quarta-feira, 26 de junho de 2024

EXAME DE CONSCIÊNCIA

EXAME DE CONSCIÊNCIA (A PARTIR DOS DEZ MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS E DOS CINCO MANDAMENTOS DA IGREJA)

O que é o pecado?

O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a reta consciência. É uma falha contra o verdadeiro amor para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana. Foi definido como “uma palavra, um ato ou um desejo contrários à Lei eterna” (Santo Agostinho). O pecado é uma ofensa a Deus: “Pequei contra Vós, só contra Vós, e fiz o mal diante dos vossos olhos” (Sl 51,6). O pecado é contrário ao amor que Deus nos tem e afasta d'Ele os nossos corações. É, como o primeiro pecado, uma desobediência, uma revolta contra Deus, pela vontade de os homens se tornarem “como deuses”, conhecendo e determinando o que é o bem e o que é o mal (Gn 3, 5). Assim, o pecado é “o amor de si próprio levado até ao desprezo de Deus” (Santo Agostinho). Por essa exaltação orgulhosa de si mesmo, o pecado é diametralmente oposto à obediência de Jesus, que realizou a salvação. 

(Cf.: Catecismo da Igreja Católica, §§1849-1850)

1. PARA UMA BOA CONFISSÃO

Em 1° lugar, devemos rezar (é aconselhável criar o hábito de rezá-la diariamente) a Ladainha da Contrição Perfeita, pedindo a Deus a graça de conhecer e detestar os próprios pecados, se arrependendo profundamente deles. 

A contrição é o arrependimento dos pecados por amor a Deus, enquanto que a atrição é o arrependimento por temor do Inferno).

Depois de rezar a Ladainha da Perfeita Contrição, devemos fazer um bom e detalhado exame de consciência a partir da comparação da nossa própria vida com os dez mandamentos da Lei de Deus e com os cinco mandamentos da Igreja. É útil também meditar o Sermão da Montanha (Mateus, capítulos de 5 a 7). É aconselhável meditar frequentemente estes capítulos. 

Após o exame de consciência, devemos nos determinar um firme propósito de não mais voltar a pecar e passar a rezar incessantemente pedindo a Deus a força e a ajuda divina necessária para não tornar a ofendê-lo. 

Em seguida, devemos procurar um sacerdote e realizar uma confissão (acusação ao sacerdote) integral dos nossos pecados, dizendo todos os pecados mortais, sua espécie e quantas vezes foram cometidos. Esta acusação deve ser o mais breve e objetiva possível. Também não devemos entrar em detalhes desnecessários (especialmente nos pecados contra o sexto e o nono mandamento). A ocultação proposital de um pecado mortal invalida a confissão. 

Por fim, devemos aceitar e cumprir a penitência o mais rápido possível. Além de cumprir a penitência, é recomendável rezar pelo Papa (1 Credo, 1 Pai Nosso e 1 Ave Maria).

2. LADAINHA PARA PEDIR A GRAÇA DA CONTRIÇÃO PERFEITA

Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Deus Pai do céu, tende piedade de nós.

Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.

Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Vós, que não desejais a morte do pecador, tende piedade de nós.

Vós, que esperais com paciência a conversão do pecador, tende piedade de nós.

Vós, que convidais os pecadores a que se convertam, tende piedade de nós.

Vós, que acolheis benignamente o pecador arrependido, tende piedade de nós.

Vós, que Vos regozijais com a conversão do pecador, tende piedade de nós.

De Vos ter ofendido, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De ter tantas vezes e tão gravemente pecado, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De ter pecado por pensamentos, palavras e ações, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De ter pecado pelos sentidos do meu corpo, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De ter pecado pelas potências de minha alma, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De ter pecado com tanta audácia, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De Vos ter abandonado pelas criaturas, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De ter preferido a Vós o que é ilusão e vaidade, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De ter menosprezado as Vossas perfeições infinitas, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De ter abusado de Vossos dons e benefícios, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De ter renovado os sofrimentos de Jesus Cristo, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De ter desprezado Vossos favores e amizade, pesa-me de todo coração, meu Deus.

E somente por causa de Vós, pesa-me de todo coração, meu Deus.

Por incorrer no Vosso desagrado, pesa-me de todo coração, meu Deus.

Por ser ingrato à Vossa Bondade, pesa-me de todo coração, meu Deus.

Não pelo temor do castigo, pesa-me de todo coração, meu Deus.

Não pela esperança da recompensa, pesa-me de todo coração, meu Deus.

Não constrangidamente, pesa-me de todo coração, meu Deus.

Mas de puro amor para convosco, pesa-me de todo coração, meu Deus.

Pelo respeito devido à Vossa Majestade Suprema, pesa-me de todo coração, meu Deus.

Com o horror que Vos causam todos os pecados, pesa-me de todo coração, meu Deus.

De tudo me pesa, meu Deus, com o mesmo pesar que os santos choraram suas faltas, pesa-me de todo coração, meu Deus.

Propósito de Emenda: Porque eu Vos amo, meu Deus, prometo emendar-me, com o auxílio de Vossa graça; prometo não mais Vos ofender desde o presente; prometo evitar toda ocasião de pecar; prometo resistir a todas as tentações; prometo reprimir em mim todos os maus pensamentos; prometo preferir perder tudo quanto possuo antes de tornar a ofender-Vos; prometo preferir sofrer tudo antes que pecar; prometo morrer antes que tornar a pecar.

Rezar um Pai Nosso.

Oração: Ó Deus, que sois a fonte dos bons propósitos e das obras santas, dai-me a fortaleza de que necessito para ter um verdadeiro arrependimento de meus pecados e para emendar sinceramente a minha vida, a fim de poder alcançar de Vossa misericórdia o perdão de todas as minhas culpas. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.

3. ORAÇÃO ANTES DO EXAME DE CONSCIÊNCIA 

Senhor Deus onipotente, prostrado humildemente diante da vossa Divina Majestade, vos rendo infinitas graças por todos os benefícios que de vossa inefável bondade tenho recebido, e em particular por me terdes criado, conservado, remido e cumulado de tantos bens e favores, muitos dos quais eu ignoro. Rogo-vos, Senhor, humildemente, que vos digneis conceder-me luz abundante para conhecer todas as faltas e pecados, com que vos tenho ofendido, e graça eficaz para me arrepender e me emendar.

