arte), na virada dos séculos XVIII e XIX dizia que "a Beleza é a manifestação da Ideia", ou ainda que "a Beleza é o Todo no fragmento". A comparação de Hegel (que não é nenhum cristão exemplar, dado que junto com Kant e Marx foi uma das pessoas que mais contribuíram para fazer desaparecer a fé no mundo) com a Lady Gaga mostra exatamente que estamos na época das invasões bárbaras. Lula, Ahmadinejad, Raul Castro, Kim Jong-Il... que são estas pessoas senão os novos bárbaros que veem por aí, quais novos cavaleiros do Apocalispse, espalhando, quais novos Átilas, a morte e a destruição por onde quer que passem, em nome "do bom, do belo e do que há de melhor", como já aludia Olga Benario?

Por conta de tudo isso, nesta época terrível, uma das coisas que eu sempre gostei de fazer foi discutir, especialmente sobre aquilo que, na minha experiência vejo como verdadeiro e decisivo, e desejo que o outro também encontrei.  Porque eu encontrei uma novidade que desafia tudo isso. No fundo, a origem de todas as minhas discussões foi o que já vi muito observando o "grande mestre Jedai" (leia-se Ricardo Fonseca), somado ao fato de que eu já passei um tempo (há muitos anos, graças a Deus) dormindo sem querer acordar, e acordando já querendo dormir. É horrível. No fundo, somente discuto por isso: porque eu desejo (como sou pretensioso!) de que as pessoas vivam melhor! Porque, na minha vida, encontrei algo que tem a grande pretensão de estar "acima da ruína", que desafia ao mesmo tempo Hegel e sua filha mais nova, a Lady Gaga.

Mas além de tudo isso, com o passar dos anos, a vida, aos poucos, veio me ensinando de que, muito mais do que discutir, para conseguir tal intento, é mais efetivo simplesmente viver, porque muita gente simplesmente chegou a um nível de cinismo que não vale mais a pena perder tempo com elas. Por isso, aos poucos, tenho deixado de discutir. Somente discuto com quem vejo que tem inteligência. Uma vez um amigo me viu discutindo com uma certa figura, que hoje é meu amigo, e me falou "ele é inteligente!" Eu respondi na hora: "Você acha que eu ia perder meu tempo com gente idiota?" Porque hoje, o que mais falta nas universidades brasileiras é justamente isso: pessoas inteligentes. Temos somente repetidores da ideologias, papagaios que se deixam doutrinar por seu pseudo-mestres ideológicos, pessoas que não comparam o que leem com as exigências mais profundas do seu coração: verdade, justiça, beleza e amor. Na universidade, o que mais existe são as pessoas que repetem o que leram, muitas vezes sem pensar, sem raciocinar, e muitas vezes se achando o máximo porque conseguiram a proeza de lerem 500 páginas em uma semana.  Estas são as mesmas pessoas que se chocam com a mulher francesa que matou oito filhos recém-nascidos, e ao mesmo tempo querem a ferro e fogo impor ao Brasil o mais abominável de todos os crimes, porque é cometido contra o ser mais indefeso que existe (a criança não-nascida): o aborto. Uma vez, há uns dois anos, neste blog, eu disse que a defesa do aborto era um atentado à inteligência. Na verdade, é um atentado à razão, porque é um atentado à vida, e a razão é a vida. Toda a equação cósmica converge para a existência da vida (isso me veio à mente observando uma cadela hiperativa ontem à tarde, na casa de um amigo), especialmente para a existência da vida humana inteligente, que se pergunta pelo significado.

Uma vez o poeta Bruno Tolentino disse: "que os mutantes se divirtam, eu estou esperando a Parusia". Como o meu coração é um grande grito, o que quero mesmo neste mundo é construir! Que os mutantes se divirtam, que os mortos enterrem seus mortos, eu quero é construir! E o que é eu quero viver é o mesmo que viveram os monges da Idade Média, que enquanto o mundo ao seu redor afundava nas trevas mais abjetas da barbárie, eles começaram a construir usando tudo o que tinham ao seu redor. O que talvez todos consideravam lixo, eles usavam para construir, sabendo que Cristo ressuscitado "faz novas todas as coisas". Pode fazer nova inclusive a Lady Gaga. Porque, como disse uma amiga minha "Cristo também quer ser pós-moderno!" Porque na Cruz ele já destruiu a pós-modernidade e a renovou! 

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A terra da busca pela felicidade























Catedral de São Paulo


São Paulo é uma cidade única. "O mundo inteiro está lá", dizia o poeta Bruno Tolentino. Eu adoro cidades, nasci para viver nelas, não sou bucólico, sou totalmente urbano, gosto de prédio, de carro, de agitação, de corre-corre, de metrô. Quanto maior a cidade, para mim, melhor. Gosto tanto de cidades que quando estive em Nova York, chegava a ficar longas onze horas caminhando pela ilha de Manhattan, porque mais do qualquer outra coisa, em Nova York, a cidade em si mesma, é a grande atração da jogada.

