domingo, 21 de novembro de 2010

O Papa e a camisinha

Acordo hoje e leio as matérias "O Papa liberou a camisinha!" A Folha silencia a notícia quase como uma "revolução interna na Igreja Católica". Eu li um comentário bem assim: "algo estranho está acontecendo nas entranhas da Igreja Católica: o Papa aceita a camisinha, admite que pode errar..." Para além de toda esta polêmica que estão construindo por aí, o ponto é que não somos um partido político com uma trincheira ideológica. A melhor forma de defender a vida não é se alistar nos comitês pró-vida de extrema-direita, é viver uma febre de vida a tal ponto que provoque nos outros a percepção de que a vida vale a pena, não porque seja bela (porque isto pode parecer somente poesia), mas porque já não estamos mais sozinhos: temos um amigo conosco. Não desejamos tanto que a vida em si mesma seja bela, mas desejamos que Alguuém caminhe conosco: foi isto que o Verbo fez, tornando-se carne, e anunciar isto é a missão do Papa, a suprema missão da História: tornar Jesus Cristo conhecido.

A mesma coisa pode ser concebida em relação à castidade. A maior apologia à castidade, à vivência humana da sexualidade é vivê-la em si mesmo, mostrando que ela é um caminho de realização humana, que nos humaniza e torna mais felizes e satisfeitos, não sair por aí condenando a camisinha ou o que quer que seja, porque, como afirma São Paulo "quem vive mal a própria sexualidade, recebe o pagamento no próprio corpo", seja pelas doenças físicas, as DSTs e a AIDS, como as doenças de ordem psíquicas, que atingem aqueles que não se rendem ao coração. A melhor apologia da castidade é vivê-la e ser feliz, porque todos podem discursar o quanto quiserem, mas contra fatos não há argumentos. A glória de Deus é o homem vivo, como diz Santo Irineu.

sábado, 13 de novembro de 2010

Espanha, a trincheira da batalha decisiva





















Basílica da Sagrada Família, Barcelona - Espanha

Um dos capítulos da História Mundial que mais me comoveram foi a Guerra da Reconquista, travada ininterruptamente, de Poitiers (atual França), em 732, até Granada (atual Espanha), em 1492. Sempre me provocou a Reconquista por uma série de fatores. A Reconquista barrou a destruição da civilização cristã durante 800 anos, e ao mesmo tempo foram se formando as nações que deram origem aos primeiros Estados Nacionais: Portugal e Espanha. A atual ordem mundial tem sua origem primordial na Reconquista.

O momento que eu me comovi mais foi quando eu me dei conta de que a minha existência hoje, ela se deve à Reconquista. Pois, sem a Reconquista não existiria nem Portugal, nem Brasil, nem eu mesmo. Como disse Bruno Tolentino: "a realidade é inexoravelmente positiva, eu existo graças a tudo o que aconteceu no passado". Isso é impressionante, porque muita gente ideologicamente é contra a Reconquista, mas não se dá conta que a sua simples existência se deve ao fato de que um dia houve essa longa luta pela verdade e pela liberdade, por Jesus Cristo e pela Sua Igreja.

A batalha pela verdade e pela liberdade se trava hoje na Espanha. A Espanha é onde se decidirá o futuro da nossa civilização. Como Dom Giussani já disse: "a nossa esperança está na Espanha". Não é à toa que Bento XVI já visitou o país duas vezes e voltará uma terceira vez em agosto do próximo ano. Criando a Congregação para a Nova Evangelização, Bento XVI pôs a Espanha no centro da batalha pela reevangelização do Velho Continente. Quando eu vejo a agora Basílica da Sagrada Família, vejo que o Papa tem razão. A Basílica é um grito de Gaudí aos céus: "Vem, Senhor!" A Espanha é a trincheira da batalha decisiva, pela verdade e pela vida.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Agora, e na hora da nossa morte

Acabei de rezar uma Ave Maria pedindo pelo vice-presidente José Alencar, que teve um infarto ontem. Sempre me impressionou a riqueza educativa da "Ave Maria", o seu conteúdo educativo, a sua riqueza singela. Para quem quase morreu na infância (por isso a morte sempre me provocou muito), ouvir da boca da minha mãe a Ave Maria, "rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte..." sempre me provocou isso, "na hora da nossa morte"... que vertigem isso introduz na vida, como nos tira da banalidade, como nos salva da medicoridade, do mesmismo, e nos coloca na posição justa... "agora e na hora da nossa morte..." o instante e o destino, o efêmero e o eterno, tudo se joga nessa oração singela: "agora e na hora da nossa morte...!" Meu Deus, que coisa! Agradeço a José Alencar por me possibilitar viver a vida como homem, pois homem que é homem não foge às batalhas! A Ave Maria é o início da salvação do mundo, como diz S. Luís de Montfort, foi o início do meu olhar para a realidade com esta vertigem dentro.