4. ANTES DO EXAME SE PERGUNTAR

Há quanto tempo fiz minha última confissão? Recebi absolvição? Cumpri a penitência? Deliberadamente ocultei um pecado mortal, confessei sem arrependimento verdadeiro, sem um firme propósito de correção, ou sem a intenção de cumprir a penitência? Após essa má confissão, recebi a Eucaristia em estado de pecado mortal (Comunhão sacrílega)? Quantas dessas Confissões e Comunhões sacrílegas fiz? Em estado de pecado mortal, recebi qualquer outro Sacramento?

1° MANDAMENTO: “EU SOU O SENHOR TEU DEUS, NÃO TERÁS OUTRO DEUS DIANTE DE MIM”

Pecados contra o primeiro mandamento:

Negligência na oração (distrações voluntárias, poucas orações); Ficar mais de um mês sem rezar; Ingratidão para com Deus; Preguiça na oração, na Missa ou na leitura espiritual; Ódio a Deus ou à Igreja Católica; Tentar a Deus (explicitamente ou implicitamente, ex.: expondo-se a um perigo para alma, para a vida ou para a saúde sem causa grave); Não se comportar adequadamente em uma Igreja (ex.: não fazer a genuflexão para o Santíssimo Sacramento ao entrar ou sair de uma Igreja, ficar batendo papo à toa, atrapalhar a oração e o recolhimento dos outros, soltar gargalhadas etc.); Excessivo apego a coisas ou criaturas (ex.: afeição exagerada a animais, fanatismo por esportes ou por líderes políticos e ideologias políticas, ter celebridades da TV, da música, do cinema ou das redes sociais como ídolos, ter amor pelo dinheiro, prazer ou poder); Idolatria (adorar falsos deuses bem como honrar uma criatura no lugar de Deus, como Satanás, os demônios, a ciência, os ancestrais, o país); Superstição (atribuição de poderes a uma coisa criada que não os possui); Hipnotismo (sem causa grave); Adivinhação (comunicação com Satanás, demônios, mortos ou outras práticas falsas para descobrir o desconhecido, consultar horóscopos, cartas, búzios, numerologia, tarot, astrologia, leitura da mão, ver a sorte, etc.); Atribuir importância indevida aos sonhos, presságios, destino etc.; Todas as práticas de magia (branca ou negra) ou feitiçaria (ex.: macumba, malefício, pactos com o demônios, bruxaria, vodu etc.); Usar amuletos; Jogar com quadros Ouija ou mesas giratórias (usados para tentativas de comunicação com mortos); Espiritismo (invocar ou falar com os espíritos); Sacrilégio (profanar ou tratar indignamente os Sacramentos, particularmente a Eucaristia, bem como as demais ações litúrgicas, profanar ou tratar indignamente pessoas religiosas, coisas santas, como os vasos, imagens, ícones e demais símbolos sagrados, como cruzes, rosários, medalhas, escapulários, Bíblias e crucifixos, ou ainda lugares consagrados a Deus, como igrejas, capelas, catedrais, conventos, mosteiros etc.); Sacrilégio ao receber um sacramento, especialmente a Eucaristia, em estado de pecado mortal; Simonia (comprar ou vender coisas espirituais, como bênçãos ou rosários e imagens já abençoadas); Uso profano ou supersticioso de objetos abençoados (às vezes para se manter no pecado); Materialismo prático (acreditar que se precisa somente de coisas materiais e desejar somente a elas); Humanismo ateu (que considera falsamente que o homem é um fim em si mesmo, e com supremo controle sobre sua própria história, ou completamente autônomo); Ateísmo em geral (rejeita, nega e duvida da existência de Deus, seja em teoria ou na prática, isto é, ignorando-O na vida diária); Agnosticismo (que postula a existência de um ser transcendental que é incapaz de se revelar, e sobre quem nada pode ser dito; ou não fazer nenhum julgamento sobre a existência de Deus, declarando ser impossível prová-la ou mesmo de afirmá-la ou negá-la).

Pecados contra a fé

Dúvida voluntária de qualquer artigo da fé; Ignorância voluntária das verdades da fé que devem ser conhecidas (ou seja, não procurar estudar e meditar o Catecismo da Igreja); Falar contra uma doutrina da Igreja Católica; Negligência em se instruir na fé segundo o próprio estado (o mínimo que os leigos devem saber está no Catecismo da Igreja Católica); Credulidade imprudente (ou seja, dar crédito a revelações privadas (aparições ou locutores interiores) muito facilmente ou acreditar em revelações privadas que já foram explicitamente condenadas pelas autoridades legítimas da Igreja); Apostasia (abandono completo da fé); Heresia (negar uma ou mais verdades da fé); Indiferentismo religioso (acreditar que uma religião é tão boa quanto as demais, e que todas as religiões são igualmente verdadeiras e agradáveis a Deus, ou que se é livre para aceitar ou rejeitar uma ou todas as religiões); Ler ou fazer circular livros ou escritos contrários à fé católica; Ouvir música cuja letra é explicitamente contrária à fé católica; Permanecer em silêncio quando questionado sobre a própria fé; Tomar parte em um culto herético (ex.: protestante), cismático (ex.: ortodoxo – exceto se não há uma Igreja Católica a uma distância razoável, como em países estrangeiros e no entanto há uma Igreja Ortodoxa próxima, desde que haja a autorização de um bispo católico devido à gravidade da situação) ou apóstata (ex.: candomblé, umbanda, budismo, islamismo, hinduísmo, neopaganismo, satanismo, maçonaria etc.); Ouvir a pregação de uma falsa religião; Aderir ou apoiar grupos maçônicos ou outras sociedades proibidas (teosofia, Rosa Cruz, Rotary Club, Lion’s etc.).

Pecados contra a esperança

Desespero da misericórdia de Deus (desistir de toda esperança de salvação e dos meios necessários para ser salvo – não confundir com o mero desânimo); Falta de confiança no poder de Sua Graça para apoiar-nos nas dificuldades ou na tentação; Não recorrer a Deus e aos santos nos momentos de tentação; Nenhum desejo de possuir a felicidade eterna no paraíso ou após a vida terrena; Presunção (esperar pela salvação sem a ajuda de Deus ou pressupor a misericórdia de Deus sem o arrependimento); Presunção da eficácia de práticas de piedade (ex.: rezar o terço, usar medalhas ou o escapulário ou fazer o ato de contrição) para lavar o pecado sem o arrependimento; Recusa de qualquer dependência de Deus.