Dá para entender assim o quanto estou gostando de caminhar e apreciar a cidade, especialmente a sua parte mais antiga, que é o centro. Eu mesmo já vim inúmeras vezes a São Paulo, é uma cidade da qual eu gosto, mas um gosto que eu nunca entendi. Esta é uma pergunta que sempre me ficou aberta: "por que que eu gosto tanto desta cidade? O que é que tem aqui?"

Andando pelo centro da cidade, buscando trabalho, eu penso que descobri. É porque São Paulo não somente é a terra das oportunidades, é a terra da busca pela felicidade. E o que é a felicidade senão o conhecimento de Jesus Cristo, Aquele que venceu a morte? Porque, se de fato, como diz o apóstolo São Paulo, o movimento dos povos é na verdade a busca pelo sentido, pelo destino, pelo significado; em São Paulo como em nenhuma outra cidade brasileira, isto se vê com uma clareza solar. A cidade é um canteiro de obras a céu aberto. Cada um aqui tenta ser feliz a seu modo, mas tudo no fundo é uma busca nervosa pela felicidade, que se expressa no trabalho. Trabalhamos para que, se não é para sermos felizes?

Mas o que mais me emociona em São Paulo são as torres das igrejas. A Catedral gótica é belíssima e imponente, mas ao longo de toda esta gigantesca cidade é muito confortante ver as torres das igrejas no meio dos prédios anunciando a Presença que destruiu a morte e nos faz companhia, mesmo na selva de pedra. Aqui, as pedras falam. As torres das igrejas anunciam que Cristo ressuscitou e gritam ao céu: "Maranatha! Vem, Senhor!"

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Descobrindo-me jovem!

Uma coisa que tem acontecido esses dias é que eu tenho me descoberto jovem. É de se dar risada, mas depois de uma escola de comunidade no sábado, fui, junto com alguns amigos a um fast food mexicano, numa das esquinas da Paulista (que me lembrou Nova York, especialmente pelo frio na hora de sair), e ouvindo uma música, disse, meio sem intenção: "isso é Lady Gaga e Beyoncé remixada". A surpresa foi geral: "O cara manja!" Depois que vi uma figura chamada Alexandre André ter curtido "Rude Boy" na Top 50 do UOL Radio, realmente não é fim de carreira começar o dia procurando trabalho ao som dessas músicas. Realmente, somos modernos! Usamos Lady Gaga e Beyoncé pra evangelizar! Que coisa impressionante!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O sucesso de Eclipse e a cultura da morte


















Kristen Stewart e Taylor Lautner

A saga Crepúsculo, do qual Eclipse é o terceiro livro e filme está fazendo um sucesso tremendo entre os adolescentes. Basta notar, para se dar conta disso, o número de salas que estão exibindo o filme e a quantidade de pessoas que já o assistiram ou ainda vão assistir. Há alguns dias vi no Twitter uma pessoa que twittou assim: "vou assistir agora a Eclipse para comemorar o término da escrita do meu artigo".

A pergunta que eu me faço diante desses fatos é a seguinte: qual a razão desse sucesso tão estrondoso, que não é somente objeto da moda ou fruto da "imposição cultural americana"? Acusar Eclipse disso é uma superficialidade gigantesca. O fenômeno Eclipse não é algo superficial ou meramente ideológico, como pensam alguns, taxando de "alienação" o seu consumo em massa. Eclipse faz sucesso por uma razão muito simples: ecoa os anseios do coração humano, ecoa os anseios do coração dos adolescentes, que é a fase no qual está mais premente a emergência dos desejos mais profundos do coração humano. Dizendo de outra forma: Eclipse faz sucesso porque encontra, no coração adolescente, uma tremenda correspondência.

Um amigo me disse que o sistema capitalista faz sucesso porque "joga" com os desejos do coração, mercantiliza-os, tenta reduzi-los a uma mercadoria que supostamente iria satisfazê-los, joga com o fenômeno que a Bíblia condena taxando-o de "idolatria", aquilo que não mantém as promessas para as quais parece feito.

