sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Em busca da política











Batalha de Seattle, 30 de novembro de 1999.
O marco da globalização da política.

O aproximar-se de mais uma eleição impõe a todos voltar novamente o olhar para a política, para os debates acalorados, para a cidade repleta de propaganda eleitoral, pelos palpites sobre quem vai ganhar ou não a eleição; mas se nos arriscamos a ir além do que diz as efemérides dos jornais, e conversar seriamente com as pessoas e perguntar o que elas acham verdadeiramente da política, perceberemos que para a maioria delas a política é uma coisa que aparentemente nada tem a ver com a própria vida, sendo encarada como uma atividade suja, praticada por pessoas sem caráter, e que na verdade, só querem se locupletar às custas do dinheiro público. É difícil perceber o nexo entre a própria vida cotidiana e a atividade política.
Mas será mesmo que isso tudo é verdade? Será que a política realmente não tem nada a ver com a vida? De onde surge essa percepção?

A palavra política vem do grego polis que significa cidade. Como na Grécia Antiga, as cidades eram independentes umas das outras, ou seja, eram na verdade cidades-Estado, a ideia de política, portanto, se identifica, muito mais do que com o conceito moderno de cidade, na verdade com a ideia atual de Estado, ou ainda, de nação, ou melhor, povo. E podemos concluir, portanto, que a alienação que sentimos com relação à política nada mais é do que a reverberação da alienação que sentimos quanto ao pertencer a algo maior do que nós mesmos e nossas preocupações.

A política é algo que parece que nada tem a ver com a nossa vida porque é fraca a nossa consciência de que pertencemos a algo maior do que nós mesmos, ou seja, é fraca a nossa percepção de que formamos verdadeiramente um povo e uma nação, de que compartilhamos um território, valores, cultura e história, e de que somos responsáveis conjuntamente por esse mesmo território e esse mesmo povo, e por seu destino comum.

Nos dias hodiernos, a palavra cidadão parece algo vago e etéreo, algo que está suspenso no ar, presente somente em retóricas inflamadas e demagógicas, mas que também não diz respeito à vida. Se olharmos novamente a História, cidadão, assim como polis, está ligado à ideia de cidade-Estado, ou seja, de povo organizado e governado, território, cultura e história comum; ou seja, cidadão está ligado à ideia de pertença: se o cidadão era aquele que pertencia a uma cidade, analogamente, podemos hoje dizer cidadão é aquele que pertence a um povo.

Podemos nos ajudar a reavivar nossa autoconsciência política na medida em que crescer em nós a consciência dessa pertença, e, portanto, a nossa corresponsabilidade. Iremos repensar os critérios com os quais nos movemos na vida, com a consciência de que os nossos atos cotidianos, bons ou maus, influenciam na vida de todos os que pertencem a uma mesma comunidade, vamos perceber então, que política é na verdade, uma atividade do dia-a-dia, e que se revela nas opções práticas que fazemos todos os dias, inclusive nas mais cotidianas, como fazer bem o próprio trabalho, não emporcalhar as ruas, ou ainda fazer a coleta seletiva. Em cada ação destas, revelamos a quem pertencemos como autoconsciência, a nós mesmos somente, ou a algo maior.

Buscar a política, então, é buscar essa autoconsciência, é esse é um trabalho que vai além do horizonte das eleições. Buscar a política é buscar a nossa própria história, nossas raízes, aquilo que nos aconteceu e que nos marca como povo e como nação, buscar a política, a polis compreendida dessa forma é buscar quem somos e a quem pertencemos, e a que responsabilidade esse pertencer nos chama.