Pecados contra a caridade

Ficar muito tempo sem fazer um ato de caridade (ou seja, uma obra de misericórdia corporal ou espiritual), particularmente em momentos de necessidade – as obras de misericórdia são catorze: 1. dar de comer aos famintos, 2. dar de beber aos sedentos, 3. abrigar os peregrinos, 4. vestir os nus, 5. visitar os enfermos, 6. visitar os presos, 7. enterrar os mortos, 8. ensinar os ignorantes, 9. dar bom conselho, 10. corrigir os que erram,  11. perdoar as injúrias, 12. consolar os tristes, 13. sofrer com paciência as fraquezas do próximo, 14. rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos; Egoísmo; Revolta (mesmo em pensamento) contra Deus; Jactância, orgulho do próprio pecado ou alardear o próprio pecado; Violar a lei de Deus ou omitir boas obras por temor do julgamento alheio; Impaciência diante das adversidades e provações.

2° MANDAMENTO: NÃO TOMARÁS O NOME DO SENHOR TEU DEUS EM VÃO

Pecados contra o segundo mandamento:

Desonra de Deus por uso profano ou desrespeitoso de Seu Santíssimo Nome (o Tetragrama YHWH – que significa “EU SOU AQUELE QUE É” (cf.: Êxodo 3,14), do Nome da Santíssima Trindade (Pai e Filho e Espírito Santo, em qualquer uma das Três Pessoas Divinas); do Santíssimo Nome de Jesus, do Santíssimo Nome de Maria, dos nomes todos os santos e do nome dos anjos fiéis a Deus; Blasfêmia (insultar a Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja Católica, a Bem-aventurada Virgem Maria ou os santos por palavras ou por gestos); Ouvir músicas blasfemas; Perjúrio – significa prometer algo sob juramento sem ter a intenção de cumpri-lo, ou quebrar uma promessa feita sob juramento; Fazer juramentos falsos ou desnecessários (chamar a Deus como testemunha a uma mentira ou a uma banalidade); Amaldiçoar a si mesmo ou a outros; Murmurar, reclamando das disposições da Providência Divina; Quebrar votos ou promessas feitas a Deus; Irreverência na Igreja, falando durante a Missa ou em uma Igreja sem razão suficiente ou distrair os demais; vestindo-se de forma inapropriada na Igreja, ou por qualquer outro comportamento impróprio como ficar vendo ou usando o celular durante a Missa sem razão grave.

3° MANDAMENTO: LEMBRA-TE QUE DEVES SANTIFICAR O DIA DO SENHOR

Pecados contra o terceiro mandamento:

Omissão da oração e do culto divino no Domingo e nos Dias Santos de Guarda (ver quais são abaixo); todo trabalho desnecessário e tudo que impede a santificação do Dia do Senhor; abrir o próprio Comércio desnecessariamente, isto é, comprar e vender nos Domingos e nos Dias de Guarda; Profanar estes dias, por frequentar companhia impiedosa, com diversões pecaminosas, jogos de azar, dança indecente, excessos com bebida, passar o Domingo inteiro vendo TV, filmes em streaming, Internet ou redes sociais etc.

4° MANDAMENTO: HONRA TEU PAI E TUA MÃE

Pecados contra o quarto mandamento:

Para os pais

Odiar os filhos; Amaldiçoar os filhos; Dar escândalo a eles ao praguejar, beber, usar drogas etc.; Deixar que cresçam na ignorância, indolência ou pecado; Demonstrar parcialidade habitual para com os filhos sem causa grave; Adiar sem necessidade grave o batismo de uma criança; Negligência no cuidado da saúde corporal, na instrução religiosa, com relação quanto às companhias com que andam, aos livros que leem, às diversões que frequentam etc.; Não corrigir quando necessitam; Ser duro ou cruel nas correções; Enviar os filhos para escolas protestantes, esotéricas, anti-católicas etc.; Negligência em conduzi-los à Missa aos Domingos e Dias Santos de Guarda e na recepção dos sacramentos.

Para os filhos

Toda forma de raiva ou aversão contra os pais e demais superiores legítimos; Desdenhar os pais; Desejar algum mal a eles; Ameaçá-los ou levantar a mão contra eles; Afligir os pais por ingratidão ou má conduta; Provocá-los à raiva; Ofendê-los; Insultá-los; Não ajudá-los em suas necessidades; Desprezo ou desobediência às suas ordens legítimas (sobretudo quanto às más companhias e diversões e quanto aos deveres de estado, como estudo).

Maridos e esposas

Maltrato (isto é, tratar o cônjuge sem consideração pelo bem-estar dele e sem preocupação com a caridade);.Colocar obstáculos ao cumprimento de seus deveres religiosos; Negar ao cônjuge relações sexuais sem motivo grave; Falta de paciência quanto às faltas um do outro ou dureza quanto a elas; Ciúmes despropositados; Negligência nos deveres domésticos; Mau humor, aborrecimento sem motivo; Palavras injuriosas; Negligências na busca de meios seguros de sustento da família por causa de preguiça ou timidez.

Súditos da Igreja e do Estado

Desrespeitar e desobedecer aos superiores espirituais, como o Papa, os bispos e os padres da Igreja em suas ordens legítimas; comportar-se de maneira soberba e insultante em relação a eles; recusar a rezar por eles, ou pela conversão deles; Deixar de rezar pelo próprio país, pelo seu governo; Colocar o país acima de Deus; Tomar parte em questões subversivas (atividades revolucionárias); Juntar-se a alguma associação comunista, socialista ou liberal (iluminista); Resistir às autoridades legais do país, tomando parte em alguma violência de multidão, ou perturbando a paz pública; Votar em partidos comunistas ou socialistas.

Para os empregadores

Não permitir aos empregados tempo razoável para o cumprimento dos deveres e instrução religiosos nos Domingos e Dias de Guarda, obrigando-as a trabalhar sem necessidade (como num estabelecimento comercial, por exemplo); Dar mau exemplo a eles ou permitir que outros o façam; Não pagar os salários legais; Não cuidar deles na doença; Demiti-los arbitrariamente sem causa; Imposição de políticas desproporcionais.

