Gil Vicente. "Auto-retrato matando Bento XVI". Carvão sobre papel. 2005.
Acabei de ler com tristeza que a Justiça da Virgínia executa hoje a americana Teresa Lewis, de 41 anos. Me comovi até as lágrimas pensando nesta mulher pelo fato de que ela sofre "retardo mental", e provavelmente foi condenada como inocente, apesar do fato que participou efetivamente da morte do marido. A Justiça da Virgínia não atendeu aos pedidos da União Europeia de comutar a pena para "prisão perpétua", e tanto a Suprema Corte Americana quanto o governador do Estado não quiseram se manifestar, ignorando o caso. O retardo mental, o bom comportamento e a conversão à fé não mudaram a sentença dada a Teresa Lewis, que deve ser executada hoje na Virgínia. Mesmo suas colegas de prisão dizem que ela é uma inspiração por sua fé e música gospel que canta no Centro de Correção para Mulheres Fluvanna. Certamente ainda hoje ela estará com alguém muito especial, no Paraíso.
Outra coisa muito chocante que eu vi hoje no jornal "Metro" produzido pela Band e distribuído gratuitamente por toda a cidade de São Paulo foi que "Michel Jackson terá seu mundo virtual", uma espécie de "Second Life macabra", como tetricamente o Twitter já vem, de forma absolutamente macabra, "ressuscitando" uma série de personalidades já falecidas, dissolvendo por inteiro o "eu", como se a Internet pudesse garantir a "vida eterna". Isso é macabro ao extremo e eu tive um asco como nunca antes diante disso... não é à toa que a Lady Gaga, muito inteligentemente chama a fama de "um monstro", afirmando que na verdade, em dez anos, ela quer ser "uma mulher normal".
O maior sinal, porém, de que estamos presenciando o avanço da cultura da morte é a exposição na Bienal das Artes em São Paulo da coleção do artista pernambucano Gil Vicente, intitulado "Inimigos", no qual o artista detona uma pistola em FHC, degola Lula, mata a rainha Elizabeth II e executa o papa Bento XVI. A Organização dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou-se contra a exposição desta coleção argumentando que ela é uma "incitação à violência". Os responsáveis pela Bienal decidiram manter a exposição "em nome da liberdade de exposição".
Em nome de uma "liberdade de expressão" que na verdade tornou-se uma libertinagem, faz-se apologia não somente do crime, mas da morte, numa cidade como São Paulo, que é uma cidade triste, dominada pela dor e onde cresce cada vez mais uma cultura de morte, isolamento e destruição dos laços sociais (isso fica muito claro quando a gente olha os grafites paulistanos. O humano urra de dor aqui, esta é uma terra de missão!). Quem quiser ter uma prova disso é só ir na Cracolândia ou nas Ruas Augusta e Frei Caneca, onde o humano é destruído pela droga e pela "liberdade sexual".
A única coisa que pode vencer e destruir "por dentro" a cultura da morte é, como afirma Marcos Zerbini, é "uma amizade verdadeira" que não tenha medo da realidade, nem mesmo da realidade da morte, certos da companhia de Alguém que venceu a morte e que hoje acolhe em seus braços Teresa Lewis. Não adianta a Lady Gaga "jogar merda no ventilador" denunciando com a sua própria vida o "monstro" que é a indústria da fama e da arte contemporânea. Como ela mesma disse: "Hoje é necessário quase dar um truque para fazer as pessoas escutarem alguma coisa inteligente [porque] a música é uma mentira. A arte é uma mentira. Você precisa contar uma mentira tão maravilhosa que os seus fãs a transformam em verdade”. Não se vence o desmoronamento da mentira com uma outra mentira, por mais inteligente e desesperada que seja. A única coisa que pode salvar-nos da cultura da morte é o olhar amoroso de alguém que nos abrace e nos diga: "eu quero ser teu amigo". É daqui que tudo pode recomeçar. O encontro com uma amizade verdadeira: esta é a nossa única esperança! A presença do Papa do Reino Unido e sua serenidade são provas excepcionais de que esta amizade efetivamente existe. Tudo o que precisamos é de simplicidade de coração para ceder a ela, e começar a lutar para reconstruir o mundo!

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