sexta-feira, 16 de abril de 2010

A epítome da pós-modernidade

Lady Gaga


A pós-modernidade, como costumo dizer, não se constitui em uma "época", propriamente dita, mas na verdade é a lenta degeneração daquilo que ficou conhecido como "a era moderna": a doce ilusão de que nós mesmos poderíamos nos fazer felizes, nos dar de modo autônomo a felicidade que tanto desejamos, que se constitui na exigência mais premente do nosso existir. A pós-modernidade é a crítica cínica de tudo isso. A pós-modernidade diz: é impossível ser feliz, então vamos dançar e curtir enquanto esta festa amarga que é a vida está aí. Nietzsche bem entendeu: a pós-modernidade nada mais é que a cínica dança sobre o vazio.

Pois bem: a Lady Gaga, esta cantora nova-iorquina de apenas 24 anos (nascida em 1986), que está fazendo tanto sucesso mundo afora, nada mais é a epítome, ou seja, a síntese do que vem a ser a pós-modernidade. Tudo o que pode vir a ser considerado como "pós-moderno" pode ser sintetizado numa única figura do presente: a cantora norte-americana Lady Gaga!

Imaginem: ensinando no meio de jovens há dois meses e meio, eu já tinha ouvido falar de uma "tal de Lady Gaga", mas sem nem saber quem ela era. A descobri voando na Rádio TAM, ela e seu hit Poker Face... Eu ouvia falar desta cantora pensando que nunca tinha ouvido nada dela. Depois, descobri que seus hits faziam sucesso na geração MTV e Jovem Pan da vida.

Gaga não é só pós-moderna em sua "estética do absurdo", no qual a busca por aparecer a qualquer custo supera qualquer coisa, onde o conceito de "beleza" é substituído pela excentricidade absoluta. Ela também não é só pós-moderna porque faz questão de representar sempre, nem ainda porque nela, imagem e realidade são completamente fundidas, virtualmente co-incidem, mas acima de tudo, porque tudo aquilo que ela canta, para além do mero ritmo pop, se nos dermos ao trabalho de examinar as letras de suas músicas, exprime de forma absolutamente exata o cinismo, o niilismo e a total falta de sentido e esperança, típicas da pós-modernidade, temperadas com banalidade a perder de vista e excentricidades totalmente sem medida.

Um de seus maiores sucessos hoje, a música Poker Face (Cara de blefe), composta pela própria Gaga, é composta por versos do naipe de "Ele não consegue ler minha cara de blefe" ou "Roleta russa não é a mesma coisa sem uma arma", ou ainda "querido, amor sem dor não é divertido (divertido!)".

Outra estrofe é exatamente assim:

"Eu não vou dizer que eu te amo
 Beijar ou te abraçar
 Porque eu estou blefando com as minhas fantasias
 eu não estou mentindo, eu estou apenas atirando com
 minha pistola do amor

Como uma garota no cassino
pegue seu lugar antes que eu aposte suas fichas"

Pois bem, caros amigos, este é o tipo de cultura que brota do centro da capital do mundo, Nova York. Isto faz sucesso porque exprime exatamente o que os jovens de hoje experimentam como a verdade, e por fim, não poucos chegam à conclusão de que a vida é uma grande brincadeira, um jogo de mau gosto, uma piada de humor negro do universo. Nesse ínterim, a própria Lady é tanto vítima quanto culpada nesse imenso jogo infernal, porque o mal - como já disse o grande poeta Bruno Tolentino - é como uma grande serpente que se engole a si mesma.

Como vencer a confusão da qual a Lady Gaga é apenas expressão, é apenas mais uma vítima? Só vence esta cultura de banalidade e de absurdo quem fez e faz uma experiência de amor. Porque no fundo, a Lady Gaga é um grande grito por sentido e significado, que é consumido de forma vil nesse mundo porco. Só quem faz uma experiência de amor agora pode vencer este mundo em decomposição. Só quem faz esta experiência de ser amado agora pode se tornar esperança para este mundo que degenera. Só quem se reconhece amado pode salvar a Lady Gaga. Só quem tem a fé. Porque Jesus morreu na Cruz também para que o grito da Lady Gaga tenha sentido. O grito da Lady não é absurdo, tem um sentido: a Cruz de Cristo!

sábado, 3 de abril de 2010

A morte da morte!





