Para os empregados

Desrespeito aos empregadores; Falta de obediência em matéria que se tenha obrigado a obedecer (por exemplo, cumprindo um contrato justo); Perda de tempo (sobretudo com Internet e em redes sociais); Negligência e desídia no trabalho; Gasto de propriedade do empregador por desonestidade, por falta de cuidado ou por negligência; Violar políticas do local de trabalho sem razão grave.

Para profissionais ou servidores públicos

Falta de conhecimento culpável no que se refere aos deveres do ofício ou profissão; Negligência na execução de tais deveres; Injustiça ou parcialidade.

Para os professores

Negligência no progresso daqueles confiados ao seu cuidado; Punição injusta, inconsiderada ou excessiva;Parcialidade; Mau exemplo; Ensino de máximas falsas ou incertas (ensinar coisas falsas como verdadeiras).

Para os estudantes

Desrespeito; Desobediência; Teimosia; Indolência, preguiça; Perda de tempo com distrações inúteis (festas e recreações indevidas, ex.: Internet, redes sociais, televisão, streaming).

Para todos

Desprezo das leis justas do Estado e do país bem como da Igreja; Desobediência à autoridade legítima; Desobediência das leis civis.

5° MANDAMENTO: NÃO MATARÁS

Pecados contra o quinto mandamento:

Causar morte ou lesão física de alguém por ação própria, participação, instigação, conselho, consentimento ou silêncio; Ter a intenção de matar alguém; Assassinato; Realizar um aborto; Abortar, ajudar alguém a procurar um aborto (obs.: abortar, praticar ou ajudar em um aborto incorre em excomunhão automática, se o aborto se consumar); Eutanásia; Suicídio Assistido; Retirar os meios ordinários (como hidratação e nutrição) de sobrevivência de um paciente terminal ou em agonia; Suicídio voluntário; Tentativa de suicídio; Consentir e cultivar pensamentos suicidas; Planejar suicídio; Brigar com os outros; Cultivar rixas, dissensões e polêmicas inúteis; Ter ódio ao próximo; Desejar vingança; Torturar seres humanos ou animais; Gula (beber ou comer em excesso); Embriaguez; Abuso de drogas lícitas, como álcool, cigarros ou medicamentos; Uso de drogas ilícitas, como maconha, cocaína, crack, êxtase, LSD, heroína etc.; Colocar em perigo a vida dos outros (como beber e dirigir, dirigir muito rápido, dirigir alcoolizado etc.); Colocar em risco a própria vida ou um membro do corpo sem uma razão suficiente (por exemplo, dirigir em alta velocidade e/ou alcoolizado, realizar acrobacias arriscadas, jogar roleta russa, etc.); Descuido em deixar expostos venenos, drogas perigosas, armas, para crianças ou animais etc.; Mutilação do corpo (ex.: castração sem razão grave como câncer ou mastectomia sem razão grave, apenas por estética, por risco remoto de câncer ou por redesignacão sexual); Automutilação; Cirurgias de Redesignação Sexual (popularmente conhecidas como “mudança de sexo”); Vasectomia, laqueadura ou outro procedimento para evitar os filhos (trata-se de pecado mortal – é preciso buscar a reversão da cirurgia, se ainda existe a possibilidade de fertilidade); Histerectomia (sem causa grave como câncer ou mesmo tumores benignos); Inseminação artificial ou fertilização in vitro ou algo semelhante (trata-se de pecado mortal); Pesquisas científicas em células-tronco embrionárias; Mau exemplo ou escândalo, levando outros a pecar; Desrespeito aos agonizantes ou aos mortos; Não tentar evitar a guerra; Desejar a guerra; Apoiar a pena de morte ; Apoiar as penas cruéis (como a prisão perpétua, a castração química e o banimento); Mostrar aversão ou desprezo pelos outros; Recusar falar com outros quando cumprimentado; Ignorar ofertas de reconciliação, especialmente entre parentes; Não perdoar o próximo; Zombar e escarnecer do próximo; Insultos; Ações ou palavras irritantes; Tristeza pela prosperidade alheia; Alegrar-se pela miséria alheia; Inveja pela atenção dada aos outros; Comportamento tirânico na família, no trabalho ou na comunidade religiosa; Descuidar da própria saúde; Dar álcool aos outros sabendo que irão abusar dele; Vício em jogos de azar (gravíssimo se coloca em perigo o sustento próprio ou da família); Tomar contraceptivos que podem ou não ser abortivos (trata-se de pecado mortal); Uso de métodos profiláticos ou de barreira para evitar a gravidez (mesma observação do pecado precedente); Utilizar métodos naturais para evitar filhos possuindo uma mentalidade contraceptiva; Praticar maus tratos em animais; Matar animais sem razão grave (alimentação, legítima defesa etc.).

6° MANDAMENTO: NÃO COMETERÁS ADULTÉRIO

Mencionar as circunstâncias que podem agravar a natureza do pecado: o sexo da outra pessoa, o parentesco, o estado (próprio e do outro) de casado, solteiro ou vinculado a um voto. Exemplo: a fornicação com uma pessoa do mesmo sexo é mais grave do que com uma pessoa do sexo oposto, o adultério com uma pessoa casada é mais grave do que com uma pessoa solteira; a fornicação de um homem com sua irmã é mais grave do que com uma prima, a fornicação de um homem com uma prima é mais grave do que uma mulher não familiar etc.

OBS.: TODOS OS PECADOS CONTRA O SEXTO E O NONO MANDAMENTO SÃO PECADOS MORTAIS. SÃO GRAVÍSSIMOS OS PECADOS CONTRA A NATUREZA.