Um desejos mais latentes no nosso coração é justamente a liberdade. É aqui que se encontra o fascínio exercido pela saga Crepúsculo. A libertação de uma vida que oprimiria os nossos desejos mais profundos se daria por meio da absurda "imortalidade por meio da morte", que é exatamente o inverso da Ressurreição acontecida na Páscoa. O vampirismo exerce um fascínio quase irresístivel porque joga com o nosso desejo de liberdade, imortalidade e juventude. A morte, a passagem para a "vida vampírica", é vista aqui não como "o último inimigo a ser vencido", como afirmou o apóstolo Paulo, mas é diabolicamente apresentada como "a solução de todos os problemas". Não é à toa que o símbolo da saga é a "maçã", símbolo da falsa promessa feita pela serpente a Adão e Eva. Trocando em miúdos, isto significa que o fascínio que Eclipse exerce expressa o fascínio exercido pela morte e pelo nada, no tempo pós-moderno que nega a realidade e aquilo que existe, pregando o refúgio no escapismo de sonhos, fantasias e estados mentais perturbados.

Um dos livros mais emocionantes que eu li foi Drácula, de Bram Stocker. Li 400 páginas em apenas uma semana. Eu estava numa fase difícil da minha vida, e toda aquela treva de alguma forma me atraía. Foi só começar a experimentar "uma febre de vida" que estas coisas deixaram de me atrair. Porque é assim que acontece com quem leva minimamente a vida a sério, e se deixa interpelar pelas próprias exigências de verdade, felicidade, justiça e amor. Mas nossa época, que tenta a todo custo sufocar as exigências mais elementares do coração, se configura como o tempo da banalidade e do cinismo. A pós-modernidade é verdadeiramente o tempo de surgir uma saga como Crepúsculo, que na verdade é um "vampirismo adocicado", ou um "niilismo soft". Exatamente o inverso do niilismo explícito da Lady Gaga, mas no fundo é a mesma coisa. A evidência disso é o sucesso de ambos. A única realidade que derrota o pós-moderno é uma amizade que não tem medo do nosso coração, que nos desafia sem cessar, e que nos obriga a levarmos a nós mesmos a sério. Esta amizade é a derrota do pós-moderno e a realidade mais temida por aqueles que detém o poder hodiernamente.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um operário em construção























Avenida Paulista


Uma das descobertas mais libertadoras, do ponto de vista tanto psicológico quanto existencial, é a descoberta do "eu sou Tu-que-me-fazes". Esta é uma descoberta maravilhosa, porque é justamente ela que nos liberta da maior de todas as tentações, que é a de achar que "eu já estou pronto". Pensar "eu estou pronto" significa, psicologicamente, dizer "eu sou Deus", "eu sou o determinante de tudo". Reconhecer "eu sou feito", por outro lado, abre a uma vertigem imensa, mas ao mesmo tempo, a uma esperança extraordinária, porque, se eu não estou pronto, se estou em construção, significa que o melhor está por vir, ou como se diz no ditado latino "o fim coroa a obra".

Isto que estou falando pode parecer mera divagação intelectual, mas se paro para pensar na minha vida, nestes últimos sete meses, nos quais já morei em três cidades, encontrando todo tipo de gente, trabalhando, me afeiçoando às pessoas e ao trabalho... Se eu olho a minha vida a partir do fato que determina a História, que é a Ressurreição triunfal do Senhor na manhã da Páscoa, se eu olho a realidade com este juízo, me dando conta desta Presença vitoriosa, como não olhar para a minha vida e não me perguntar: "Quem é você? E quem sou eu?"

Porque é muito óbvio achar que já sabemos quem somos, e no entanto, estamos sendo feitos. Há alguns dias, um amigo me disse que eu estava sendo "lapidado como uma espada". É evidente, para mim, cada vez mais me dar conta exatamente disso: de que por meio de toda circunstância, alegre ou dolorosa (a vantagem da dor é que ela te impede de distrair-se), é que somos feitos.

Eu penso em mim mesmo: estou aqui na "pauliceia desvairada", como dizia Mário de Andrade, me tornando um "operário em construção", como cantou Vinícius! Eu sou Tu-que-me-fazes! Como é comovente dizer isto! Como é comovente tornar-se carne o que disse São Paulo "estou cheio de alegria em minha tribulação!" Como me enche de alegria os meus próprios filhos crescerem e me fazerem companhia, até por meio de uma mensagem que li às três da manhã! Como me enche de comoção estar diante da Eucaristia, no Mosteiro de São Bento clamando "Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!" Eu sou Tu que me fazes! É o juízo que domina em mim, estes dias! E como são minhas, estes dias, as palavras do padre Aldo, de que este juízo é fruto da graça dessa dor imensa e dessa amizade maravilhosa! Na verdade, mais do que "um operário em contrução", sou "um 'eu' em contrução", porque, de fato, é verdade: é a obra que faz o eu, não é o eu que se expressa na obra! Que descoberta extraordinária: é o trabalho que constroi o meu eu, é o relacionamento com a realidade que me faz, instante após instante, aqui e agora!