terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A radicalidade do mal

O piloto jordaniano Muath al-Kasaesbeh
Eu estou absolutamente chocado com a morte do piloto jordaniano Muath al-Kasaesbeh. Quando a gente pensa que já viu tudo, eis que o Estado Islâmico coloca uma pessoa numa jaula, e a deixa com um rastro de fogo para ser queimada viva e oferecida em holocausto ao mundo em espetáculo. Na sociedade do espetáculo, oferece-se ao público um Big Brother satânico de vítimas sendo decapitadas, e agora queimadas vivas dentro de uma jaula. Isto é uma coisa simplesmente inominável. Tamanho horror midiatizado, espetacularizado, nem Adolph Hitler sonhou. Nem Guy Débord imaginaria que a sociedade chegaria a esse nível grotesco de espetáculo.
O que vi hoje, 3 de fevereiro de 2015, é nada mais do que "o mal absoluto", mal em estado puro, a banalidade do mal, como diria Hannah Arendt.
Boa parte dos jovens que estão hoje no Estado Islâmico saíram da Europa, da Europa que é niilista, como já dizia André Malraux em "A tentação do Ocidente": «Não há ideal a que possamos sacrificar-nos, porque de todos eles conhecemos a mentira, nós os que ignoramos em absoluto o que seja a verdade.»
Estes jovens, de uma forma absurda para nós, saíram do conforto que lhes é garantido pelo Welfare State europeu e se embrenharam no deserto da Mesopotâmia em busca de sangue, lágrimas, dor, horror e desespero... como os nazistas dos anos 1940 com as suas vítimas. Na falta de um ideal, que lhes é negado pelo Ocidente, perverteram completamente os seus desejos de felicidade, beleza, justiça, verdade, e hoje sacrificam-se no anti-ideal satânico da morte, do sangue, da dor, da violência, do choro e do desespero, gozando com a dor das vítimas agonizantes, tais como os carrascos mais bárbaros que a humanidade já teve notícia.
É absurdamente chocante, mas estamos diante da radicalidade do mal, estamos diante de um mal radical. Diante do mal radical, há que se fazer alguma coisa. A Beata Tereza de Calcutá já disse: "do jeito que as coisas estão, o maior pecado é não fazer nada". Me estarrece a inamovibilidade de alguns líderes. No final dos anos 1930, houve um grande homem, chamado Winston Churchill, que num determinado momento, decidiu começar a deter Hitler. Diante do avanço impiedoso de Adolph Hitler, Churchill decretou guerra à Alemanha, e enquanto a França caía, ele segurou as pontas, até que o ataque japonês a Pearl Harbor no dia 7 de dezembro de 1941, fez com que os Estados Unidos entrassem finalmente na guerra, decretando guerra ao Império Japonês, e ajudando a já combalida Inglaterra.
Algo há que se fazer. Estão esperando um novo Pearl Harbor? O que o Ocidente ainda espera para declarar guerra ao Estado Islâmico, e varrê-lo para a lata de lixo da História?