Pecados contra o sexto mandamento:

Impureza e vulgaridade nas palavras, nos olhares e nas ações, seja sozinho ou com outros; Contar ou ouvir piadas indecentes; falar ou ouvir (consentindo) coisas indecentes, ou com duplo sentido; Vangloriar-se da própria indecência; Utilizar roupas vulgares (minissaias, calças apertadas, decotes arrojados, blusas e saias transparentes, biquínis, etc.); Comprar, alugar ou assistir filmes, programas de TV ou ler livros, revistas, sites e redes sociais indecentes (não somente pornografia, mas também tudo que contenha impurezas); Expor-se voluntariamente a ocasiões de pecado por curiosidade pecaminosa, por manter companhia perigosa, por frequentar locais perigosos, ir a diversões perigosas ou pecaminosas; por danças ou jogos indecentes; por familiaridade indevida (sendo casado, consagrado ou sacerdote) com pessoas do sexo oposto; Viver maritalmente com alguém sem ser casado; Ser tentação para os outros, pelo modo de falar, de se comportar, de se vestir, ou insinuando-se; Ouvir música indecente; Masturbação; Onanismo (coito interrompido por masturbação, com ejaculação fora do corpo da mulher); Fornicação (sexo antes do casamento); Prostituição; Pecados contra a natureza: sexo anal (inclusive em mulheres e dentro do casamento); sexo oral (mesmo dentro do casamento como consumação do ato sexual e não como carícia preliminar); sodomia (práticas homossexuais); bestialidade (sexo com animais); necrofilia (sexo com pessoas mortas); Perversões sexuais em geral (como sadomasoquismo etc.); Adultério (inclusive em pensamentos, e práticas como swing, menáge à trois, troca de casal etc.); Divórcio; Poligamia (inclusive formar trisais, quadrisais etc.); Incesto (fornicação com familiares); Abuso sexual; Estupro; Beijo sensual, prolongado sem intenção de consumar o ato sexual; Carícias e/ou preliminares fora do casamento ou dentro do casamento mas sem a intenção da consumação do ato conjugal natural, com perigo de ejaculação (equivale a onanismo, coito interrompido); Negar a relação sexual ao cônjuge sem razão grave (como doença ou fadiga extrema); Danças vulgares e indecentes; Namorar sem guardar a pureza e a fé; Namorar sem intenção de casar-se.

7° MANDAMENTO: NÃO ROUBARÁS

Quanto aos pecados contra a justiça, é preciso dizer ao sacerdote – o mais exatamente possível – o valor do que foi furtado/roubado, ou a quantidade dos danos causados pela sua injustiça. Dizer se já restituiu e se é possível restituir.

Pecados contra o sétimo mandamento:

Roubo; Pequenos furtos (por exemplo, tomar coisas do lugar de trabalhos às quais não se tem direito ou tomar dinheiro de um membro da família sem sua permissão); Trapacear; Plagiar; Quebrar os direitos autorais; Manter consigo objetos emprestados ou perdidos sem fazer uma tentativa razoável de restituir a propriedade alheia; Possessão de bens ilícitos; Aconselhar ou pedir a alguém que prejudique outra pessoa ou danifique seus bens; Danificar (por descuido ou malícia) a propriedade alheia; Ocultação de fraude, roubo ou dano quando se tem dever de dar a informação; Sonegação de impostos ao não pagar os impostos justos; Fraude comercial; Desonestidade na política, nos negócios etc.; Não pagar dívidas justas no tempo correto e não fazer os esforços e sacrifícios necessários nesse sentido, por exemplo, juntando gradualmente a quantia devida; Não fazer, quando possível, a reparação ou compensação a alguém que esteja sofrendo por danos injustos; Aumentar os preços tirando proveito da ignorância ou necessidade alheia; Usura (emprestar dinheiro a altos juros a alguém em dificuldade financeira); Especulação na qual alguém planeja manipular artificialmente o preço dos bens para levar vantagem com prejuízo dos demais; Corrupção na qual alguém influencia o julgamento daqueles que devem decidir em questões legais; Aceitar suborno ou oferecer suborno; Apropriação e uso de bens comuns de uma empresa para propósitos privados; Trabalho mal feito; Pagar salários injustos ou desprover um empregado de benefícios devidos; Falsificação de cheques e faturas; Aplicar golpes financeiros; Emitir cheques sem fundos; Ter despesas e gastos excessivos; Não manter promessas ou acordos contratuais (sendo os compromissos moralmente justos); Jogar e apostar (privando-se dos meios necessários de vida para si ou para outros); Gasto excessivo ou desnecessário de bens, recursos, dinheiro ou fundos.

8° MANDAMENTO: NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO CONTRA O TEU PRÓXIMO

Pecados contra o oitavo mandamento:

Mentir (especialmente se a mentira chegou a prejudicar alguém gravemente); Dizer palavrões, grosserias; Vangloriar-se de si mesmo; Lisonja; Hipocrisia; Exagero; Ironia; Sarcasmo; Dano injusto (sem ter justa causa) ao nome alheio seja pela revelação de faltas verdadeiras escondidas (detração); revelação de falsos defeitos (calúnia ou difamação); contando histórias ou espalhando rumores; Criticar os outros, escutar com prazer os outros sendo criticados; Fazer fofocas; Desonrar injustamente outra pessoa em sua presença (injúria); Julgamento precipitado (acreditar firmemente, sem razão suficiente, que alguém possui um defeito moral ou fez algo errado); Revelar segredos; Publicar (sem causa proporcionalmente grave) segredos que causem descrédito aos outros, mesmo se for verdade; Recusar ou demorar em restituir o bom nome que foi manchado; Acusações sem fundamento; Suspeitas infundadas; Julgamentos precipitados sobre os outros em nossa própria mente.

9° MANDAMENTO: NÃO COBIÇARÁS A MULHER DO PRÓXIMO

O nono mandamento proíbe todo pensamento e desejo impuro com os quais nos deleitamos deliberadamente, pensando neles voluntariamente ou consentindo neles de bom grado quando tais paixões ou pensamentos impuros vêm à nossa mente. Se deleitar deliberadamente ou consentir em qualquer pecado listado no sexto mandamento tem a mesma gravidade de executá-lo.

10° MANDAMENTO: NÃO COBIÇARÁS OS BENS DE TEU PRÓXIMO

Pecados contra o décimo mandamento:

Inveja (desejar os bens dos outros); Ciúmes (zelo para manter um bem querido longe dos outros); Ganância e o desejo sem limites de ter bens materiais (avareza); Desejo de enriquecer a qualquer custo; Negócios ou profissões que esperam circunstâncias desfavoráveis aos outros para que possam assim lucrar pessoalmente com isso; Inveja dos sucessos, talentos, bens espirituais ou temporais alheios; Desejar cometerinjustiça prejudicando alguém para obter seus bens; Alegrar-se ou consentir nos pecados contra o sétimo mandamento.

OS MANDAMENTOS DA IGREJA

Além dos Dez Mandamentos da Lei de Deus, os fiéis são também obrigados a seguir os mandamentos da Igreja.

1° MANDAMENTO: ASSISTIR À MISSA TODOS OS DOMINGOS E NOS DIAS SANTOS DE GUARDA

São nove os dias de guarda no Brasil, já que o dia de São José (19 de março) não o é. Muitos desses dias são transferidos para o Domingo seguinte, pelo fato de não haver feriado civil.

