quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Diante do avanço da cultura da morte...




















Gil Vicente. "Auto-retrato matando Bento XVI". Carvão sobre papel. 2005.


Acabei de ler com tristeza que a Justiça da Virgínia executa hoje a americana Teresa Lewis, de 41 anos. Me comovi até as lágrimas pensando nesta mulher pelo fato de que ela sofre "retardo mental", e provavelmente foi condenada como inocente, apesar do fato que participou efetivamente da morte do marido. A Justiça da Virgínia não atendeu aos pedidos da União Europeia de comutar a pena para "prisão perpétua", e tanto a Suprema Corte Americana quanto o governador do Estado não quiseram se manifestar, ignorando o caso. O retardo mental, o bom comportamento e a conversão à fé não mudaram a sentença dada a Teresa Lewis, que deve ser executada hoje na Virgínia. Mesmo suas colegas de prisão dizem que ela é uma inspiração por sua fé e música gospel que canta no Centro de Correção para Mulheres Fluvanna. Certamente ainda hoje ela estará com alguém muito especial, no Paraíso.

Outra coisa muito chocante que eu vi hoje no jornal "Metro" produzido pela Band e distribuído gratuitamente por toda a cidade de São Paulo foi que "Michel Jackson terá seu mundo virtual", uma espécie de "Second Life macabra", como tetricamente o Twitter já vem, de forma absolutamente macabra, "ressuscitando" uma série de personalidades já falecidas, dissolvendo por inteiro o "eu", como se a Internet pudesse garantir a "vida eterna". Isso é macabro ao extremo e eu tive um asco como nunca antes diante disso... não é à toa que a Lady Gaga, muito inteligentemente chama a fama de "um monstro", afirmando que na verdade, em dez anos, ela quer ser "uma mulher normal".

O maior sinal, porém, de que estamos presenciando o avanço da cultura da morte é a exposição na Bienal das Artes em São Paulo da coleção do artista pernambucano Gil Vicente, intitulado "Inimigos", no qual o artista detona uma pistola em FHC, degola Lula, mata a rainha Elizabeth II e executa o papa Bento XVI. A Organização dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou-se contra a exposição desta coleção argumentando que ela é uma "incitação à violência". Os responsáveis pela Bienal decidiram manter a exposição "em nome da liberdade de exposição".

Em nome de uma "liberdade de expressão" que na verdade tornou-se uma libertinagem, faz-se apologia não somente do crime, mas da morte, numa cidade como São Paulo, que é uma cidade triste, dominada pela dor e onde cresce cada vez mais uma cultura de morte, isolamento e destruição dos laços sociais (isso fica muito claro quando a gente olha os grafites paulistanos. O humano urra de dor aqui, esta é uma terra de missão!). Quem quiser ter uma prova disso é só ir na Cracolândia ou nas Ruas Augusta e Frei Caneca, onde o humano é destruído pela droga e pela "liberdade sexual".

A única coisa que pode vencer e destruir "por dentro" a cultura da morte é, como afirma Marcos Zerbini, é "uma amizade verdadeira" que não tenha medo da realidade, nem mesmo da realidade da morte, certos da companhia de Alguém que venceu a morte e que hoje acolhe em seus braços Teresa Lewis. Não adianta a Lady Gaga "jogar merda no ventilador" denunciando com a sua própria vida o "monstro" que é a indústria da fama e da arte contemporânea. Como ela mesma disse: "Hoje é necessário quase dar um truque para fazer as pessoas escutarem alguma coisa inteligente [porque] a música é uma mentira. A arte é uma mentira. Você precisa contar uma mentira tão maravilhosa que os seus fãs a transformam em verdade”. Não se vence o desmoronamento da mentira com uma outra mentira, por mais inteligente e desesperada que seja. A única coisa que pode salvar-nos da cultura da morte é o olhar amoroso de alguém que nos abrace e nos diga: "eu quero ser teu amigo". É daqui que tudo pode recomeçar. O encontro com uma amizade verdadeira: esta é a nossa única esperança! A presença do Papa do Reino Unido e sua serenidade são provas excepcionais de que esta amizade efetivamente existe. Tudo o que precisamos é de simplicidade de coração para ceder a ela, e começar a lutar para reconstruir o mundo!

sábado, 18 de setembro de 2010

Vir pugnator, homem lutador!




































Cavaleiro medieval

O Senhor é o herói dos combates, seu nome é Iahweh! (Ex 15,3)

Se alguém quiser saber qual é a imagem que eu tenho da vida, esta é somente uma: a vida é uma luta, é uma guerra! Um dos títulos de Jesus Cristo que eu mais gosto é o de "vir pugnator": homem lutador, homem em guerra! Quando eu recebi a santa crisma, Jesus me "alistou no seu exército" (porque "crisma" era o nome do óleo com os quais os soldados romanos que partiam para a batalha eram ungidos). Naquela hora, eu não entendia muita coisa, mas hoje, na medida em que o tempo vai passando, eu me vou me dando conta exatamente de que Cristo é exatamente esse general em guerra contra este poder que quer nos manter sozinhos e vulneráveis, para por fim nos destruir e nos aniquilar.

Se alguém me perguntar: "o que você quer ser, Dimitri?", não teria a mínima dúvida em responder "um guerreiro, um lutador!" A imagem do Mistério que me domina nestes dias é exatamente esta: o Mistério é um grande guerreiro, com uma espada na mão contra as suas hostes inimigas. Mesmo Nossa Senhora, que é a mulher de valor, gosto de vê-la forte, vitoriosa, esmagando a serpente do mal sob o seus pés. Esta é a imagem da vida que me domina.

