por Ricardo Fonseca
Nas ruas de nossa cidade, a multidão se move sobre largas calçadas, sob edifícios altos como nunca vistos. Numa inquietação surda e dolorosa, busca o sabor do dia presente. Sedenta de fortes excitações, lota os cinemas, os bares, os estádios. Atualmente, os reality shows brilham como a estrela guia de nossas vidas tupiniquins. Programas como Big Brother proliferam e ganham novas edições, atraindo cada vez mais a audiência, o que faz a alegria dos meios de comunicação e consagra a derrocada humana através da banalidade.
Um certo poder cultural, antes que político, ataca o homem, nivelando por baixo seus desejos de verdade e de justiça, de felicidade. Exaltam-se certos valores morais e sociais segundo as modas do momento e nega-se a possibilidade de realização da pessoa na sua verdade e no seu destino. Nega-se, de fato, a possibilidade de um destino último e pleno ao qual tende o desejo humano.
No achatamento do "desejo" em tantos desejos imediatos, determinados pela máquina do consumo, reside o desnorteamento dos jovens e o cinismo dos adultos. Assim, o poder da comunicação se torna instrumento para a indução cruel de determinados desejos e para a supressão de outros. Entre estes o desejo do absoluto, da justiça, da solidariedade. (...)
Quando o "eu" não é escravo, é capaz de encontrar outras experiências e de ser criador de um justo clima de democracia. A atenção à verdade do eu cria um movimento entre os homens desejosos de mudar a sociedade e as suas estruturas, para torná-la digna morada para todos (segundo a verdadeira imagem da pessoa humana).
Este reencontro com o seu verdadeiro eu é o cristianismo: um encontro com uma humanidade excepcional, excepcional na medida em que corresponde de maneira única - como só é possível a Deus - às esperas e aos desejos do coração. Diferentemente do que hoje nos é dado na televisão meus amigos, esta é uma realidade diversa e melhor que vem ao nosso encontro para que a grandeza chegue, se Deus quiser, como um belo dia.

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