Natal do Senhor (25 de dezembro); Maternidade Divina da Bem-aventurada Virgem Maria (1º de janeiro); Epifania (6 de Janeiro – no Brasil, transferido para o Domingo seguinte); Ascensão (quarenta dias depois da Páscoa – no Brasil, transferido para o Domingo seguinte); Corpus Christi (Quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade); Apóstolos Pedro e Paulo (29 de junho – no Brasil, transferido para o Domingo seguinte); Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria (15 de agosto – no Brasil, transferido para o Domingo seguinte); Todos os Santos (1º de novembro – no Brasil, transferido para o Domingo seguinte); Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria (8 de dezembro).

A Igreja nos obriga a nos abster de todo trabalho servil nos Dias Santos de Guarda, como nos Domingos, na medida do possível. Os católicos que devem trabalhar nos Dias Santos de Guarda são obrigados a assistir à Missa, exceto por uma causa grave. Esse mandamento também é violado ao chegar atrasado à Missa sem razão grave.

2° MANDAMENTO: JEJUAR, ABSTER-SE DE CARNE E FAZER PENITÊNCIA NOS DIAS PRESCRITOS

A lei da abstinência vigora dos 14 anos de idade até o fim da vida. A lei do jejum vigora dos 18 aos 59 anos.

Jejuar significa comer menos comida do que normalmente se come. Nos dias de jejum, é permitido comer uma refeição completa e duas outras menores que, juntas, não passem a quantidade de uma refeição completa. Há diversas formas de jejum autorizadas pela Igreja. Os dias de jejum obrigatório são a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa.

Nos dias de abstinência, é proibido comer carne. Os dias de abstinência são: todas as sextas-feiras do ano e a quarta-feira de cinzas. No Brasil, a abstinência pode ser comutada (salvo na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa) por outras formas de penitência, principalmente em obras de caridade e exercícios de piedade, como rezar um terço (para quem não o faz diariamente), a Via Sacra, visitar os doentes ou presos, etc. O mais aconselhável é guardar a abstinência.

3° MANDAMENTO: CONFISSÃO DOS PECADOS MORTAIS AO MENOS UMA VEZ AO ANO

A Igreja insta-nos a confessar-nos frequentemente, mas nos obriga a fazê-lo somente uma vez por ano para admoestar aqueles que pensam ter a presunção da misericórdia de Deus, o que é um pecado contra o Espírito Santo (ou seja, que não tem perdão, leva ao Inferno). 

4° MANDAMENTO: RECEBER A EUCARISTIA DURANTE O PERÍODO DA PÁSCOA

O período da Páscoa para a comunhão pascal começa na Quinta-feira Santa e termina no Primeiro Domingo depois de Pentecostes (Solenidade da Santíssima Trindade). Entretanto, após ter recebido a Primeira Comunhão, é fortemente recomendado que se receba este Sacramento frequentemente durante a vida (mesmo diariamente, se possível).

5° MANDAMENTO: CONTRIBUIR PARA O SUSTENTO DA IGREJA

Prestar, na medida das próprias possibilidades, auxílio financeiro às necessidades materiais da Igreja (através de dízimos e/ou ofertas).


quarta-feira, 13 de junho de 2012

A crise da Europa, crise do humano

O que é a Europa?

A Europa é fruto de um sonho humano, o desejo da universalidade. Em nome desse desejo, entremeado a todas as paixões humanas, e a todas as sedes de poder e de domínio, se construiu a helenização do mundo, do ponto de vista cultural, e a formação do Império Romano, do ponto de vista político. O próprio imperador, quando conquistava uma terra nova, lá proclamava o "evangelho" (sim, "evangelho" é uma palavra grega que significa "boa notícia"). A "boa notícia" trazida pelo imperador era a paz, a "pax romana". Não é à toa que o imperador romano se proclamava o "salvador de todo o universo". Roma conseguiu unificar uma inumerável miríade de povos, culturas, raças e línguas, trazendo realmente a paz, porque todos os povos estavam subjugados e a unidade estava garantida pelo domínio do imperador. Todo esse império era mantido e regido pelo Direito. O encontro com o cristianismo veio tornar pleno esse desejo de universalidade, pois a razão grega aliada ao direito e à política romana vieram a realizar-se plenamente naquilo que ficou conhecido como "o cristianismo", ou "a Igreja". De fato, a Igreja levou a cabo assimilação da razão grega e do direito romano, e devemos confessar a nós mesmos, que toda a nossa filosofia e ciência, e também o nosso direito descendem diretamente do pensamento grego e da política romana. Como disse o papa Bento XVI, na Alemanha, em 2011, "desse tríplice encontro nasceu a Europa".

A Europa é um patrimônio da humanidade. Ela se aproxima do ideal de universalidade que desde tempos imemoriais habita a humanidade, desde que ela foi dispersa na Torre de Babel. As Nações Unidas, e toda a parafernália internacional, não passam de um arremedo daquilo que, aos longo dos tempos foi naturalmente se cristalizando, até formar a Europa.

Hoje, a Europa renega a si mesma. Tem uma crise de identidade. Não sabe mais quem é. Renega a razão, afirmando o relativismo e o consequente ceticismo, para o qual é impossível chegar a uma certeza. Se não é possível uma certeza sobre a vida, vence o niilismo, "a dança sobre o vazio", como já profetizava Nietzsche, cem anos atrás. A Europa renega o Direito, e hoje vê-se isso claramente no triunfo da ideologia de gênero, que nega a natureza, e consequentemente o Direito Natural, e também na ascensão dos chamados "novos direitos" (ou "direitos de quarta geração"), como o direito irrestrito ao aborto, à eutanásia, aos "same sex marriage", nos quais os desejos erigem-se em critérios normativos do ordenamento social, onde a "lógica" passa a ser o relativismo e a detenção do poder no momento. Mais do que tudo, a Europa renega o encontro com o cristianismo. Renega as raízes cristãs. Tem vergonha do cristianismo. Para a maioria dos europeus, vive-se completamente "sem Jesus depois de Jesus". O ateísmo domina, e a vida torna-se cada vez mais absurda e cínica, completamente sem sentido. O mundo torna-se, como também profetizou Shakespeare "uma fábula contada por um idiota num acesso de raiva".