Ontem, eu fui dar aulas, já o terceiro dia depois que eu voltei a trabalhar. Uma multidão inumerável de jovens lá estava na porta da universidade, em meio a  barulhos ensurdecedores, bares, álccol e maconha, tudo isso ainda às nove da noite. Eu, evidentemente, no meio desta multidão inumerável, fui confundido com um aluno, e recebi, de uma bela jovem, um panfleto sobre uma tal de "festa dos sete pecados". Ali eu fiquei pensando "meu Deus, ao que estes jovens estão submetidos? Que poder é esse que quer destruir-nos? E quem sou eu aqui, Senhor, pobre miserável enviado por você a este lugar onde o humano é completamente destruído? Quem sou eu aqui, Senhor?"

Me lembrei imediatamente de Dom Giussani e da revolução na minha vida que foi o encontro com o carisma deste homem, e subindo os degraus desta faculdade, olhando todas aquelas pessoas, me lembrei de Dom Giussani que há quase sessenta subia os degraus do Licheu Berchet, e imediatamente invoquei a força do Espírito Santo, porque eu sozinho sou muito fraco diante da força que é o mal: "Veni Sancte Spiritus, veni per Mariam". Ao mesmo tempo, porém, para mim, cada vez fica mais claro qual é o campo de batalha que eu mais gosto: eu gosto mesmo é de estar neste ambiente, entre os jovens, na universidade. É o ambiente que me desafia, que me desafia a estar diante destas pessoas com tudo aquilo que eu sou e com tudo aquilo que eu carrego junto de mim, mesmo que eu não abra a boca para a falar o nome do Senhor Jesus. Cristo fez de mim um soldado, um homem lutador, um guerreiro, aposta em mim, miserabílíssimo, e me coloca lá, onde o humano é tão destroçado, tão vilipendiado, tão estraçalhado... desejo ser viril como Cristo, e disposto para a luta, para a guerra, imitando o "vir pugnator" por excelência que está em guerra contra este poder, que quer nos destruir, certo de que a vitória já é dEle, porque Ele ressuscitou, venceu a morte!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Poema meu

























Ícaro, Matisse

Nada me abalou mais do que o meu encontro com Carrón, na sexta passada. Provocou um "terremoto interior" em mim, a tal ponto que voltei a escrever poemas, depois de sete anos sem escrevê-los. Segue abaixo.

Meu coração se desperta
com violência inaudita
e me abala por inteiro
rasgando-me de alto a baixo
quem sou eu?
quem sou eu?
saudade
solidão
grito
desejo
espera

domingo, 5 de setembro de 2010

A Semana da Pátria e a derrota de José Serra




















Basílica de Aparecida

A campanha de José Serra é uma das coisas mais desastradas que podemos imaginar, é uma sucessão interminável de erros absurdos. O último descubro agora, lendo a Folha Online, vendo o total e incompetente site do candidato. Esta estratégia é a estratégia do desespero patético. Salvo um cataclisma monumental, José Serra será derrotado de forma impiedosa, especialmente pelo talento e gênio político de Lula, aliado à incompetência da oposição.

Começa hoje a Semana da Pátria. Há 188 anos o Brasil conquistou a sua independência de Portugal, há 188 anos temos liberdade política. Quantos amam essa liberdade? Quantos hasteiam a bandeira do Brasil? Quantos conhecem, ou ainda mais, amam os hinos do nosso país?

O nosso país é grande, eu tenho orgulho do meu país. Em primeiro lugar, temos liberdade. Aqui ninguém vai ser lapidado por adultério. Aqui, temos liberdade religiosa, temos liberdade de pensamento. Podemos pensar no que quisermos e somos livres para buscar a verdade da forma que acharmos melhor. Somos um país cristão, um país formado e unido pela fé, um país no qual Jesus Cristo não somente é conhecido como é amado, e cultuado da forma que cada um acha melhor nas inúmeras igrejas e denominações livremente espalhados por nosso país.

Somos um país no qual a solidariedade é um valor. Nos doi ver um mendigo passar fome ou dormir ao relento.  Somos um país que valoriza a família e as crianças. Trabalhamos duro, somos uma democracia sólida, uma economia pujante, um povo heroico, como canta o nosso hino.

Nosso país precisa é ser amado, e mais ainda, conhecido. Quem pode atrever-se a dizer que conhece essa imensaidão que atende pelo nome de "Brasil"? Nos Estados Unidos, cada janela expõe a bandeira do seu país, aqui nosso país só é lembrado em épocas de Copa do Mundo (até porque no futebol, nosso país se destaca). Quem sente orgulho genuíno de ser brasileiro, de viver num povo tolerante, respeitoso, pacífico, solidário, trabalhador, heroico? Não perdemos em nada para os Estados Unidos, Europa ou Japão. Temos condições de sermos muito mais felizes aqui do que nestes lugares, onde reinam a solidão e a desagregação dos laços sociais e dos vínculos afetivos...

Para consertar nosso país, precisamos antes de mais nada amá-lo. Quando Pedro Álvares Cabral chegou aqui, ele ofereceu esta terra imensa à Mãe de Jesus, Maria. Esta terra está sob a proteção de Maria, isto é confirmado por inúmeros fatos ao longo da nossa História, como a conversão de Catarina Paraguassu e a construção da igreja de Nossa Senhora da Graça, a expulsão dos holandeses de Pernambuco em 1654, e dos franceses no Rio, a aparição de Nossa Senhora na vila de Aparecida, em 1717... nosso país está sob a proteção de ninguém menos que da Virgem Maria, a verdadeira rainha do Brasil. Se ela é por nós, quem há de ser contra? Não há Dilma que vá destruir o Brasil! Se ela ganhar mesmo, vamos rezar por ela e iniciar a reconstrução de nosso amado país.