A morte da morte

Esta é a noite, de todas, a mais bela! Esta é, de todas, a maior festa, a mãe de todas as festas! Porque hoje não se comemora qualquer coisa, mas "a" passagem, porque "Páscoa" significa "passagem". Passagem do quê? Da morte para a vida! Hoje é um dia tão importante que se ele não existisse, a nossa vida não teria sentido algum, seria uma paixão inútil, como afirmava Sartre, porque o fim de tudo seria o nada! Sem a festa de hoje, o corpo seria nada mais do que "uma massa compacta em decomposição contínua", como afirmava Foucault.

"Homem infeliz que sou!" - gritava São Paulo - "quem me livrará deste corpo de morte?"

E ele respondia: graças sejam dadas a Nosso Senhor Jesus Cristo!

A Ressurreição de Jesus é algo tão importante que sem ela, o cristianismo inteiro seria uma palhaçada total, como a recente cobertura sobre os escândalos de pedofilia quer nos impôr. A "lente" para olhar toda a História, nossa e do mundo inteiro, é a Ressurreição de Jesus, a morte e a ressurreição de Jesus!

Aconteceu um fato - um fato! - preciso, num determinado lugar e num determinado momento com um homem - Jesus de Nazaré - que, tendo sido crucificado numa sexta-feira, é encontrado vivo novamente por uma mulher (uma pecadora pública, uma prostituta!) na aurora do domingo. Este fato aconteceu, ou não? De fato, estamos falando de uma realidade ou de um conto da carochinha simbólico que tem um significado moral?

Enfim, este é o grande drama e a questão que urge colocar em nossa vida: é verdade ou não? Cristo ressuscitou de verdade ou toda a nossa vida é uma grande palhaçada cósmica? Nossos mais profundos desejos têm um ponto de chegada ou somos a grande piada do universo? É isso que está em discussão na grande noite que se aproxima: a noite da Ressurreição!

Como podemos saber se é verdade ou não?

Se olharmos toda a História, do mundo, e a nossa, com simplicidade!

Pois toda a História, não somente a manhã da Páscoa, mas toda a História, testemunha o fato mais espetacular da História do Universo: a Ressurreição do Senhor!

A primeira grande prova é a conversão de São Paulo, e a viagem que ele deu, da Palestina à Espanha, a pé, para anunciar o Senhor: quem faria isso por uma mera ideia?

Depois, temos os mártires dos três primeiros séculos, os grandes santos, como Santo Agostinho, São Bento, São Francisco e Santo Tomás, mas acima de tudo, tem um olhar que permanece na história, e chega a cada um de nós, e a grande questão é ceder ou resistir a esse olhar. Eu sou continuamente alvo desse olhar, porque precisamos ser abraçados agora, onde estamos, seja em que circunstância vivemos! E o Ressuscitado é nosso contemporâneo, então esse olhar agora é a prova mais evidente do que aconteceu na manhã da Páscoa! Experimentei esse olhar com força descomunal quando fui abraçado por Vicky em Nova York, mas também em meados do ano, em Salvador, quando eu estava passando por um momento difícil, e minha grande amiga, Paola Cigarini me olhou e me disse "Dimitri, você é parte de mim! Eu não posso ficar bem se você está mal!" Só me perguntei: "mas quem é esta que me olha assim? Como é possível esse olhar?" Esse olhar só é possível porque Cristo existe, e não somente na Palestina, há dois mil anos atrás, mas aqui em São Paulo agora, de onde escrevo esta postagem.

Ontem me aconteceu outra coisa impressionante: estava na Celebração da Paixão na capela do Imaculado Coração de Maria, na PUC (Pontifícia Universidade Católica). Tinham quatro padres, se eu não me engano distribuindo a comunhão, eu olhava as filas e esperava. Quando ia para uma das filas, vinha o padre Julián de la Morena, grande amigo meu com a comunhão em minha direção. Meio atônito, eu olhava para os lados (rapidamente), e enquanto me perguntava o porquê, ele me disse "Cristo vem até você!" Eu fiquei impressionado e me perguntava "mas quem é você que tem essa preferência por mim, que é apaixonado pelo nada?"

O Senhor está vivo e nos espera! Para entrar na vida de cada um só espera um mínimo movimento da liberdade, pois, como diz um amigo meu de Aracaju, Raphael, "Deus é educado", ele pede para entrar, e se puder, faz uma festa para nós! Com Ele, cada despertar é uma festa! Na Páscoa, nesta noite emerge do mais profundo do humano o grito de maior alegria que possa existir: Cristo ressuscitou! Aleluia! A morte foi derrotada, para sempre!