A atual crise econômica é uma crise do humano, como já antecipava Bento XVI, uma crise antropológica. É o europeu que está em crise. Mais ainda, não é uma mera crise europeia, é uma crise ocidental, já bem apresentada na trilogia O Declínio do Império Americano, As Invasões Bárbaras e A Idade das Trevas (no Brasil,  "L'âge des Tenèbres" pessimamente traduzido como A Era da Inocência). Hoje fala-se em "crise de confiança". De fato, a Europa se firmou como uma sociedade da confiança. O outro homem não é o lobo do homem contra o qual é necessário erigir o Estado para nos defender, mas o outro é um ser dotado de razão, como descobriram os gregos, que vive numa sociedade política administrada segundo o Direito, como descobriram os romanos. E mais ainda: o outro é o próximo. O próximo debaixo do qual se esconde uma positividade, ainda que muitas vezes mascarada por uma série de circunstâncias que podem degradá-lo e desfigurá-lo. Com este próximo pode-se viver, fazer acordos (política), e tecer contratos (economia), que supõe-se deverão ser respeitados. 

Uma crise de confiança é uma crise de confiança em quem? Antes de mais nada no homem, mas além disso, configura-se uma crise de confiança na realidade, que se expressa de forma concreta como uma desconfiança e medo generalizado e difuso,  na economia e na política, e sobretudo nos relacionamentos. Não confiam-se mais nos políticos. Nada se espera mais do mercado. Os relacionamentos são cada vez mais líquidos. A salvação, quando ainda é esperada, projeta-se em ideologias, que na verdade não passam de miasmas coagulados, fantasmas sem nenhum fundamento na realidade. Exatamente como o dinheiro fictício que circula nas bolsas de valores do mundo, que não têm nenhum lastro no mundo real, dinheiro fundamentado em dívidas, podre na verdade. Uma vida assim é uma "vida a crédito", como dizia o filósofo polonês Zygmunt Bauman, onde os desejos são mercantilizados e a ideologia da dívida é a esperança de que certos bens materiais possam preencher o vazio infinito dos nossos desejos.

Tudo isso revela, na verdade, uma falência e um grande não. A realidade desmente todos os ideólogos que quiseram enjaulá-la em suas gaiolas de ferro, em seus bunkers irrespiráveis. Para onde olhar? Estamos no fio da navalha entre o niilismo mais abjeto e a verdadeira esperança. Um fato é um acontecimento irredutível, é um ponto de não-retorno, marca-nos de forma a que não mais possamos voltar ao que era antes, é uma verdadeira reação química, uma alquimia, de tal forma que os elementos se transmutaram de tal forma que não podem mais voltar a ser como eram antes. O sonho idílico do retorno à Antiguidade não marcada pelas "trevas" da Idade Média é impossível. Fomos marcados de tal forma pelo acontecimento cristão que se colou de tal forma às nossas entranhas, que por mais que nos esforcemos para viver "sem Jesus depois de Jesus", no fundo, no fundo, não o conseguiremos, porque estamos marcados. E essa é a nossa esperança. Um fato irredutível. A razão descoberta pelos gregos, o direito romano e o acontecimento cristão. Essa tríade marcou a humanidade, e marca ainda hoje. Voltar novamente o olhar, converter-nos para o que aconteceu e acontece ainda hoje, é a única esperança para a Europa, essa expressão maravilhosa do quão grande é o coração do homem.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A intercessão de Bruno Tolentino

Há várias semanas, fui visitar o Bruno Tolentino no seu túmulo, pela primeira vez. Tomei um choque logo que cheguei porque, na sua humílima lápide está escrito assim um epitáfio à Mãe de Deus: "Vem!" Fiquei muito impressionado, na verdade, petrificado quando li aquilo: "Vem!", porque pouco tempo antes tinha lido de Dom Giussani que toda a santidade está na palavra "vem", mais do que em qualquer moralidade ou em qualquer estar à altura, mas na palavra "vem". No "vem" está toda a santidade, a tal ponto que o próprio Dom Giussani diz que "o homem que rezar o Veni Sancte Spiritus, veni per Mariam trezentas vezes por dia, será feliz!".

E ali, topo eu com este epitáfio, que tem me dominado e acendido a minha confiança e a minha súplica contínua à Nossa Senhora, que me foi um contragolpe, uma oração belíssima à Mãe de Deus:

"Vem, desperta, 
matriz da eternidade e d’O sem-fim,
ó mãe de Deus, canta e roga por mim"

Rezei um terço pelo Bruno Tolentino e rezei por mim também. E tenho percebido sua intercessão em minha vida! Que coisa impressionante perceber a comunhão dos santos! Pode parecer uma loucura estar dizendo isso, mas no meu desejo contínuo de retomar a minha vida intelectual, e no ver isso acontecer cada vez mais, mesmo paulatinamente, tenho reconhecido a presença e a intercessão de Bruno Tolentino! Que ele e a Mãe de Deus roguem por mim! 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O yorkshire e o Natal


Há alguns dias, recebi uma mensagem de uma amiga me alertando sobre o estardalhaço que a mídia fez com o cão Titã, enterrado vivo pelo próprio dono há mais de uma semana. E eu realmente levei isso em consideração, a tal ponto que ontem, quando vi o que uma enfermeira de Goiás fez com o seu cão yorkshire, simplesmente não acreditei, tal era a estapafúrdia da situação, achando que era sensacionalismo fake. Procurei ver em sites mais "sérios", mas ontem só aparecia algo na mídia indie. Na mídia "oficial" não havia nada. Hoje, pela manhã, já havia a matéria no Yahoo! e no UOL, e o delegado da cidade onde a meliante reside e executou o seu crime confirmou o óbito do cão por maus-tratos; assassinato, ora pois.

Há algum tempo, tinha dado um time neste blog, porque como diz a grande Rose Busyinge, de Uganda, "neste mundo se fala demais, e é necessário ver", e a mim não é difícil falar nem palpitar. Sou filho da cultura do palpite, como diria o grande poeta Bruno Tolentino, e não tenho vergonha de confessar minha ignorância e estupidez. E fiz isso calando-me. Como gosto de divulgar, passei a espalhar aquilo que eu achava que era bom, como muitos textos (um dos últimos este sobre o Natal, de Marco Montrasi http://passos.tracce.it/default.asp?id=411&id_n=2569). Mas nas últimas semanas, muitos fatos conexos entre si e ao mesmo chocantes me levaram a me indignar e a querer escrever essas poucas linhas.

É chocante ver cães sendo arrastados pelas ruas amarrados a carros, enterrados vivos, espancados até a morte. Sinal evidente de que algo há de errado com as pessoas, sejam por fazerem estas coisas, seja por não se indignarem e se chocarem com elas. No meio disso tudo, a coisa mais inteligente que eu li foi a seguinte: "Para que cria? (o bicho)". O que me impressionou, nestes dias, é perceber como o mal é patético e grosseiro, grotesco, porque essas atitudes são estúpidas. Quem obriga essas pessoas a terem esses cães? Quem os obrigou a criá-los? Ou por que matá-los com tais requintes de crueldade? Poderiam simplesmente dar um veneno, mas não: aqui evidencia-se o prazer do mal, de infligir dor e tortura.

 Realmente, existe algo de errado no ser humano, algo de muito errado, diria Chesterton. A Igreja fala em pecado original. Porque não deve ser normal sentir prazer na dor do outro. Mas as coisas estão assim. Como diria o grande Renato Russo: "vivemos num mundo doente". Graças a Deus que o Natal, uma criança presente nos lembra que nem tudo são trevas, que a realidade é mesmo ocasião de novidade, e remédio para essa doença mortal que nos atinge. Como é bom poder respirar e sair do bunker, no qual pobres animais são arrastados, enterrados vivos e espancados até a morte!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu e o Espírito Santo


Está se aproximando a festa de Pentecostes, que é a festa de aniversário da Igreja. Gosto muito desta festa e gostaria aqui de falar da minha relação com o Espírito Santo. Poderia aqui tentar explicar quem é o Espírito Santo, mas estou cheio de desejo de falar quem é o Espírito Santo em minha vida, Quem é aquele que desde pequeno me prefere, que me chama, que me ama, que vem quando eu O chamo, que me defende, que me consola, que é a minha força, meu sustento, meu amparo, e acima de tudo, minha vida, Aquele que vai comigo aonde quer que eu vá, que Se mostra de mil formas, e que nunca me deixa sozinho, que é verdadeiramente, o Pai dos pobres, o meu Advogado, o meu Defensor, o meu Consolador!

Para mim, o primeiro sinal de que o Espírito Santo tem uma preferência especial por mim é o fato de eu conhecer Jesus desde a minha infância. Desde pequeno, eu lia a Bíblia para crianças em casa, o Evangelho em quadrinhos, de uma tia minha que deu para minha mãe... eu era um capetinha na escola, mas quantas vezes ficava escondido lendo a Bíblia para crianças?... não sei explicar o como e nem o porquê, mas desde pequeno Jesus sempre me atraiu. Ou então um disco que o meu pai comprou para mim intitulado "Natal das crianças", que até hoje me comove...

Eu comecei a sentir atração pelo Espírito Santo quando era criança ainda. Lendo os Atos dos Apóstolos na Bíblia para crianças, eu vi uma imagem do Pentecostes: um monte de gente numa casa com línguas de fogo na cabeça! Até hoje eu me comovo pensando nisso, mas naquele dia eu queria aquelas línguas de fogo sobre mim... meu Deus, depois eu descobri que desde menino eu já desejava Deus, o Espírito Santo! Isso não foi iniciativa minha, eu era uma criança, era já o Espírito me fazendo desejá-lO e pedi-lO. Depois fiz a minha primeira comunhão "brigado" com minha mãe, pois ela não queria que eu fizesse... quando eu penso nisso tudo, às vezes eu levo um susto, porque nada disso é óbvio!...

Os anos se passaram e este frescor da minha infância cessou na adolescência, mas isso não foi o fim, porque, como diz Santa Terezinha em História de uma Alma: "o destino de um homem se resolve nos seus primeiros doze anos". Vários anos depois saí de Itabuna, no interior da Bahia, onde morava, e fui à Salvador para estudar. As dificuldades de me separar da minha família pela primeira vez começaram a cavar o meu coração, a provocar a exigência de significado, da razão para viver e para estudar. Tudo isso começou a fazer surgir em mim um buraco que só o próprio Infinito poderia preencher. Foi muito importante para mim a amizade com uma menina do cursinho que só fazia rir. Me provocava o fato desta menina só viver a dar risada. Esta alegria de viver me atraiu. Reencontrei o cristianismo assim: no sorriso de uma menina no Sartre, no ano 2000! Ela, da Igreja Batista, muito amiga de outra, católica praticante! O cristianismo acontecia ali, no Sartre! Depois disso, passei por um período confuso, mas alguns meses depois, reencontrei esse mesmo sorriso no rosto de um homem que me acolheu do jeito que eu era, Padre João Carlos, hoje Dom João Carlos Petrini, bispo auxiliar de Salvador!

Comecei a me envolver com os amigos dele que se tornaram meus amigos também: descobri que estes amigos são o rosto do Espírito Santo para mim! Foi Ele que me fez encontrá-lOs, que me fez descobrir a mim mesmo, que re-configurou o meu rosto, que, de um menino atormentado e confuso, fez de mim um homem em paz e cheio de amor (sem pieguice), que, de um menino solitário, fez de mim um homem com amigos no mundo inteiro, que me faz ficar em paz mesmo com os meus erros, porque Ele me perdoa, me faz ficar em paz, porque estou caminhando e Ele nunca me abandona! Ele me é fiel, eu O traio, mas Ele me é fiel! Ele me é fiel porque É fiel a Si mesmo, porque Ele me escolheu, e as Suas escolhas são irrevogáveis! Por isso, Ele nunca vai me abandonar! O encontro aonde quer que eu vá, desde lá nos Estados Unidos, quando me perdi indo parar no meio da Carolina do Norte e Ele me reconduziu à Nova York, e também em Pirambu, no interior de Sergipe, quando vou visitar meu amigo, o padre João.

Seria preciso não um post, mas um livro para dizer tudo o que o Espírito Santo tem feito por mim! Por isso, confio nEle, O amo, O peço e O espero. Como Ele é o maior dom que Deus pode nos dá, todo dia boto o meu joelho no chão e invoco o Espírito Santo, para que Ele encha o meu coração de amor, de alegria, de sabedoria, de fortaleza! Eu sou fraquíssimo, por isso eu peço sempre: "Vem!"